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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Folia, verdade e hipocrisia.


Nesse carnaval de 2020 uma certa paróquia aqui em Manaus anunciou que realizaria em sua comunidade um baile de carnaval e muito dos fiéis aderiram a ideia sem oposição ou questionamento. Assim, pareceria muito natural que uma festa considerada pagã fosse adaptada para um c
ontexto cristão, a fim de proporcionar uma alternativa ao apelo de alegria que o carnaval parece despertar no brasileiro, principalmente entre os jovens. Sinceramente não tive notícia de quais marchinhas de carnaval poderiam estar incluídas nessa proposta evangelizadora, ou se mesmo esse carnaval seria realizado com versões musicais adaptadas dos folguedos de Momo.

A polêmica do carnaval da Mangueira, que trouxe símbolos cristãos para a avenida Sapucaí, no entanto parece ter chocado e provocado arrepio em fiéis que semanas atrás divulgaram e aplaudiram o carnaval paroquial. Ao mesmo tempo vejo certas denominações cristãs trazendo para o ambiente do templo ritmos do mundo secular, sendo motivo de uma reflexão que escrevi em julho de 2016 (O sagrado e o profano) na qual abordei essa forma moderna de sincretismo e novamente não consegui resistir em colocar o dedo nessa ferida que é a intolerância seletiva que encontra o pecado nas manifestações culturais alheias, mas que relativiza aberrações teológicas de doutrinas que satanizam o diferente sem olhar para o seu próprio umbigo.

A cerca de duas semanas atrás comprei em uma livraria uma coletânea dos sermões do padre Antônio Vieira que em sua época incomodava pela crítica dura que fazia a sociedade, mas não encontravam em suas palavras, por mais que procurassem, qualquer traço de afastamento do que ensina o Evangelho de Cristo. Em seu conhecido sermão Santo Antônio (sermão dos peixes), no qual criticava o colono português que escravizava os índios, assim escreveu: “Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção?”

O sermão aos peixes de padre Vieira ainda não caducou, pois parece que tanto a corrupção quanto a hipocrisia transcendem os séculos e apenas os desvalidos mudam de face, pois se outrora no século XVII eram os índios os marginalizados, hoje os excluídos da sociedade em sua maioria são negros e pardos que habitam as favelas e periferias das grandes cidades. É justamente sob essa ótica que analiso a letra do samba enredo da Mangueira e não encontro nela, assim como não se encontra nos sermões de padre Vieira, qualquer afastamento aos ensinamentos e exemplos que Cristo nos deu de como devemos deitar nossa compaixão aos marginalizados da sociedade. Desta forma, as vozes que salgam ainda são as mesmas vestidas da corrupção de três séculos passados, pois não há como abjurar a crítica social que a Mangueira colocou na avenida.

Uma escola de samba talvez não seja a melhor mensageira das coisas do Altíssimo, pois no seio do carnaval ocorre formas de alegria que são contrárias a doutrina cristã, da mesma forma que não será no âmbito do templo que o carnaval há de santificar-se. No entanto, entre as duas propostas evangelizadoras que possam parecer tortas, quem sabe a Mangueira, por fim, tenha conseguido proporcionar uma melhor reflexão do que de fato é verdadeiramente cristão: o amor e a compaixão pelos marginalizados.

João Lago.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

O afeto tem risco de morte

Agora é assim, o perigo de morte não vem através de um mosquito, nem por meio de uma relação sexual sem preservativo, mas chega extremamente contagiante pelos hábitos sociais afetuosos mais prosaicos do brasileiro: o abraço, o aperto de mão, o beijo no rosto etc. Não somente isso, basta simplesmente que se toque em um objeto, em um passa mão de carrinho de supermercado, em uma maçaneta, em um corrimão que tenha sido infectado por fluídos corpóreos de alguém que seja portador do coronavírus. O pior é que a transmissão dessa nova modalidade de gripe, cujos desdobramentos fatais são a insuficiência renal e respiratória aguda, pode vir de pessoas que se apresentam assintomáticas, ou seja, que ainda sequer deem sinais que estejam doentes. É justamente essa forma de fácil contágio que assusta a comunidade de saúde pública internacional.

