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domingo, 8 de dezembro de 2019

Natal Amigos Solidários 2019

Finalizamos nossa campanha com a doação de brinquedos no dia 25 de dezembro em uma comunidade localizada a margem da Av. Torquato Tapajós, Zona Norte de Manaus. No local dividem o espaço brasileiros e refugiados venezuelanos que nutrem a esperança que o local receba urbanização.




Doações Recebidas.

1. Professora moradora de Rio Preto da Eva (AM).................................. R$ 150,00
2. Kelciana Silva - Tefé (AM)......................................................................R$ 150,00
3. Hélio Silva - Cordeirópolis (SP)..............................................................R$ 150,00
4. Anderson Martins - Manila / Filipinas......................................................R$ 500,00
5. Rodrigo Duarte - Manaus (AM)...............................................................R$ 50,00

Total arrecadado até 20/12/2019...............................................................R$ 1.000,00

Foram comprados 142 brinquedos totalizando R$ 1.106,70

6. Girleide Pacheco doou brinquedos diversos
7. Márcia Rodrigues doou uma bicicleta infantil

Equipe de Distribuição de brinquedos (ordem alfabética): Daniel Rodrigues, Daniel Rodrigues, Helena Rodrigues, Iran (da comunidade), João Lago, Márcia Rodrigues, Nazaré Lago.

Etelvina Lago embrulhou todos os brinquedos para a entrega.

Agradedecmos a todos os que participaram desta campanha.

João Lago
Coordenador.

domingo, 1 de dezembro de 2019

II Noite de Massas – Em prol da construção do Centro Pastoral da Igreja de São Marcos.


Nessa última sexta-feira (29/11), a Comunidade de São Marcos da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório, realizou a segunda edição do evento Noite de Massas. Tratou-se de uma ação em prol do término da construção do Centro Pastoral da referida comunidade localizada no Conjunto Santos Dumont, bairro da Paz em Manaus, cujas obras estão em fase de acabamento. O centro pastoral contará com sete salas de catequese, além de um amplo salão para reuniões da comunidade.

A segunda Noite de Massas é o resultado do esforço das lideranças de pastorais e de sua coordenação que não mediram esforços para transformar um evento de preço popular em uma festa a altura de qualquer evento de mercado que se tenha o intuito do lucro per si. Uma banda animou a festa durante pouco mais três horas, além de sorteio de brindes (doados na comunidade) que foram oferecidos aos convidados. No serviço de buffet foram servidos três variedades de massas, três tipos de molhos e lasanha. Refrigerantes, vinhos e água foram oferecidos, além de duas variedades de sobremesas. O ambiente estava impecavelmente decorado com motivos natalinos e com as cores que remetem a um evento de massas (verde, vermelho e branco).

Pela experiência que tenho atuando com fundraising, incluso um estágio na Colômbia com Jorge Eduardo Serrano, jesuíta e na época coordenador da Oficina de Desarrollo de la CPAL e hoje trabalhando na Cúria Geral dos Jesuítas em Roma e responsável pelos Jesuítas sem Fronteira, em um dos diversos encontros que tivemos no Brasil e no exterior, sobre trabalhar a frente de comunidades, certa vez me disse: “quer ser Cristo? Então se deixe pregar na cruz!”. Padre Serrano creio, fez referência ao Evangelho de São Lucas (Lc 9, 23) que ensina “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me”. O sábio sabe que, apesar de necessariamente estarmos sob a égide dos ensinamentos de Cristo, não existe unanimidade quanto a verdadeira intenção dos propósitos daqueles que estão a frente de qualquer coordenação. Ensinou-me que a melhor resposta a maledicência humana está muito além de oferecer a outra face, mas também demonstrar honradez na transparência de suas ações, prestando contas a todo momento a qualquer cristão que por sua língua insista desconstruir a ação do Espírito Santo. São esses como os fariseus, com sua moral pusilâmine descrita no Evangelho de Mateus (23, 5), que “atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo”.

