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domingo, 15 de abril de 2012

Quem tem medo de Deus?


Não existe pessoa que diga com sinceridade não ter sentido medo, pelo menos uma vez na vida. É uma reação natural tremer diante de perigos, ou reais ou imaginários. Trata-se de manifestação de nosso instinto de defesa.

Acontece, porém, que na maioria dos casos, somos medrosos por nada. Nossa imaginação cria perigos existentes só existentes na imaginação. Cada qual pode contar situações ridículas que podem ser narradas como anedotas. O repertório de casos semelhantes povoa o mundo do humor. Lembro-me de uma sábia senhora que afirmava que sofremos muito por causa de fantasias. Tememos o futuro nele criamos monstros. Ao fazer caminhadas matinais, meu andar rápido já chegou a assustar pessoas que me imaginavam um assaltante, ou sei lá o que. Sem desejar, já fiz muita gente ter medo.

Neste segundo domingo da Páscoa lemos um trecho do Evangelho de João (Jo 20, 19-31) que toca nesse assunto. Coloquemo-nos no lugar dos discípulos de Jesus por ocasião da prisão, condenação e morte do Senhor. Tinham certeza que o Mestre era o messias poderoso, futuro rei de Israel, soberano político e religioso. Quando o viram preso, fugiram para salvar a própria pele e ficaram escondidos. Só um deles acompanhou Jesus até o desfecho da crucifixão. Se o medo foi grande até aquele momento, imaginemos o pavor por qual passaram no domingo ao ver o morto aparecer-lhes em carne e osso, vivo como nunca. Lucas diz que “eles ficaram assustados e cheios de medo” (Lc 24, 37). Mas, Jesus não era um morto que vinha apavorar os vivos. Ele era vivo e todos podiam tocar-lhe as mãos marcadas pelas feridas da cruz e o lado transpassado pela lança do soldado romano. O medo dos discípulos desapareceu diante da realidade do ressuscitado. Para acalmá-los, disse-lhes como primeiras palavras “a paz esteja com vocês”, em hebraico “Shalon”.



Nossos medos geram angústias e serão nossos companheiros vida a fora. A saída está em encontrar alguém que nos dê sabedoria para descobrir a existência ou não do perigo, e nos conceda força e coragem para superá-lo. Esse alguém é Jesus ressuscitado, presença viva e forte.

Para todos desejo shalon, paz.

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus

Um comentário:

  1. A pintura retratada aqui é uma das obras mais comoventes do pintor italiano Caravaggio: "A incredulidade de São Tomé", de 1599. Tomé olha, assustado, as marcas da crucificação de Jesus.

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