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terça-feira, 8 de março de 2016

POR QUE PASSAM AS HORAS....


Pintura "Persistência da Memória" de Salvador Dali

Por que passam as horas? E tudo parece igual. 

Tudo tão singular como o bater do relógio. 

Barulho surdo, intimidador como vento soprando na janela anunciando temporal. 

Mas a chuva não vem e a terra seca também implora mudança. 

Porém, nem mesmo a queda das folhas das árvores anunciam mudança de estação, porque simplesmente ainda é verão e roseiral no quintal perde o viço, porque ainda não é tempo de florescer. 

Olho ao redor e só encontro o silêncio surdo de meus próprios pensamentos.

 Joao Lago

O caminhar de uma mulher

Parei para olhar teus passos decididos
Porque caminhas com extrema altivez
E não te deténs em dúvidas e talvez
Pois não há espaço para tempo perdido

Uma vez quando menina a fragilidade
Adolescente descobriu o assédio
Violência sem qualquer remédio
Uma afronta certa a tua tenra idade

Não olhas sequer para o que há a frente
Embora o tempo se mova como inimigo
Quais dúvidas há de carregar consigo
No passado, no futuro e no presente

A maternidade, o trabalho e o teu lar
Uma tríade repleta de incompatibilidade
Dedicação ao estudo que não pode faltar

Mas teus passos carregam o poder
E os teus passos mansos a dignidade
Porque assim que há de sempre ser

João Lago

quinta-feira, 3 de março de 2016

Memórias de ensaios - Parte 1

Já faz mais de dez anos que escrevo reflexões sobre inquietações que me tocam e por isso tenho a necessidade de colocá-las em um texto.

Inicialmente, em meados dos anos 2000, quando a rede social Orkut ainda engatinhava e era praticamente desconhecida no Brasil, eu mantinha contato com os meus amigos distantes por meio de resenhas enviadas regularmente por e-mail.

A que segue é uma delas, escrita enquanto morava em Brasília e estava todo envolvido com a pesquisa do mestrado, o que explica o interesse pelo tema.



Brasília, 11 de novembro de 2005.

Amigos pesquisadores,

Detesto andar de avião, principalmente em vôos curtos quando inexoravelmente o bólido não alcança altura de cruzeiro, pois logo ali tem que descer. Fui premiado com isto, numa viagem a trabalho de Brasília a Goiânia (20 minutos de puro êxtase às avessas), mas já passei por situações piores (Viracopos x Congonhas é um exemplo disto). Entretanto, como se tem que relaxar quando o desagradável acontece, peguei a revista de bordo da GOL nº. 43 (sim, fui bem apertado de GOL) em sua página 84, onde Luiz Alberto Marinho (especialista em marketing) faz o questionamento que é o assunto desta mensagem (reportagem anexa).

O especialista Marinho faz um "apud" no trecho de uma entrevista publica na revista americana Advertising Age de 8.11.2005 das palavras de Malcolm Gladwell, autor de ``The Tipping Point'' e ``Blink", que segundo interpretação de Marinho, põe em dúvida a eficácia do grupo focal (ou grupo de foco, ou "focus groups") como fonte primária para pesquisas de marketing, citando o trecho da palestra que aborda a escolha de um quadro de forma silenciosa e espontânea que perdura, da outra que é feita quando se tem que justificar a escolha que é descartada com o tempo. Concluindo nas palavras de Marinho: "muitas vezes o consumidor está apenas repetindo aquilo que se espera que ele diga".

Quando cheguei a Brasília, olhei para a prateleira onde estão os livro do Malhotra(1) , do Mattar(2) e até do Hair(3) e pensei arremessá-los pela janela do quarto, pois que me valeria estudar os métodos de pesquisa de marketing se não poderia contar com a coleta de dados primários que o grupo focal proporciona.

Não gosto de "apud", então resolvi que deveria ir atrás dessa reportagem publicada na Advertising Age e ler na integra o teor desse discurso que estaria por revolucionar e respingar feito orégano em pizza na boca daqueles que assim como eu leram a revista da GOL e assim
reproduzir: "Focus group acabou! Existem várias pesquisas que provam isto!".

Felizmente não é bem assim. Principalmente porque estamos tratando de outra cultura, outra língua, em que o próprio Malcolm Gladwell adverte que o viés existe justamente porque falta vocabulário que possa exprimir a real percepção quando se é chamado a relatá-la. Ou seja, no exemplo citado pelo Marinho, faltou explicar que a escolha era entre um quadro impressionista e um quadro de gatos.

Para o americano médio, talvez seja mais fácil dizer porque gosta de um angorá peludo do que "Campos de Trigo com Corvos" de Van Gogh.
Agora cá para nós latinos, sinceramente escolher uma foto de um gato é deveras estranho. Sem qualquer pecha de preconceito, gostar de gato e criar gatos esta para o "macho latino" brasileiro que vai a um jogo de beisebol, assim como ir assistir a um "soccer" está para o "macho"
norte americano (onde lá o nosso futebol é popular entre as mulheres).

Quanto a mim, sairia muito satisfeito com quadros de Van Gogh, Monet, Renoir, Degas ou Gauguin do que com uma coleção de felinos caseiros e saberia sim contextualizar muito bem minha escolha. Acredito que independentemente se gostas de gato ou de pinturas impressionistas também saberias explicar tua escolha, senão não teria enviado para ti esta mensagem.

Não gosto de "apuds" e cada vez me convenço que é sempre melhor, por mais "especialista" que seja a fonte do apud, pesquisar e "beber na fonte". Tanto que no momento estou me convencendo a comprar o livro de Malcolm Gladwell, "Blink", ou aceitá-lo como presente do Papai Noel.

Um grande abraço.