Não estive diretamente relacionado a coordenação evento II Noite de Massas, mas fui aquele que levou a mensagem de necessidade ao coração solidário que doou 34 litros de vinhos para serem servidos no evento. Cumpre dizer que os vinhos doados foram todos consumidos e que, pela graça de Deus, a bebida não faltou, tanto que ainda houve sobra de dezesseis garrafas de vinhos. Desta forma, quero em nome da Comunidade de São Marcos agradecer aos empresários Fernando, José e Rosiane, da Bellvin Indústria e Comércio de Vinhos pela doação dos 34 litros e as demais doações particulares recebidas que serviram para engrandecer o evento e a finalidade a qual o mesmo se destina.

Para todos aqueles que estiveram a frente dessa obra de Deus deixou as palavras de São Paulo: “Por consequência, meus amados irmãos, sede firmes e inabaláveis, aplicando-vos cada vez mais à obra do Senhor. Sabeis que o vosso trabalho no Senhor não é em vão” (I Cor 15, 58)

Muito obrigado a todos!

João Lago



terça-feira, 29 de outubro de 2019

Quer aparecer menino?

Centenário de Irmã Dulce - Senhor do Bonfim Salvador
Até as pedras do caminho sabem o quanto sou crítico ao bolsonarismo, se é que seja razoável adjetivá-lo assim dando-lhe uma importância política que mal comparo aos fenômenos musicais de verão. Antevejo o bolsonarismo como uma Jenifer, Lepo Lepo, ou Deu Onda, hits chicletes com baixíssima expressão poética e uma pífia construção musical vinda de artistas efêmeros. Porém, a construção social que permitiu o bolsonarismo firmar-se é a mesma que sustenta de verão a verão as paradas de sucesso, ou seja: a baixa cultura do brasileiro médio; a total ausência de análise retórica profunda, seja política ou musical e; uma necessidade ao entorpecimento vulgar, seja ele dançante ou oriundo de ideias politicamente burlescas. No entanto, nesses tempos sombrios, o ativismo de uma minoria parece não perceber que não se pode defenestrar cupins de uma casa tocando fogo na madeira que a sustenta, pois ao tentar justificar suas ações, mesmo que possam ter certa razoabilidade, agem justamente como incendiários do extremismo.

Na última terça-feira (22/11), uma denominada Associação de Ateus e Agnósticos protocolou uma ação civil pública na Justiça Federal de Brasília pedindo a devolução do dinheiro público gasto na comitiva da Presidência da República, da Câmara e do Senado ao Vaticano para a cerimônia de Canonização da Irmã Dulce. Alegam que por ser o Estado laico não poderia ser gastos recursos públicos em uma viagem de cunho religioso. Ora, visto somente por essa visão tacanha parece ser óbvio que o governo brasileiro deveria ignorar completamente a importância do legado da religiosa para a Bahia e para todos os brasileiros, sejam cristãos católicos ou ateus. No entanto, ainda assim vamos nos concentrar no ordenamento jurídico que determina o que pode e o que não pode ser subvencionado com dinheiro público.

A CF - Constituição Federal, no artigo 19o, inciso I, veda a União, Estado e Municípios de: “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”. O legislador constitucional quis deixar claro que o Estado deve manter-se afastado de apoiar ou estar subserviente a uma denominação religiosa, mas ao mesmo tempo não pode o Estado atrapalhar o livre exercício de uma religião, mesmo porque o artigo 5o, incisos de VI a VIII, garantem ao cidadão a liberdade de ter uma religião. Nessa suposta ambiguidade em que não pode tomar partido, mas ao mesmo tempo não deve obstruir a liberdade de culto, restou na CF a ressalva de tolerar e colaborar com as religiões a bem do interesse público. Poderia encerrar-se aqui esta argumentação, mas vamos caminhar mais um pouco.