Fala-se em taxa de letalidade de 2%, considerada baixa quando comparada com os dois mais recentes surtos de doenças virais (Sars 10,87% e H1N1 23,2%). Porém, como conter a proliferação de uma doença que é transmitida tão facilmente e que pode chegar a milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Por exemplo, a cidade de Wuhan (foco inicial do vírus) tem uma população de 11,8 milhões que totalmente contaminada corresponde à 236 mil mortes. Assim, o número de mortos pode somar a população inteira de cidades como Dourados-MS, Chapecó-SC, Cabo Frio-RJ dentre tantas outras e não se deve minimizar esse número em um mero dado estatístico. Não há como mitigar a dor de uma família que vive o luto dessas mortes como a desculpa que somente faleceram 2%.
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O acirramento do vírus no mundo, antes que se desenvolva uma vacina eficaz, e o seu potencial desembarque no Brasil, traz a luz vários fatores que são característicos da realidade brasileira é que nos fazem vítimas de uma tragédia anunciada. Como resolver a precariedade do sistema de saúde que em muitas cidades sequer dão conta da demanda ordinária da população? O que fazer para contornar o péssimo saneamento básico que transforma sarjetas em esgotos a céu aberto? Como erradicar a falta de higiene elementar de uma maioria que sequer lava às mãos depois de usar o banheiro? Como tolher os excessos de abraços, beijos e apertos de mão de nossa índole afetuosa? Neste cenário sinistro, resolver a precariedade do atendimento à saúde e o péssimo saneamento básico está aquém de nossa vontade individual e que nos fazem reféns de governos corruptos e demagogos, além de não ser algo que se resolva em curto espaço de tempo. Contudo, agir fazendo campanhas de conscientização de cuidados básicos de higiene e alertar que os excessos de afetuosidade devem ser evitados para o bem de todos, principalmente quando estivermos em ambientes coletivos é algo que podemos fazer. Voltemos os nossos olhos para a forma que os japoneses cumprimentam-se: nada de aperto de mãos e beijinhos, mas uma simples reverência (chamada ojigi). Na internet encontraremos vários significados lúdicos do motivo dessa saudação, mas eu arrisco dizer que, por ser o Japão uma ilha, a melhor forma encontrada para evitar contágios de um povo confinado em um pequeno território foi abolir o contato físico desnecessário. Pode-se ser menos radical e observar como os anglo-saxões saúdam-se. Basta observar os filmes de Hollywood e perceber que quando amigos encontram-se o que menos acontece são abraços, beijinhos e apertos de mão. Os alemães também compartilham do mesmo hábito e talvez por isso os consideremos um “povo frio”.


Voltando para a nossa realidade, é necessário que compartilhemos nossa preocupação principalmente com aqueles que estão dentro de nossa casa (pais, irmãos, filhos, netos etc.), pois de nada adianta o nosso cuidado individual se potencialmente a contaminação poderá vir daqueles que mais temos motivos para tocar, abraçar e beijar. Temos ao nosso favor que no hemisfério sul ainda é verão e as gripes por excelência acontecem mais no inverno, mas como diz o ditado: “cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”, obviamente tratando de cozinhá-la bem e em fogo alto.

João Lago.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Natal Amigos Solidários 2019

Finalizamos nossa campanha com a doação de brinquedos no dia 25 de dezembro em uma comunidade localizada a margem da Av. Torquato Tapajós, Zona Norte de Manaus. No local dividem o espaço brasileiros e refugiados venezuelanos que nutrem a esperança que o local receba urbanização.




Doações Recebidas.

1. Professora moradora de Rio Preto da Eva (AM).................................. R$ 150,00
2. Kelciana Silva - Tefé (AM)......................................................................R$ 150,00
3. Hélio Silva - Cordeirópolis (SP)..............................................................R$ 150,00
4. Anderson Martins - Manila / Filipinas......................................................R$ 500,00
5. Rodrigo Duarte - Manaus (AM)...............................................................R$ 50,00

Total arrecadado até 20/12/2019...............................................................R$ 1.000,00

Foram comprados 142 brinquedos totalizando R$ 1.106,70

6. Girleide Pacheco doou brinquedos diversos
7. Márcia Rodrigues doou uma bicicleta infantil

Equipe de Distribuição de brinquedos (ordem alfabética): Daniel Rodrigues, Daniel Rodrigues, Helena Rodrigues, Iran (da comunidade), João Lago, Márcia Rodrigues, Nazaré Lago.

