quinta-feira, 13 de julho de 2017
sexta-feira, 7 de julho de 2017
domingo, 2 de julho de 2017
O brasileiro médio
Estava neste final de semana em
uma conversa animada com um dileto amigo que em certa altura, no calor das
argumentações de um esquerdista doutrinador, perguntou-me: “Onde foram parar as
panelas tramontinas que foram batidas contra o governo popular do PT?”. Após
pacientemente escutar calado todas as lamúrias de quem nitidamente sofre
angustiado com algo parecido com a Síndrome de Estocolmo, na qual a vítima
apaixona-se pelo seu algoz, falava de forma veemente, quase com uma profissão
de fé, pedindo a volta de Lula ao Planalto Central. E novamente repetia: “cadê
as panelas?”.
Em um arroubo de paciência, em
consideração a nossa longa amizade, dessas construídas com os pés descalços
correndo atrás de uma bola e nas brincadeiras infantis até o primeiro alvorecer
do primeiro amor da adolescência, desse tempo terno que lembra o fim de nossa
inocência, hoje representando uma vaga lembrança de um mundo melhor que parece somente
existir no passado que me permitiu deixá-lo falar até cansar e enfim
oferecer-me a palavra.
Disse-lhe que o brasileiro médio
em geral está tão ocupado em cuidar de sua própria vida, de cuidar da educação
e alimentação dos filhos, aflito com os preços dos alimentos no supermercado,
com a ameaça de perder o emprego e ver-se mergulhado na feroz estatística que o
faria mergulhar na linha da pobreza, já está desesperançoso com a política,
principalmente porque o governo que foi deposto já não apresentava condições,
tanto moral quanto política, para conduzir as reformas necessárias que pudessem
afastar todos esses temores. Assim, como havia a oportunidade de mudar, mesmo
que não sendo da maneira ideal, existia o sentimento que outro governo
entendendo a alma do brasileiro médio pudesse entregar novamente esperança.
Contudo, com o avançar da lava jato e das delações que desnudaram a elite político-partidária
encastelada no poder (herança do governo anterior) e ainda jogando lama no
candidato derrotado na última eleição presidencial que naturalmente poderia ser
um nome que seria lembrado como alternativa para uma nova visão de governo, fez
aumentar a desesperança. Desta forma, as gravações transformaram-se na mais
robusta prova que são todos iguais e, portanto, por que ir as ruas bater
panelas se a alternativa que existe é tão pior quanto a existente? O brasileiro
médio caminha como um zumbi, cujo sangue foi-lhe tirado das veias pela seringa
da corrupção que é como um monstro sanguessuga de apetite insaciável que mata
até roubar a última gota.
O brasileiro médio distante da vida
política não acredita que os representantes eleitos no congresso, nas câmaras
estaduais e municipais o representem em virtude de tão longínqua que a elite
política está da realidade do brasileiro. Assim, o brasileiro médio assiste
passivo e sem esboçar reação porque está apático quanto as reais alternativas
de sucessão de poder. O brasileiro médio rejeita o PSDB de Aécio, o PT de Lula
e Dilma, o PMDB de Temer, todos os comparsas e tudo mais que represente
corrupção. O brasileiro médio quer cuidar de sua família, deseja emprego, um
país sem inflação, um serviço público de saúde de qualidade e educação idem. O
brasileiro médio apenas espera respeito.
João Lago.
* Dedicado a Marcelo Perdigão.
sexta-feira, 16 de junho de 2017
terça-feira, 13 de junho de 2017
O pior da democracia
O melhor da democracia é o que
estamos vivenciando nesses quase quatro anos, quando as primeiras escutas das
conversas dos doleiros Carlos Chater e Alberto Youseff revelaram um esquema de
corrupção envolvendo o então diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto
Costa, que se constatou haver recebido como propina um Land Rover Evoque. Vale
a pena lembrar que em julho de 2013, época dos acontecimentos, o veículo
custava no mercado R$ 188.142,00, ou seja, um valor ínfimo quando comparado com
o total de R$ 88 milhões que Costa ao final de sua condenação predispõe-se a
devolver e totalmente insignificante quando comparado com os R$ 11,5 bilhões já
recuperados pela justiça somente na operação lava a jato. O melhor da
democracia é a independência dos poderes, a liberdade de expressão e de credo,
direito ao patrimônio, uma imprensa livre e todas as demais garantias
individuais previstas na Constituição de 1988. Não há outro sistema político e
de governo que seja melhor que o regime democrático de direito e como disse
Churchil, a democracia é um regime ruim, mas ainda não inventaram um que seja
melhor. Porém, o que haveria de tão ruim na democracia?