Citando novamente a CF, mais precisamente o artigo 21o, inciso I, encontramos a seguinte redação: “Compete à União: manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais”. Ora, parece que os ateus e agnósticos da aludida associação desconhecem ser o Vaticano um Estado soberano que existe desde 1929 e que pelo Tratado de Latrão o Governo da Itália reconheceu sua soberania. Porém, ainda poderiam questionar qual seria o interesse público do Brasil manter relações com o Vaticano, além do fato do Brasil ser considerado a maior nação católica do mundo com 123 milhões de fiéis (64,6 % da população brasileira segundo o Censo IBGE de 2010).

A cidade de Aparecida no interior de São Paulo tem 80% de sua renda proveniente do turismo religioso e o mesmo se repete em Juazeiro do Norte - CE, onde viveu Padre Cícero Romão Batista e mais recentemente duas cidades despontam nesse cenário: Cachoeira Paulista – SP com o movimento carismático Canção Nova e Guaratinguetá – SP como cidade do santo Frei Galvão. Se não há interesse público na religiosidade de seu povo garantida na CF, deveria os ateus e agnósticos dessa pretensa associação reconhecer o interesse público no sentimento religioso que movimenta a economia e gera empregos. Não obstante, o governador Rui Costa (PT) fez publicar no Diário Oficial da Bahia a lei que institui o dia 13 de outubro como o dia da Santa Irmã Dulce dos Pobres reconhecendo não somente a importância pretérita da religiosa, mas o que doravante a devoção a Santa poderá trazer de divisas ao turismo religioso na Bahia.

A religiosidade é um fenômeno cultural que está no matiz do povo brasileiro repleto de expressões artísticas na música, arquitetura, teatro, pintura etc. Portanto, se não for suficiente as alegações até aqui deitadas, os ateus e agnósticos dessa associação deveriam ler o artigo 215o da CF que diz: “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”.

O Estado brasileiro é laico, mas absolutamente não é antirreligioso e nem tão pouco laicista, mas nesses tempos sombrios de intolerância sempre aparece um ou outro a procura dos seus quinze minutos de fama. A esses eu repito o ditado de minha avó: Quer aparecer menino? Põe o penico na cabeça e vai à rua.

João Lago

domingo, 29 de setembro de 2019

Homenagem à Etelma Maria Pinheiro do Lago


Quando somos crianças, e temos a felicidade de crescermos em uma família numerosa, nossos primeiros contatos sociais são com os nossos irmãos e irmãs. É por meio deles que aprendemos a repartir, negociar conflitos, muitas vezes transigir, algumas vezes (não assim tão raras) até as vias de fato. Éramos crianças e as nossas desavenças eram tão pesadas e duradouras quanto uma bolha de sabão e nada poderia ser tão sério que pudesse superar a necessidade de novamente estarmos juntos brincando e nos divertindo.


Crescemos e paulatinamente percebemos que a vida não é somente uma grande diversão. As cobranças vão ficando cada vez mais severas conforme vamos ganhando entendimento e, pouco a pouco, vamos retirando a capa de super-herói, as tiaras de princesa e, não sabemos bem quando, vestimos a máscara da responsabilidade. Daí, quando colocarmos os nossos pés para fora de casa, já não nos estapeamos mais, mas também já não brincamos tanto.

Quando nos tornamos adolescentes, o mundo floresce em tantas amizades que a nossa casa se transforma em lugar de acolhimento, festas de aniversários, confraternizações e do mesmo modo que recebemos, peregrinamos por outros lares e conhecemos outras famílias. A infância e a adolescência daqueles quatro irmãos da Rua Visconde de Porto Alegre 446 não fugiu a regra, mas com uma diferença. Havia uma menina que parecia não acreditar nessa obrigação de ser gente grande e, para nossa felicidade, tornou-se essa eterna criança de espírito alegre e amizades platônicas que tenho certeza que cada um de vocês, que teve a felicidade de conhecer Etelma, há de lembrar.