Etelvina Lago embrulhou todos os brinquedos para a entrega.

Agradedecmos a todos os que participaram desta campanha.

João Lago
Coordenador.

domingo, 1 de dezembro de 2019

II Noite de Massas – Em prol da construção do Centro Pastoral da Igreja de São Marcos.


Nessa última sexta-feira (29/11), a Comunidade de São Marcos da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório, realizou a segunda edição do evento Noite de Massas. Tratou-se de uma ação em prol do término da construção do Centro Pastoral da referida comunidade localizada no Conjunto Santos Dumont, bairro da Paz em Manaus, cujas obras estão em fase de acabamento. O centro pastoral contará com sete salas de catequese, além de um amplo salão para reuniões da comunidade.

A segunda Noite de Massas é o resultado do esforço das lideranças de pastorais e de sua coordenação que não mediram esforços para transformar um evento de preço popular em uma festa a altura de qualquer evento de mercado que se tenha o intuito do lucro per si. Uma banda animou a festa durante pouco mais três horas, além de sorteio de brindes (doados na comunidade) que foram oferecidos aos convidados. No serviço de buffet foram servidos três variedades de massas, três tipos de molhos e lasanha. Refrigerantes, vinhos e água foram oferecidos, além de duas variedades de sobremesas. O ambiente estava impecavelmente decorado com motivos natalinos e com as cores que remetem a um evento de massas (verde, vermelho e branco).

Pela experiência que tenho atuando com fundraising, incluso um estágio na Colômbia com Jorge Eduardo Serrano, jesuíta e na época coordenador da Oficina de Desarrollo de la CPAL e hoje trabalhando na Cúria Geral dos Jesuítas em Roma e responsável pelos Jesuítas sem Fronteira, em um dos diversos encontros que tivemos no Brasil e no exterior, sobre trabalhar a frente de comunidades, certa vez me disse: “quer ser Cristo? Então se deixe pregar na cruz!”. Padre Serrano creio, fez referência ao Evangelho de São Lucas (Lc 9, 23) que ensina “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me”. O sábio sabe que, apesar de necessariamente estarmos sob a égide dos ensinamentos de Cristo, não existe unanimidade quanto a verdadeira intenção dos propósitos daqueles que estão a frente de qualquer coordenação. Ensinou-me que a melhor resposta a maledicência humana está muito além de oferecer a outra face, mas também demonstrar honradez na transparência de suas ações, prestando contas a todo momento a qualquer cristão que por sua língua insista desconstruir a ação do Espírito Santo. São esses como os fariseus, com sua moral pusilâmine descrita no Evangelho de Mateus (23, 5), que “atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo”.

Não estive diretamente relacionado a coordenação evento II Noite de Massas, mas fui aquele que levou a mensagem de necessidade ao coração solidário que doou 34 litros de vinhos para serem servidos no evento. Cumpre dizer que os vinhos doados foram todos consumidos e que, pela graça de Deus, a bebida não faltou, tanto que ainda houve sobra de dezesseis garrafas de vinhos. Desta forma, quero em nome da Comunidade de São Marcos agradecer aos empresários Fernando, José e Rosiane, da Bellvin Indústria e Comércio de Vinhos pela doação dos 34 litros e as demais doações particulares recebidas que serviram para engrandecer o evento e a finalidade a qual o mesmo se destina.

Para todos aqueles que estiveram a frente dessa obra de Deus deixou as palavras de São Paulo: “Por consequência, meus amados irmãos, sede firmes e inabaláveis, aplicando-vos cada vez mais à obra do Senhor. Sabeis que o vosso trabalho no Senhor não é em vão” (I Cor 15, 58)

Muito obrigado a todos!