Toda obra do pensamento humano que
busque a pacificação das relações individuais e coletivas é imperfeita, por mais
que inicialmente o seu autor buscasse a perfeição. Isto significa dizer que
assim como um remédio cura, também apresenta efeitos colaterais e a humanidade
ainda não conseguiu produzir na ciência política uma teoria que se ajustasse de
maneira perfeita para sarar suas feridas sem deixar cicatrizes no tecido
social. Por exemplo, quando Max Weber em sua obra Economia e Sociedade
apresenta-nos a burocracia, o sociólogo alemão imaginava um sistema perfeito,
no qual tudo estaria previamente normatizado, descrito, conhecido e todos sem
exceção estariam sujeitos às regras impostas. Contudo, quando as empresas e
governos começaram a usar a burocracia como forma de pacificação social, logo
aparece o que alguns autores chamaram de “disfunções da burocracia”, ou seja,
efeitos que inicialmente não foram previstos, ou ignorados por Weber, dentre
eles: o particularismo, a satisfação de interesses pessoais, o excesso de
regras, a hierarquia e individualismo e o mecanicismo. Não vou me ater ao
academicismo e buscar explicar detalhadamente cada uma ou todas, mas como
iniciamos esta reflexão citando o poder judiciário, vamos utilizar a seguinte
situação hipotética. Imaginemos que uma chapa concorra à presidência de um país
caribenho utilizando-se de recursos de caixa dois desviados de propina de uma
grande estatal exportadora de bananas. Agora, em um exercício maior de
elucubração, imaginemos que a chapa que perdeu recorra ao judiciário alegando
uso de recursos ilícitos na campanha e peça impugnação da chapa vencedora. Porém,
nesse meio tempo, em um delírio maior, imaginemos que o titular da chapa
vencedora seja impedido e que assuma o vice que pertence a um partido
fisiologista que jamais fora protagonista, mas sempre atuando como uma rêmora
que se alimenta das sobras da boca do tubarão. Assim, o vice agora empossado
como presidente aproxima-se da chapa perdedora e a coloca para compor o seu
governo como no passado já havia sido feito em situação inversa. Para deixar isso
tudo mais fantasioso e fantástico, o vice empossado nomeia juízes para compor a
corte na qual o julgamento da impugnação da chapa ainda granjeia com o intuito
de sobrestá-la, mas ainda assim a impugnação da chapa vai a julgamento. Esse
país hipotético, apesar de bananeiro e pobre, é uma democracia, portanto a
imprensa livre e os cidadãos de bem pedem a saída do governante corrupto que
perdeu a moralidade necessária para presidir a nação, mas o vice ladino
recusa-se a deixar o poder e cobra dos juízes indicados por ele a retribuição
de suas nomeações e confia que sua aliança com o partido que compôs a chapa
perdedora, também envolvido nas tramoias de corrupção, o ajude para que as
tentativas de impedi-lo de continuar no cargo não sejam conduzidas a termo.
Assim, o vice mesmo sujo em seus próprios dejetos nauseabundos consegue que a
corte no julgamento ignore o caixa dois de propina recebido, alegando que a
propina recebida não pode ser anexada ao processo, haja vista que os fatos só
vieram à tona depois do recebimento da denúncia no judiciário.