Etelma também foi mãe e como não poderia deixar de ser, tornou-se técnica, preparadora física, nutricionista, líder de torcida de seu único filho Diego Augusto que colecionava medalhas de natação. Mudaram-se para o Rio de Janeiro para que Diego pudesse competir em piscinas que tivessem competidores mais parelhos a sua competência. No Rio de Janeiro construiu novas amizades e encaminhou uma vida de responsabilidades e trabalho, igual como muitos daqueles que saem de sua terra natal. O irmão Júnior casou, o mano Kleber também, ambos foram morar em outras cidades e o Pinheiro Neto constituiu família aqui mesmo em Manaus. Em dado momento da vida cada um dos quatro irmãos da Visconde de Porto Alegre morava em uma cidade diferente.

A mãe Etelvina sempre foi para os quatro irmãos o ponto de convergência, como é bastante comum em outras famílias que tem a casa dos pais sempre como um lugar de destino. A vida une, as contingências separam, aprendemos a conviver com a distância, superar a saudade, porque de alguma forma nos acomodamos, pois sabemos que se realmente precisarmos estaremos sempre juntos e o sorriso de Etelma, a sua alegria e o seu carinho não pareciam tão distantes assim.

Deixemos para trás o pessimismo sombrio do “eterno retorno”, filosofia dos infelizes que não tiveram o discernimento de encontrar sentido nas coisas mais simples da vida, ou que não souberam construir um círculo de amor que nos faz escorregar suavemente, sem colidir com dobras ou arestas, e retornar ao ponto inicial de nossa existência: A casa da mãe, a família, o aconchego do lar, a presença festiva dos irmãos e dos amigos. Que alegria seria para qualquer um dos irmãos retornar a rua Visconde de Porto Alegre 446, abrir o portão e encontrar Etelma sempre disposta ao improviso, somente com o intuito de ser feliz e nos contagiar com a sua felicidade. Encontrar a porta da casa sempre cheia de gente varando a madrugada porque ela tinha o poder mágico de catalisar pessoas ao seu redor e quando morou no Rio de Janeiro, na praia de Botafogo, isso não foi diferente. Os três irmãos, os amigos e as amigas eram apenas personagens coadjuvantes de um teatro que a estrela principal era a menina gordinha, baixinha, geniosa, alegre e com uma força de vontade, uma beleza que não se encontra nos contos de fada. Etelma cresceu assim, amou assim, foi mãe assim, e tornou-se, para cada um de nós que percebemos sua essência, uma joia de valor incalculável.
A morte é um mistério que cada um de nós um dia haverá de descobrir, mas a nossa fé em Jesus Cristo aponta que aquilo que possa parecer incompreensível à razão humana é na verdade a verdadeira expressão do amor de Deus. Ele nos conhece, sabe de nossas falhas, nos perdoa, sara o nosso sofrimento e ao seu modo nos conduz à luz.

Quando perdemos alguém que amamos dois sentimentos se agigantam: Saudade e Tristeza.
E é na despedida que esses dois sentimentos parecem não caber na solidão que invade e transforma em vazio tudo o que está ao nosso redor.

Porém, nesses momentos de profunda dor e solidão é que a solidariedade da família e dos amigos nos ajudam a perceber que não estamos sozinhos em nosso sofrimento.

Corremos os olhos ao redor e percebemos que o vazio aos poucos vai sendo preenchido com um abraço, um afago, uma palavra amiga ou com simples um olhar que já diz tudo.

A família Lago, mãe, filho, irmãos, irmãs, sobrinhos, sobrinhas, cunhados, cunhadas e todos os familiares de Etelma agradecemos a presença solidária de cada um de vocês.

O vosso carinho e solidariedade com o nosso sofrimento nos faz acreditar que em meio a um mundo materialista e ausente de sentimentos existem pessoas como você que se sente capaz de calçar as nossas sandálias, curar nossas feridas e trilhar juntos o caminho da esperança.

Muito obrigado!

Família Lago


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Família Lago – Mensagem aos amigos!

