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segunda-feira, 31 de maio de 2021

A solução final: Infectar a população com Sars-CoV-2


Em depoimento à Comissão Parlamento de Inquérito – CPI do covid-19, a secretária Mayra Pinheiro foi confrontada com suas próprias falas. Em um vídeo gravado em 2020 Maya Pinheiro afirmou:

- “Porque nós criamos, mantendo todas as pessoas em casa, naquelas cidades, que, até por medidas coercitivas, agiram como legisladores em estado de exceção, foi causar mais pânico na sociedade. Nós atrapalhamos a evolução natural da doença naquelas pessoas que seriam assintomáticas, como as crianças, e que a gente teria um efeito rebanho”.

Nas falas de Mayra existem três erros crassos. O primeiro é a crítica as medidas tomadas por prefeitos e governadores de restrição de circulação de pessoas face ao colapso do sisteme de saúde. Aliás, com algumas exceções, as grandes cidades brasileiras tiveram muita dificuldade em decretar lockdown (termo em inglês que significa restrição total de circulações de pessoas) e contentaram-se em abrir e fechar indústrias, comércio e serviços de acordo com o nível de ocupação das UTIs em um verdadeiro efeito sanfona. O segundo erro é creditar a “população pediátrica”, temo que definiu as crianças, como imunes ao covid-19. Desde agosto de 2020, por meio de uma pesquisa realizada pelo Hospital Nacional Infantil de Washington, sabe-se que crianças infectadas pelo novo coronavírus podem transmitir a doença por semanas. A secretária Mayra parece ignorar que ao redor das crianças nas escolas existem professores, funcionários e em suas casas os seus pais, avós e demais familiares. A situação familiar torna-se mais caótica nas camadas mais empobrecidas, nas quais crianças, jovens e adultos dividem pequenos cômodos, sendo impossível realizar separação de grupos de riscos. O terceiro e mais nefasto erro é acreditar que se possa controlar a pandemia pela contágio em massa do vírus na população (imunidade de rebanho), pois a reação imediata é a morte das pessoas pelo colapso do sistema de saúde e o efeito colateral do surgimento de novas cepas (mutações) como a P1 que foi gestada nos corpos dos Amazonenses.

Não é forçar a barra afirmar que a estratégia de enfrentamento a pandemia no Brasil pelo governo Bolsonaro é pela imunidade de rebanho. Apesar de não existir um documento produzido no Ministério da Saúde com esta clara intenção, além das falas da secretária, existem várias declarações de Bolsonaro que deixa explícita essa estratégia. Bolsonaro, por meio de um vídeo em sua conta pessoal no Facebook em dezembro de 2020, disse que teve “a melhor vacina: o vírus”. Não satisfeito com essa verborragia alucinada acrescentou: “Sem efeito colateral” ignorando que brasileiros morrem de covid-19. Em março de 2020 quando os EUA passaram a China em número de casos e questionado se o Brasil poderia seguir no mesmo ritmo afirmou: “Eu acho que não. Eu acho que não vai chegar a esse ponto”, respondeu. “Até porque o brasileiro tem que ser estudado. Ele não pega nada. Você vê o cara pulando em esgoto ali, sai, mergulha, tá certo? E não acontece nada com ele”. Fica claro que Bolsonaro acredita que o brasileiro por ser imune a doenças não merece a vacina e por isso não se apressou em comprar imunizantes para a população como Israel, EUA, Reino Unido, Chile dentre outros que compraram. A intenção era justamente submeter a população ao vírus e morrer quem tivesse que morrer.

A pesquisa realizada pelos cientistas do Instituto Butantan pela vacinação em massa da cidade de Serrana-SP, além de comprovar a eficácia da CoronaVac, evidenciou que a imunidade de rebanho somente acontece por meio da vacinação. Embora as cidades ao entorno de Serrana aumentassem a ocupação de suas UTIs, o mesmo não aconteceu na cidade pesquisada. Ribeirão Preto, uma cidade polo do Noroeste de São Paulo, localizada a poucos quilômetros de Serrana, desde março vem abrindo e fechando indústrias, comércios e serviços tentando baixar a ocupação de UTIs que resiste acima de 90%. Neste cenário, Serrana é um oásis de imunidade em uma região que sofre com o aumento dos casos de covid-19 em São Paulo.

Entre o achismo criminoso e a ciência, infelizmente estamos reféns de um governo que insiste em negar o que está consagrado mundo afora. A imunidade de rebanho vem com a vacina e no ritmo da vacinação podemos levar até o final de 2022 para vacinar todos os adultos. Neste sentido, o Amazonas estancou sua vacinação e segundo a reportagem do site Poder 360 nosso estado aplicou somente 55% das vacinas recebidas, demonstrando que não estamos nos esforçando na vacinação a fim de evitar uma terceira onda.

Querem nos vencer, ou nos matar pelo cansaço e pela covid-19. Desgraçadamente nossa esperança vem do grito das ruas, pois em uma atitude de desespero, sob o risco de maior contágio, as manifestações contra o governo Bolsonaro inauguram uma nova fase do enfrentamento político. O tudo ou nada, mesmo que esse tudo seja a vida de mais brasileiros.

João Lago.


domingo, 23 de maio de 2021

O Brasil não merece uma terceira onda.