Por mais que o exemplo seja
hipotético e fantasioso, convenhamos que a realidade muitas vezes corteje a
ficção e aqui serve para explicar algumas disfunções da burocracia. A primeira
delas é o “particularismo”, quando os juízes por convicção em defender o
interesse de quem os nomeou, retribuem e não incluem ao processo os fatos que
comprovam o ilícito ocorrido posteriormente a propositura de impugnação
entregue pela chapa que perdeu as eleições. A segunda disfunção, a “satisfação
de interesses pessoais”, quando o vice e os líderes dos partidos que integraram
a chapa perdedora movimentam-se para não dar prosseguimento à ação no
judiciário e no parlamento contra qualquer pedido de impedimento ao vice
empossado, pois sua eventual queda prejudicaria os interesses pessoais dos que
estão agora encastelados no poder. A terceira disfunção “excesso de regras”
quando os juízes mesmo a luz de fatos notórios e irrefutáveis de um crime, a
ignora alegando que aceitá-la, mesmo que razoável e crível, não atendem as
regras da lei. A quarta disfunção “hierarquia e individualismo” dá-se quando um
juiz, mesmo que não tenha recebido suborno, julga por sua vaidade e por
acreditar que tudo se trata de uma luta pelo poder e que o status quo é melhor do que antes e não será pior que o depois.
A democracia como invenção do
pensamento humano, assim como a burocracia, não é perfeita e nem está livre de
disfunções. Ao refletir quais as condições necessárias para que alguém possa
ter o seu nome incluso em uma cédula de votação, algumas características podem
ser elencadas: 1ª. Hereditariedade, pois são inúmeros os casos de verdadeiros
clãs que passam de pai para filho um lugar na política. 2ª. Ter notoriedade na
música, na dramaturgia, nos esportes ou em qualquer outra atividade que cause
admiração e seguidores. 3ª. Ser muito rico e que utilize o poder financeiro
para bancar uma campanha própria milionária ou comprar uma suplência e chegar a
ocupar uma vaga sem ter um voto sequer. 4ª. Iniciar no mundo político como
representante de associações, sindicatos, clubes de futebol e similares antes
de se lançar candidatura a um cargo público eletivo. 5ª. Ser convidado a
filiar-se a um partido para exercer um lugar de subserviência às ordens do dono
da legenda, não sendo necessário ter ideias ou ideais, mas somente a ambição
necessária para sujeitar-se a qualquer tipo de atividade (até mesmo a de
carregar malas de dinheiro) até que um dia, por sua fidelidade acima de
qualquer princípio ético, possa enfim ser indicado a qualquer coisa. 6ª. Não
ter qualquer talento, mas que tenha uma fama efêmera (por exemplo um ex-BBB, um
palhaço etc.) e reunir para si votos de protestos. 7ª. Filiar-se a um partido
por convicção ideológica e por meio da exposição de suas ideias inovadoras para
modificar a triste realidade vigente, possa ser indicado pela máquina
partidária para uma disputa eleitoral. Em todos esses sete casos citados, é
condição necessária para concorrer ao sufrágio universal estar filiado a um dos
35 partidos registrados na justiça eleitoral.
A disfunção que revela o que há
de pior na democracia tem raiz na representação política, ou na forma que são
escolhidos os nossos representantes. Esta reflexão aponta, embora um pouco
pessimista, que existe uma única via capaz de dar a pessoas de bem a
oportunidade de entrar para a política. Porém, embora sejam muitas as siglas
partidárias, não se pode dizer que todas possuem uma matriz ideológica e muitas
se comportam como legendas de aluguel de grupos que as tem como um feudo, cujos
vassalos orbitam em postos menores, mas jamais acendendo ao posto máximo
representativo. Basta relembrar quais foram os nomes lançados nos últimos
pleitos para qualquer eleição majoritária e verificar que os nomes se repetem e
quase não há o novo a ser apresentado. Parece claro que o sol não brilha para
todos da mesma maneira e que a política assemelhas-se a uma carreira
dispendiosa e inacessível para quem tenha que estudar, cuidar de uma família e
que não possa abdicar de trabalhar para ganhar o sustento. São poucos os que
possam ter a política como ofício, coisa que em tese nem é admirável, pois não
deveria ser uma profissão. No entanto, os últimos fatos demonstram que muito
além de ser um emprego rentável, hoje a política serve para o enriquecimento
rápido e fácil, ficando o desejo de servir ao bem comum como uma distante
retórica que somente aparece na propaganda eleitoral, logo esquecida.