Queridas(os) Amigas(o)s.

A morte é um mistério que cada um de nós um dia haverá de descobrir, mas a nossa fé em Jesus Cristo aponta que aquilo que possa parecer incompreensível à razão humana é na verdade a verdadeira expressão do amor de Deus. Ele nos conhece, sabe de nossas falhas, nos perdoa, sara o nosso sofrimento e ao seu modo nos conduz à luz.
Quando perdemos alguém que amamos dois sentimentos se agigantam: Saudade e Tristeza.
E é na despedida que esses dois sentimentos parecem não caber na solidão que invade e transforma em vazio tudo o que está ao nosso redor.
Porém, nesses momentos de profunda dor e solidão é que a solidariedade da família e dos amigos nos ajudam a perceber que não estamos sozinhos em nosso sofrimento.
Corremos os olhos ao redor e percebemos que o vazio aos poucos vai sendo preenchido com um abraço, um afago, uma palavra amiga ou com simplesmente um olhar que já diz tudo.
Assim, queremos agradecer com gratidão todas as mensagens de solidariedade recebidas pela passagem de Etelma Lago e agradecer de modo especial a todos os amigos e familiares que foram pessoalmente ao velório e ao enterro de nossa amada Etelma.
O vosso carinho e solidariedade com o nosso sofrimento nos faz acreditar que em meio a um mundo materialista e ausente de sentimentos existem pessoas como você que se sente capaz de calçar as nossas sandálias, curar nossas feridas e trilhar juntos o caminho da esperança.
Muito obrigado!
Família Lago

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Homenagem a Ivo Knob


Algumas pessoas deveriam viver para sempre porque se fazem importante em nossas vidas e o simples fato de nos imaginarmos sem elas já nos provoca uma profunda angústia. Essas pessoas são importantes pelo exemplo de vida que espelham e por uma certa necessidade mesquinha que temos de tê-las ao nosso lado para nos sentirmos melhor. São elas que nos aconselham, que se preocupam se estamos bem e que, mesmo que não peçamos, estão sempre dispostas a ajudar-nos. Isso pode até ser natural quando estamos nos referindo a uma pessoa próxima da família (mãe, pai, avô, avó etc.), mas quando essa pessoa vai além dos laços familiares e coloca-se a disposição de quem necessite, então é porque estamos falando de pessoas essenciais.

Pessoas essenciais não se forjam ao acaso, porque se as observarmos nos detalhes veremos que elas trazem dentro de si características que muitas vezes nos faltam como paciência, alegria, caridade, paz, equidade, fidelidade, modéstia..., mas, a essas características, que na verdade são valores, damos um nome especial. As chamamos de dons do Espírito Santo e as encontramos nas palavras do apóstolo Paulo quando ele pregou na província romana da Galácia (Gl 5, 22-23). São Paulo disse: “Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito” (Gl 5, 25). Então, quem carrega o Espírito Santo de Deus dentro de si também agirá de acordo com o Espírito e tudo fica mais claro para compreendermos porque algumas pessoas são assim.

Ivo Knob, para nós, Sr. Ivo, atuou como Ministro Extraordinário da Comunhão aqui na Igreja de São Marcos e levava consigo a Eucaristia a quem necessitava. É importante que se diga que na Igreja Católica o ministro da Eucaristia de fato é o sacerdote, pois o ministro por excelência é aquele que preside e consagra o pão transformando-o em alimento sagrado. Analisando simplesmente o significado da palavra “extraordinário” encontramos a seguinte definição: “que foge do usual ou do previsto, que não é ordinário, fora do comum”. Assim, é natural que pessoas em funções extraordinárias sejam aquelas que muitas vezes se colocam em distinção dos demais por posicionarem-se de modo especial. Engana-se quem age assim! Porque as pessoas extraordinárias não se forjam pela posição que ocupam, mas pelo que conhecem de Cristo como dádiva maior do amor de Deus para conosco, pois assim escreveu o Apóstolo João: “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1 Jo 4, 8).