João Lago



terça-feira, 29 de outubro de 2019

Quer aparecer menino?

Centenário de Irmã Dulce - Senhor do Bonfim Salvador
Até as pedras do caminho sabem o quanto sou crítico ao bolsonarismo, se é que seja razoável adjetivá-lo assim dando-lhe uma importância política que mal comparo aos fenômenos musicais de verão. Antevejo o bolsonarismo como uma Jenifer, Lepo Lepo, ou Deu Onda, hits chicletes com baixíssima expressão poética e uma pífia construção musical vinda de artistas efêmeros. Porém, a construção social que permitiu o bolsonarismo firmar-se é a mesma que sustenta de verão a verão as paradas de sucesso, ou seja: a baixa cultura do brasileiro médio; a total ausência de análise retórica profunda, seja política ou musical e; uma necessidade ao entorpecimento vulgar, seja ele dançante ou oriundo de ideias politicamente burlescas. No entanto, nesses tempos sombrios, o ativismo de uma minoria parece não perceber que não se pode defenestrar cupins de uma casa tocando fogo na madeira que a sustenta, pois ao tentar justificar suas ações, mesmo que possam ter certa razoabilidade, agem justamente como incendiários do extremismo.

Na última terça-feira (22/11), uma denominada Associação de Ateus e Agnósticos protocolou uma ação civil pública na Justiça Federal de Brasília pedindo a devolução do dinheiro público gasto na comitiva da Presidência da República, da Câmara e do Senado ao Vaticano para a cerimônia de Canonização da Irmã Dulce. Alegam que por ser o Estado laico não poderia ser gastos recursos públicos em uma viagem de cunho religioso. Ora, visto somente por essa visão tacanha parece ser óbvio que o governo brasileiro deveria ignorar completamente a importância do legado da religiosa para a Bahia e para todos os brasileiros, sejam cristãos católicos ou ateus. No entanto, ainda assim vamos nos concentrar no ordenamento jurídico que determina o que pode e o que não pode ser subvencionado com dinheiro público.

A CF - Constituição Federal, no artigo 19o, inciso I, veda a União, Estado e Municípios de: “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”. O legislador constitucional quis deixar claro que o Estado deve manter-se afastado de apoiar ou estar subserviente a uma denominação religiosa, mas ao mesmo tempo não pode o Estado atrapalhar o livre exercício de uma religião, mesmo porque o artigo 5o, incisos de VI a VIII, garantem ao cidadão a liberdade de ter uma religião. Nessa suposta ambiguidade em que não pode tomar partido, mas ao mesmo tempo não deve obstruir a liberdade de culto, restou na CF a ressalva de tolerar e colaborar com as religiões a bem do interesse público. Poderia encerrar-se aqui esta argumentação, mas vamos caminhar mais um pouco.

Citando novamente a CF, mais precisamente o artigo 21o, inciso I, encontramos a seguinte redação: “Compete à União: manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais”. Ora, parece que os ateus e agnósticos da aludida associação desconhecem ser o Vaticano um Estado soberano que existe desde 1929 e que pelo Tratado de Latrão o Governo da Itália reconheceu sua soberania. Porém, ainda poderiam questionar qual seria o interesse público do Brasil manter relações com o Vaticano, além do fato do Brasil ser considerado a maior nação católica do mundo com 123 milhões de fiéis (64,6 % da população brasileira segundo o Censo IBGE de 2010).

A cidade de Aparecida no interior de São Paulo tem 80% de sua renda proveniente do turismo religioso e o mesmo se repete em Juazeiro do Norte - CE, onde viveu Padre Cícero Romão Batista e mais recentemente duas cidades despontam nesse cenário: Cachoeira Paulista – SP com o movimento carismático Canção Nova e Guaratinguetá – SP como cidade do santo Frei Galvão. Se não há interesse público na religiosidade de seu povo garantida na CF, deveria os ateus e agnósticos dessa pretensa associação reconhecer o interesse público no sentimento religioso que movimenta a economia e gera empregos. Não obstante, o governador Rui Costa (PT) fez publicar no Diário Oficial da Bahia a lei que institui o dia 13 de outubro como o dia da Santa Irmã Dulce dos Pobres reconhecendo não somente a importância pretérita da religiosa, mas o que doravante a devoção a Santa poderá trazer de divisas ao turismo religioso na Bahia.