O melhor da democracia é a liberdade de
expressão garantida na Constituição Federal que nos permite apontar o dedo para
o que existe de pior no regime democrático. No entanto, nada se modificará se o
cidadão não agregar qualidade a si mesmo e ao voto que elege a escória de
políticos hoje encastelados na estrutura de poder. Ninguém que não se sentisse
capaz de conhecer e entender a política não deveria ser obrigado a votar e
talvez a retirada do voto obrigatório pudesse conferir a política uma melhor
qualidade de escolha dos representantes. O pior da política é que estamos
vendo, mas ainda assim nada substituiu a liberdade do regime democrático que
possibilita a esperança que um dia tudo possa ser diferente.
João Lago
sábado, 20 de maio de 2017
Corrupção: A Besta do Apocalipse
Quem já não ouviu falar de uma
empresa nascida em uma garagem, no quarto de uma faculdade, ou no fundo de um quintal
transformar-se em uma corporação transnacional com faturamento na casa de
bilhões de dólares? Logo alguns nomes vêm a nossa mente: Microsoft, Amazon, Dell,
Apple, Google, todas essas relacionadas ao que se convencionou chamar de
empresas da nova economia que cresceram ofertando inovação tecnológica tendo
(ou não necessariamente) como plataforma de negócios a internet. Melhor
dizendo, empresas que exploram novas tecnologias buscando ofertar produtos e
serviços fora do ambiente de comércio tradicional (empresas da velha economia).
Não por acaso todas as
multinacionais citadas são estadunidenses e o crescimento dessas empresas está
relacionado com o mercado de capitais de alto nível existente na economia dos
EUA. Se não houvesse a possibilidade dessas empresas ainda raquíticas abrirem
capital para financiar o seu crescimento, muito provavelmente não teriam se agigantado
em tão pouco tempo, ou mesmo no berço teriam sido absorvidas por outras
corporações mais poderosas e capitalizadas. Isto significa que uma boa ideia
pode valer milhões quando investidores veem uma oportunidade de aumentar
capital comprando ações dessas empresas. Logicamente, o potencial de apostar em
uma boa ideia é justamente comprar ações dessas empresas ainda pequenas e ver o
valor investido crescer exponencialmente acompanhando o sucesso que os
produtos, ou serviços que as empresas obtém no mercado consumidor. Trata-se de
um investimento de alto risco, pois não há como ser clarividente e prever que
aquela firma de fundo de quintal um dia se tornará uma grande empresa. No
entanto, foi para privilegiar empresas desse porte que o mercado estadunidense
criou a Nasdaq, uma bolsa de valores destinada a pequenas e médias empresas
abrirem capital de uma maneira simples, rápida e mais barata se comparada à
famosa NYSE (bolsa de valores de Nova Iorque). A diferença básica entre uma e
outra é que a Nasdaq reúne empresas da nova economia, enquanto que a NYSE da
velha economia.