Quando participei dos movimentos nas ruas pelo impeachment de Dilma em 2016, olhava ao redor e percebia um grupo muito pequeno vestindo simulações de roupas militares que pedia intervenção militar. Não era uma participação muito representativa e essas poucas pessoas desapareciam em meio aos manifestantes que estavam nas ruas pedindo um desfecho constitucional a corrupção nos governos petistas. A continuação dessa história todos nós sabemos, houve o afastamento de Dilma, o então juiz Sérgio Moro atuou para impedir a participação de Lula no pleito de 2018, sendo desmascarado pela vasajato em sua parcialidade, houve a facada em Jair Bolsonaro afastando-o dos debates nas emissoras de TV e o discurso anticorrupção da família conservadora e pelos bons costumes foram canalizados para Bolsonaro. Vale a pena lembrar que trinta milhões deixaram de votar em 2018, representando 20,3% dos eleitores e os votos nulos e em brancos somaram onze milhões, ou seja, mais de 30% dos eleitores não quiseram votar em Bolsonaro ou Haddad. Para apresentar os números de maneira mais clara, as abstenções somadas aos votos brancos e nulos representaram 42,4 milhões de eleitores. Bolsonaro teve 57,7 milhões de votos e Haddad 47 milhões.

Jair Bolsonaro foi eleito baseado em uma ideia de rejeição a corrupção aliada a um discurso conservador nos costumes. No entanto, o histórico político de Bolsonaro não era o que se pode chamar de novo, pois nos vários mandatos de deputado trocou diversas vezes de partido enquanto trocava de mulheres. Pesa também acusações de desvios de salários de funcionários de seu gabinete para uso pessoal pela prática de peculato, mas que ficou conhecida na mídia como “rachadinha” e foi assimilada e repetida pelo filho mais velho Flávio Bolsonaro, conforme parece determinar as investigações promovidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Além do mais, as relações da família Bolsonaro com os milicianos cariocas já foram contadas no livro República das Milícias: Dos esquadrões da morte à era Bolsonaro, do jornalista Bruno Paes Manso. O Brasil profundo não conhecia Bolsonaro e o elegeu baseado em uma ideia torta de defensor de tudo que a sua biografia não confirma. Essa sujeirada toda até poderia ter sido varrida para debaixo do tapete se Bolsonaro governasse, mas a sua incompetência em reunir mentes brilhantes para o seu governo o faz refém de qualquer um aventureiro que tenha como único critério o alinhamento a ideologia amalucada contra um comunismo extinto na década de 80 e que sempre diga amém ao Bolsonaro e aos seus filhos. Outro artifício é cooptar militares com a possibilidade de duplicação dos salários por meio da Portaria 4.975 do Ministério da Economia. Com isso, generais como Hamilton Mourão, Braga Neto, Augusto Heleno, dentre outros, passam a ter supersalários. Um único general poderá em um ano receber mais de R$ 756 mil em salários. Guardada as devidas proporções, Hugo Chaves, falecido presidente venezuelano, em 2005 aumentava salários de militares de forma a mantê-los fiéis ao governo. No Congresso Nacional a compra de deputados e senadores por meio das emendas parlamentares, ou seja, alterações no orçamento para distribuir recursos públicos para obras e projetos em currais eleitorais também faz parte da estratégia de manter-se no poder.

Veio a pandemia e deixou nua toda a incompetência e a acefalia do governo Bolsonaro em coordenar ações que pudessem garantir a economia continuar girando e ao mesmo tempo controlar o avanço do vírus entre a população. A Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI instalada no Senado tenta elucidar se a inação de Bolsonaro foi baseada na teoria de imunidade de rebanho, na qual se deixa a população exposta ao vírus, morrendo quem tem que morrer, para os sobreviventes possam voltar a vida normal. Porém, cientistas pelo mundo contradizem essa tese pelo fato do vírus sofrer mutações que o podem tornar mais contagiante e letal. A única imunidade de rebanho possível é aquela promovida pela vacinação, como estamos vendo ocorrer nos EUA, na Inglaterra, Israel e em outros países que já vacinaram mais de 50% de sua população.

Os rolês de Bolsonaro iniciado no Distrito Federal, depois no Maranhão e nesse domingo (23/05) no Rio de Janeiro demonstra um desespero para mostrar uma popularidade que está derretendo entre aqueles que perceberam que o melhor para o combate a pandemia é expurgar Bolsonaro da cadeira de presidente o quanto antes. Porém, a única alternativa viável na democracia é um impeachment que pode ter como base todo o descalabro no enfrentamento da pandemia e a deliberada intenção de proliferar o vírus entre os brasileiros. As sucessivas aglomerações, a insistência na cloroquina que não serve para covid-19, a postergação na compra das vacinas e os ataques as medidas de distanciamento, uso de máscaras que salvam vidas são evidências que os brasileiros foram empurrados para o vírus como forma assassina de combate a pandemia.

Bolsonaro não é estúpido de todo, pois sabe que precisa radicalizar para manter-se no poder e ameaça a nossa democracia. Tenta a todo custo empurrar seu governo até as eleições de 2022, mas face a iminente derrota que se aproxima, cria uma nova frente de batalha contra o voto eletrônico. O mais irracional é que Bolsonaro vendo sendo eleito pela urna eletrônica desde 1996 e nesses vinte e cinco anos não houve nenhum registro de fraude em seu uso. Faz parte do projeto de poder de Bolsonaro destruir tudo e qualquer coisa que possa impedir sua continuidade do poder.

A solução constitucional e democrática que temos é nossa esperança que a CPI venha a fornecer material necessário para o impeachment de Bolsonaro, pois não merecemos uma terceira onda de covid-19 sob o patrocínio das aglomerações e insanidades de Jair Bolsonaro.

João Lago