Pessoas extraordinárias expressam-se pelo amor e foi pelo amor que seu Ivo se fez marcante entre nós. Pelo olhar terno, carinhoso e sempre atencioso para com todos e de modo todo especial para com sua Teresinha, com quem formou uma linda família. Também pelo amor, o cuidado com a natureza, semeando e colhendo os frutos que tão gentilmente compartilhava com os amigos que o visitavam. Um exemplo belo, de um homem sábio, que, carregado de simplicidade, jamais deixou que a sabedoria o afastasse das pessoas, ao contrário, verdadeiramente sábio, pela fé e disposição ao serviço da Eucaristia, era exemplo para todos nós. São pessoas como seu Ivo que quando partem deixam uma profunda saudade. Saudade que, para cada um de nós seus amigos, se ampara nos exemplos preciosos por ele deixado: de esposo, pai, irmão, avô, bisavô e amigo querido que não se apagará como uma vela que perde o brilho, pois a luz, uma vez emitida, caminha no espaço e no tempo e segue sendo percebida no universo por toda a eternidade.


Comunidade de São Marcos
Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório
Manaus - AM

Biografia 

Ivo Knob era gaúcho natural de Passo Fundo, nasceu dia 15 de outubro de 1934.  Formado em 1958 como técnico em contabilidade pelo Colégio Marista Conceição de Passo Fundo. Em 16 de maio de 1959 casou-se com Terezinha aos 24 anos. No ano seguinte, iniciou seus estudos de direito na Faculdade de Passo Fundo, mas não chegou a concluir o curso. Radicado em Manaus, trabalhou na empresa  Madeireira Rio Solimões Ltda. de 1974 a 1984 e no Colégio La Salle de 1981 a 1985 no qual foi primeiro funcionário registrado. Aposentado, Ivo Knob reservou parte de seu tempo ao serviço da igreja como Ministro Extraordinário da Eucaristia juntamente com sua esposa Terezinha. Ivo e Terezinha foram casados por 60 anos e tiveram três filhos: Fábio, José e Rita.

Ivo Knob faleceu dia 14 de agosto de 2019 no Hospital da Unimed em Manaus, deixando saudades de sua esposa, filhos, sete netos e quatro bisnetos.

sábado, 17 de agosto de 2019

A busca do poder da abstração


A capacidade de abstração é uma das mais elevadas formas de exercitar a mente na busca conhecimento, porque ela não limita o raciocínio aos fatores relacionados a realidade do indivíduo. Para que possamos melhor compreender este conceito, o exemplo mais clássico é aquele que se atribui a Isaac Newton quando viu uma maça despencar do galho que a prendia. Ao presenciar tal cena lúdica o físico e matemático inglês percebeu que a mesma força da natureza que leva a maça cair ao chão é a aquela que faz os planetas girarem ao redor do sol. Logicamente uma abstração dessa magnitude não sairia de uma mente vazia, pois para que fosse possível alcançar tal estágio de sofisticação intelectual, ele próprio já deveria ter alcançado todo o conhecimento matemático de sua época e ido muito mais além. Atribui-se a Isaac Newton e Gottfried Leibniz a invenção do cálculo diferencial e integral, os quais foram essenciais para o desenvolvimento da engenharia, economia, física, estatística e demais ramos do conhecimento que precisam estudar e analisar taxas de variação de grandezas e a acumulação de quantidades para melhor entender fenômenos observados. Isaac Newton ao ver uma maça cair ao chão não teria formulado a lei da gravitação universal se sua mente não fosse capaz de resolver os problemas mais elementares daquilo que já era observável pela percepção humana.