O Brasil possui um mercado de
capitais pouco desenvolvido e para isto basta comparar a quantidade de empresas
listadas no Ibovespa (bolsa de valores de São Paulo) que é de aproximadamente
390, enquanto que na NYSE está por volta de 2.800 empresas, sendo importante
ressaltar que não estão aqui
consideradas as empresas listadas na Nasdaq que é de aproximadamente
3.100. Essa diferença apenas reforça a ideia que uma pequena e média empresa no
Brasil não teria como atrair investidores e assim conseguir levantar o capital
necessário para o crescimento de suas operações sem depender de subsídios ou
linhas de crédito governamental. Ao lançar ações no mercado uma empresa
capitaliza-se e o risco do negócio, assim como os lucros, é dividido entre
todos os interessados. Assim, estritamente analisando como a JBS financiou sua
expansão, iniciada por Zé Mineiro, patriarca da família Batista a partir de um
pequeno açougue em Anápolis em 1953 até transformar-se na maior empresa do
mundo em processamento de proteína animal, verifica-se que até o final da
década de 90 a JBS (ainda chamada Friboi) cresceu com capital próprio a partir
de uma estratégia de diversificação de suas atividades, aquisições de frigoríficos
e com a exportação de carnes. Em 2007 com um faturamento de R$ 4 bilhões e já
sob as bênçãos do governo Lula, a JBS abre capital e quem compra as ações é o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES para que a JBS
possa partir para os seus planos de internacionalização por meio da compra de
vários frigoríficos ao redor do mundo. Porém, por meio da operação Bullish, que foi às ruas em 12 de maio, a
Polícia Federal (PF) investiga os aportes de R$ 8,1 bilhões concedidos pelo
BNDES que teriam gerado prejuízos de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos. É
verdade que havia suspeitas, a partir do escândalo de corrupção da Lava Jato,
da existência de uma caixa preta no BNDES (mais semelhante a uma caixa de
pandora) que quando fosse aberta traria desgraça e dor para corruptos
encastelados no poder, ou que dele participaram. Não somente para a JBS, mas o
BNDES irrigou de recursos públicos as empresas de Eike Batista e também
construtoras envolvidas na Lava Jato para obras fora do Brasil, entre elas o
porto de Mariel em Cuba financiada a fundo perdido, ou seja, sem a
contrapartida de pagamento pelo governo cubano. Está investigando-se ainda a
ponta do iceberg, pois dessa caixa ainda deve sair muita bandalheira.
Uma frase que já foi repetida à
exaustão é que está claro que não foi o PT que inventou a corrupção, mas se
pode dizer que nunca na história desse país o cinismo parece uma virtude
estampada na cara dessa gente e basta ouvir o discurso dos denunciados jurando
inocência e que irá prová-la na justiça, com desculpas esdrúxulas de atos que
de alguma forma foram construídos com o contado direto com os governos Lula e Dilma.
A JBS, as empresas de Eike Batista, OAS, Odebrecht e tantas outras que caíram
corrompendo, ou foram corrompidas de forma sistematizada e indiscriminada
durante os treze anos de governo petista. Pode-se perguntar: mas quem se
ofereceu primeiro? Será que isso realmente é relevante, ou será apenas uma
forma dos corruptos, ao melhor estilo do cinismo do jardim do Éden, nada
assumirem e colocarem a culpa de seus pecados no outrem.
Suspeitava-se que os irmãos
Joesley e Wesley não fossem esses gênios dos negócios, mas até pouco tempo eram
festejados como empreendedores de sucesso, com direito a possuírem apartamento
na 5ª Avenida em Nova Iorque, cujo metro quadrado gira em torno de USD 28 mil,
ou seja, um apartamento de 100 metros quadrados não sai por menos de R$ 9 milhões.
Eike Batista também passeou nessa seara e chegou a ser considerado o homem mais
rico do Brasil e viu sua fortuna evaporar na mesma velocidade que foi
construída, também por meio de ações vendidas na bolsa de valores. Por ironia Eike,
Joesley e Wesley possuem o mesmo sobrenome: Batista, mas não pertencem a mesma
família, ou carregando na ironia pertencem sim a uma “famiglia” ao melhor estilo dos mafiosos sicilianos cujo “capo di tutti capi”
considera-se o homem mais honesto do Brasil e ainda mais honesto que o papa.
Espera-se que o processo de
limpeza na política promovida pelo judiciário não tenha retorno, pois o custo
Brasil que tanto onera empresas e o cidadão comum passa pelo imenso pedágio da
corrupção.
João Lago.
domingo, 7 de maio de 2017
O pai de todas as mentiras.
Uma
frase bem batida quando se fala de mentirosos é aquela que diz: “uma mentira
repetida mil vezes torna-se verdade”. Atribui-se a Joseph Goebbels, ministro de
propaganda de Adolf Hitler, que durante o nazismo construía a imagem de um mito
que a história demonstrou ser um tirano com necessidades imperiais de poder. Nos
estados totalitários, nos quais a democracia é considerada uma perversão
social, existe a necessidade imediata de construir mitos, elevando ao estado de
semideus o líder carismático, pois a partir dele alicerça-se a convicção que
todos os demais contrários as suas ideias são os inimigos do povo.