A religiosidade é um fenômeno cultural que está no matiz do povo brasileiro repleto de expressões artísticas na música, arquitetura, teatro, pintura etc. Portanto, se não for suficiente as alegações até aqui deitadas, os ateus e agnósticos dessa associação deveriam ler o artigo 215o da CF que diz: “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”.

O Estado brasileiro é laico, mas absolutamente não é antirreligioso e nem tão pouco laicista, mas nesses tempos sombrios de intolerância sempre aparece um ou outro a procura dos seus quinze minutos de fama. A esses eu repito o ditado de minha avó: Quer aparecer menino? Põe o penico na cabeça e vai à rua.

João Lago

domingo, 29 de setembro de 2019

Homenagem à Etelma Maria Pinheiro do Lago


Quando somos crianças, e temos a felicidade de crescermos em uma família numerosa, nossos primeiros contatos sociais são com os nossos irmãos e irmãs. É por meio deles que aprendemos a repartir, negociar conflitos, muitas vezes transigir, algumas vezes (não assim tão raras) até as vias de fato. Éramos crianças e as nossas desavenças eram tão pesadas e duradouras quanto uma bolha de sabão e nada poderia ser tão sério que pudesse superar a necessidade de novamente estarmos juntos brincando e nos divertindo.


Crescemos e paulatinamente percebemos que a vida não é somente uma grande diversão. As cobranças vão ficando cada vez mais severas conforme vamos ganhando entendimento e, pouco a pouco, vamos retirando a capa de super-herói, as tiaras de princesa e, não sabemos bem quando, vestimos a máscara da responsabilidade. Daí, quando colocarmos os nossos pés para fora de casa, já não nos estapeamos mais, mas também já não brincamos tanto.

Quando nos tornamos adolescentes, o mundo floresce em tantas amizades que a nossa casa se transforma em lugar de acolhimento, festas de aniversários, confraternizações e do mesmo modo que recebemos, peregrinamos por outros lares e conhecemos outras famílias. A infância e a adolescência daqueles quatro irmãos da Rua Visconde de Porto Alegre 446 não fugiu a regra, mas com uma diferença. Havia uma menina que parecia não acreditar nessa obrigação de ser gente grande e, para nossa felicidade, tornou-se essa eterna criança de espírito alegre e amizades platônicas que tenho certeza que cada um de vocês, que teve a felicidade de conhecer Etelma, há de lembrar.

Etelma também foi mãe e como não poderia deixar de ser, tornou-se técnica, preparadora física, nutricionista, líder de torcida de seu único filho Diego Augusto que colecionava medalhas de natação. Mudaram-se para o Rio de Janeiro para que Diego pudesse competir em piscinas que tivessem competidores mais parelhos a sua competência. No Rio de Janeiro construiu novas amizades e encaminhou uma vida de responsabilidades e trabalho, igual como muitos daqueles que saem de sua terra natal. O irmão Júnior casou, o mano Kleber também, ambos foram morar em outras cidades e o Pinheiro Neto constituiu família aqui mesmo em Manaus. Em dado momento da vida cada um dos quatro irmãos da Visconde de Porto Alegre morava em uma cidade diferente.

A mãe Etelvina sempre foi para os quatro irmãos o ponto de convergência, como é bastante comum em outras famílias que tem a casa dos pais sempre como um lugar de destino. A vida une, as contingências separam, aprendemos a conviver com a distância, superar a saudade, porque de alguma forma nos acomodamos, pois sabemos que se realmente precisarmos estaremos sempre juntos e o sorriso de Etelma, a sua alegria e o seu carinho não pareciam tão distantes assim.