A política é considerada um fenômeno social e até existe um ramo do conhecimento que a estuda, o qual se denomina Ciência Política. Embora considerando que a Ciência Política tenha uma análise mais reativa das ações de governos, visando relacioná-las dentro de uma visão sistêmica, ou seja, estabelece padrões empíricos baseados em conhecimentos históricos e traça paralelos que visa explicá-las, mas pouco contribuindo para apontar inovações. O raciocínio que desejo lançar sobre a Ciência Política é que tudo que a sociedade construiu até aqui como modelo advém de conhecimento empírico e que nos falta essa tal capacidade de abstração para trilharmos o caminho do novo. Porém, para que se possa abstrair sobre determinado tema é necessário alcançar um grau de excelência nos princípios fundamentais do conhecimento, basta olharmos para a biografia da maioria dos homens que estão no Congresso Nacional, do atual presidente e dos seus ministros para percebermos que dessa mato não sairá coelho, cobra, sapo ou qualquer outro animal que pule ou rasteje. Quando analiso boa parte do discurso presidencial, de ministros e dos recém-eleitos para o Congresso Nacional vejo que esses ainda estão com a mente no final dos anos 50 do século passado e em plena guerra fria. Ainda estão atados a dicotomia do comunismo versus capitalismo, sendo aqueles de esquerda desejando uma sociedade planificada que reduz os cidadãos ao determinismo das abelhas e os outros de direita com a convicção fisiocrata que a mão invisível do mercado traz justiça social. Se os discípulos do Leninismo ainda vivem a luta de classes, os adeptos contemporâneos da fisiocracia, por sua vez, ainda estão perdidos no final do século XVIII e não passaram pelas agruras sociais advindas com a revolução industrial ocorrida no século XIX e que proporcionaram que as ideias de Karl Marx fossem “ideologizadas”. O estudo empírico da Ciência Política por ela mesma seria suficiente para deduzir que pouco temos a ganhar com essa discussão interminável que se assemelha ao sexo dos anjos.

A capacidade de abstração não deveria estar tão somente restrita as ciências naturais, mas deveria ser capaz de modernamente inspirarem os cientistas sociais a elucubrarem novos caminhos que levem a uma sociedade economicamente sustentável, socialmente justa e respeitando a individualidade de seus membros ao limite do que é aceitável para uma convivência coletiva. Porém, aqui não se deseja afirmar que a dominação de uma maioria sectária seja justificável pelo simples fato de ser maioria. Para exemplificar, levando o exemplo ao extremo, imaginemos hipoteticamente que no Brasil exista um grupo que esteja muito preocupado com o comportamento afetivo de casais homossexuais em público e que não suporte vê-los andando de mãos dadas e beijando-se. A reflexão a qual se deve ater é se todos os membros dessa sociedade estariam dispostos a abdicar de namorar em público para que exista paz social, deixando seus comportamentos lascivos para o âmbito privado. Não se pode construir privilégios individuais, tão poucos coletivos, quando esses atentam contra a liberdade e a isonomia de seus membros. A ofensa que um indivíduo possa fazer ao outro tem que ir além da subjetividade, pois no âmbito privado qualquer um pode acumular lixo em sua casa e viver na imundice, desde que isso não traga risco a saúde de seus vizinhos. Quando vive em sociedade, o dever que o indivíduo tem como compromisso de respeito ao semelhante é agir e respeitar as campanhas de combate as endemias (dengue, sarampo etc.) vacinando-se e limpando o seu quintal, buscando o conhecimento e fugindo do obscurantismo. Assim, se cada um agir com responsabilidade e estiver disposto a ter as mesmas obrigações e direitos de seu semelhante, estaremos no caminho do equilíbrio social que todos desejam.

Estamos vivendo um período muito difícil, no qual os princípios básicos que nos definem como civilizados estão sendo postos à prova. Parcelas significativas da sociedade trava uma luta contra a ciência e mostra-se desfavorável às liberdades individuais que colocam em risco qualquer possibilidade de encontrarmos um caminho de conciliação. A continuarmos travados no discurso mais raso de todas as possibilidades que nos definem como nação, muito provável seremos incapazes de proporcionar as próximas gerações o mínimo necessário para grandes abstrações.

João Lago