Lula
da Silva é sem dúvida um líder carismático para aqueles que o seguem e devido
ao seu destaque na cena política e criminal contemporânea tem os holofotes e
microfones voltados para si. Embora eu acredite que muitas das atuais declarações
de Lula são motivadas para manter vivo o mito de pés de barro que a lava jato
ameaça derrubar e levar para o esgoto da história. Lula apoia-se no fato de que
não há como ter certeza plena que ele foi o comandante do esquema criminoso de
corrupção na Petrobras, assim como também não há a convicção absoluta que não
tenha sido. Assim, apesar de avolumarem-se os indícios de sua participação como
patrocinador e beneficiário do esquema bilionário de corrupção, a estratégia é
negar sempre e desacreditar aqueles que o acusam atribuindo-lhes o desespero de
condenados em busca de um acordo com a justiça que faça diminuir-lhes os anos
de prisão.
É bem
verdade que os acordos de colaboração com a justiça devem vir acompanhados de
provas que sustentem uma acusação e devem ser homologadas pela justiça. Assim,
não basta somente a denúncia vazia. Portanto, quando se tem notícia que uma colaboração
tenha sido homologada tem-se a presunção que provas foram apresentadas e
aceitas como pertinentes para levar a condenação do ilícito, mas dando ao
acusado todo o direito ao contraditório, ou na linguagem fora do jurudiquês:
que possa apresentar sua versão para os fatos e defender-se. Entretanto, mesmo
quando homologadas pela justiça e o acusado vem a público desacreditar o acordo
firmado, não somente desmerece o seu acusador, mas também os promotores e o
juiz que o ratificou. Cria-se uma teoria da conspiração na qual os aparelhos
democráticos (incluindo a imprensa livre) estão mancomunados em uma perfídia
política que visa suprimir o salvador da pátria. O mais obsceno é a versão,
encampada por todos os que os seguem cegamente, que existe somente uma solução
viável para o Brasil: Eles. É justamente neste aspecto que o maior mal que o
Lula e o PT fizeram ao Brasil foi destruírem a esperança e a credibilidade que
a esquerda possuía como porta-voz dos avanços sociais, principalmente quando
veio à tona a lava jato e os partidos ditos de esquerda continuaram alinhados
com o PT e afundaram sua credibilidade junto com o lulismo.
Neste
vácuo de credibilidade é que uma greve geral nasceu fracassada, pois muitos
daqueles que poderiam ir às ruas para criticar as reformas trabalhistas e
previdenciárias preferiam não se imiscuírem com as bandeiras vermelhas para
gritarem “volta Lula”, porque existe um medo latente da impunidade para o líder
maior da bandalheira e que sua volta ao poder signifique um retrocesso na
democracia, porque está claro para os lulistas que a solução para sua
manutenção no poder passa pela supressão da imprensa e por meio do aparelhamento
do judiciário, tal como hoje ocorre na Venezuela. No entanto, a lava jato
continua e escancara a corrupção no congresso nacional e em governadores que
tiveram intimidade com o poder e deixa claro que a renovação é necessária para
que seja fundada uma nova república. O povo brasileiro não merece mais ser
governado e representado por todos esses que estão no olho do furacão.
Independentemente
dos acontecimentos presentes na crônica policial, faz-se necessário que aqueles
que foram as ruas pedir fora Dilma e cadeia para o Lula, possam inteirar-se e
refletir acerca das mudanças propostas nas aposentadorias e nas relações de
trabalho que afetam o agora e o futuro de todos os trabalhadores. Essa estória
que a mudança será para melhor deve merecer nossa desconfiança, pois assim como
houve a imposição da CPMF para solução do custeio da saúde no Brasil e no final
nada mudou, assim podemos ter uma repetição de uma política inócua, mas bem
mais perniciosa na medida em que seus efeitos perpetuar-se-ão por décadas a
fio.
Infelizmente
a decisão sobre importantes matérias que afetam os trabalhadores hoje está na
mão de um congresso nacional corrompido, desacreditado e sem uma agremiação
política que os represente. Uma esquerda vazia, desacreditada e corrompida,
essa é a verdadeira herança maldita deixada por Lula, Dilma e o PT.
João
Lago.
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