Deixemos para trás o pessimismo sombrio do “eterno retorno”, filosofia dos infelizes que não tiveram o discernimento de encontrar sentido nas coisas mais simples da vida, ou que não souberam construir um círculo de amor que nos faz escorregar suavemente, sem colidir com dobras ou arestas, e retornar ao ponto inicial de nossa existência: A casa da mãe, a família, o aconchego do lar, a presença festiva dos irmãos e dos amigos. Que alegria seria para qualquer um dos irmãos retornar a rua Visconde de Porto Alegre 446, abrir o portão e encontrar Etelma sempre disposta ao improviso, somente com o intuito de ser feliz e nos contagiar com a sua felicidade. Encontrar a porta da casa sempre cheia de gente varando a madrugada porque ela tinha o poder mágico de catalisar pessoas ao seu redor e quando morou no Rio de Janeiro, na praia de Botafogo, isso não foi diferente. Os três irmãos, os amigos e as amigas eram apenas personagens coadjuvantes de um teatro que a estrela principal era a menina gordinha, baixinha, geniosa, alegre e com uma força de vontade, uma beleza que não se encontra nos contos de fada. Etelma cresceu assim, amou assim, foi mãe assim, e tornou-se, para cada um de nós que percebemos sua essência, uma joia de valor incalculável.
A morte é um mistério que cada um de nós um dia haverá de descobrir, mas a nossa fé em Jesus Cristo aponta que aquilo que possa parecer incompreensível à razão humana é na verdade a verdadeira expressão do amor de Deus. Ele nos conhece, sabe de nossas falhas, nos perdoa, sara o nosso sofrimento e ao seu modo nos conduz à luz.

Quando perdemos alguém que amamos dois sentimentos se agigantam: Saudade e Tristeza.
E é na despedida que esses dois sentimentos parecem não caber na solidão que invade e transforma em vazio tudo o que está ao nosso redor.

Porém, nesses momentos de profunda dor e solidão é que a solidariedade da família e dos amigos nos ajudam a perceber que não estamos sozinhos em nosso sofrimento.

Corremos os olhos ao redor e percebemos que o vazio aos poucos vai sendo preenchido com um abraço, um afago, uma palavra amiga ou com simples um olhar que já diz tudo.

A família Lago, mãe, filho, irmãos, irmãs, sobrinhos, sobrinhas, cunhados, cunhadas e todos os familiares de Etelma agradecemos a presença solidária de cada um de vocês.

O vosso carinho e solidariedade com o nosso sofrimento nos faz acreditar que em meio a um mundo materialista e ausente de sentimentos existem pessoas como você que se sente capaz de calçar as nossas sandálias, curar nossas feridas e trilhar juntos o caminho da esperança.

Muito obrigado!

Família Lago


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Família Lago – Mensagem aos amigos!

Queridas(os) Amigas(o)s.

A morte é um mistério que cada um de nós um dia haverá de descobrir, mas a nossa fé em Jesus Cristo aponta que aquilo que possa parecer incompreensível à razão humana é na verdade a verdadeira expressão do amor de Deus. Ele nos conhece, sabe de nossas falhas, nos perdoa, sara o nosso sofrimento e ao seu modo nos conduz à luz.
Quando perdemos alguém que amamos dois sentimentos se agigantam: Saudade e Tristeza.
E é na despedida que esses dois sentimentos parecem não caber na solidão que invade e transforma em vazio tudo o que está ao nosso redor.
Porém, nesses momentos de profunda dor e solidão é que a solidariedade da família e dos amigos nos ajudam a perceber que não estamos sozinhos em nosso sofrimento.
Corremos os olhos ao redor e percebemos que o vazio aos poucos vai sendo preenchido com um abraço, um afago, uma palavra amiga ou com simplesmente um olhar que já diz tudo.
Assim, queremos agradecer com gratidão todas as mensagens de solidariedade recebidas pela passagem de Etelma Lago e agradecer de modo especial a todos os amigos e familiares que foram pessoalmente ao velório e ao enterro de nossa amada Etelma.
O vosso carinho e solidariedade com o nosso sofrimento nos faz acreditar que em meio a um mundo materialista e ausente de sentimentos existem pessoas como você que se sente capaz de calçar as nossas sandálias, curar nossas feridas e trilhar juntos o caminho da esperança.
Muito obrigado!
Família Lago