João Lago



quarta-feira, 2 de março de 2016

Chegaste

Chegaste como uma ensolarada alvorada
Que ilumina e aquece o final de uma noite fria
Trazendo as cores das flores a dizer bom dia
Apontando a direção dessa longa estrada

Chegaste forte tal como chuva de verão
A desvanecer o olhar triste no horizonte
Transformando horas em único instante
O chegado tempo de arrefecer desilusão

Por que enfim tardaste tanto a chegar?
São não eram alegres os meus dias
Se há muito se foram minhas alegrias
E nem sabia qual rumo iria tomar

Mas enfim chegaste e me olhas hesitante
Muito além do lugar que me encontro
Alheia ao poder de teu doce encanto
Dominas meu pensamento distante

Talvez porque não fosse a hora de chegar?
Quem poderá dizer se agora é o tempo
De levantar a cabeça e finalmente caminhar

Pois não há partida se um rumo a tomar
e não há rumo sem lugar de chegar
E eu me encontro aqui
Sempre aqui.








segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A descoberta de nosso medo interior



Certa vez um colega de trabalho nos anos 90, que depois se transformou em um grande amigo, apareceu com uma tipoia no braço direito e tudo fazia com a mão esquerda. Perguntei-lhe o que havia acontecido ao que me respondeu: “nada, apenas resolvi que devo ensaiar fazer tudo com a mão esquerda, pois não sei se um dia isso poderá ser útil para alguma coisa”.

Relembrado essa excentricidade recordei minha adolescência e o grande amor que tinha pelo meu falecido avô, que pela ausência física de meu pai, devido à separação precoce de minha mãe, tornou-se a referência paterna que tenho para mim. Homem íntegro, honesto e grande admirador das letras, apesar de seu pouco estudo, sempre se valia de estar próximo a gente mais inteligente do que ele. João Pinheiro, meu avô, tinha um bordão repetido à exaustão: “quem não estuda, fica para puxar carroça”. Lembro-me que vendo os cabelos grisalhos de meu avô e a saúde abalada pelos anos de tabagismo, aos poucos ia construindo a ideia que não o teria para sempre e isso me trazia uma profunda angústia que não compartilhava com ninguém. Guardava esse sentimento para mim, e a cada demora sua em voltar para casa, pois todos os dias ele saía para cumprir compromissos não declarados, pensamentos ruins povoavam a minha mente, sendo que dia após dia sentia que o matava inconscientemente, antevendo a sua ausência inexorável. Quando finalmente chegou o dia tão temido de sua morte, não consegui chorar. Lembro que via tudo com extrema passividade, como se estivesse em uma letárgica e mórbida nostalgia de sentimentos já vividos. Para quem gosta de galicismos: um déjà vu. Porém, passados três dias, quando senti a solidão de sua ausência não consegui segurar as lágrimas e chorei copiosamente.

O aforismo grego “conhece a ti mesmo”, cuja inscrição encontrava-se na entrada do templo de Delfos, construído em honra a Apolo, o deus grego do sol, da beleza e da harmonia, tem ramificações no pensamento socrático e nos ensinamento da Arte da Guerra de Sun Tzu, general estrategista e filósofo chinês. Sun Tzu escreveu: “Conheces o teu inimigo e conheces a ti mesmo, pois se tiveres que travar cem combates, cem vezes saíra vitorioso. Se ignoras o teu inimigo e conheces a ti mesmo, tuas chances de ganhar ou perder serão idênticas, mas se ignoras ao mesmo tempo teu inimigo e a ti mesmo, só acumularás derrotas”. Quando Sócrates nasceu (469 a.C.) Sun Tzu tinha setenta e sete anos e embora contemporâneos, é pouco provável (por motivos óbvios) que tenha havido troca de informações entre os dois filósofos. Todavia, enquanto Sócrates via o mundo como um campo fértil de conhecimentos que não se esgotam para construção de indivíduo melhor, Sun Tzu voltava seus ensinamentos filosóficos para finalidades bélicas. Porém, ambos mantêm o princípio da necessidade da compreensão do universo a partir do autoconhecimento, compreendendo nossas forças e fraquezas para enfrentar o mundo.

Por mais que ensejamos nos preparar para qualquer tipo de infortúnio, uma coisa é vivenciá-lo na teoria, outra é viver a sua prática. Poderia ser a perda ou paralisia de um membro, o fim de um relacionamento, ou a morte de alguém amado, mas jamais estaremos suficientemente preparados para enfrentar a dor de um sofrimento. Contudo, quando internamente buscamos construir anticorpos para enfrentar um mal que poderá nos assolar, seja por meio da racionalização de nossas atitudes para passar pela dor, ou pela busca de compensações que nos deixe menos tristes, ao invés de um processo agudo de melancolia, certamente viveremos uma febre passageira.

Nosso maior inimigo somos nós mesmos, que impregnado de vícios e fraquezas muitas vezes somos incapazes de agir de forma profilática e caímos em armadilhas nas quais é impossível evitar a dor por acreditar que sejamos imunes a tais acontecimentos. Quando isto acontece é porque ignoramos que a maior batalha é aquela que travamos internamente, contra o nosso próprio eu que não consegue situar-se face às mudanças que ocorrem ao nosso redor. Uma espécie de cegueira, ou negação de nossos próprios temores.

Não existe uma fórmula mágica para se evitar o sofrimento, mas conhecer a si próprio, numerar e pontuar o que pode abalar sua estrutura emocional para a vida e para o trabalho é um caminho que pode ser seguido.

João Lago.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Campanha: Thainá precisa respirar

Atualizamos demonstrativo das doações recebidas ate esta data.

- Doação inicial Amipaz...................................................................... R$ 100,00
- Sra. Eleonora Ramos......................................................................... R$ 100,00
- Prof. Roberto Luiz Abtibol Porto...................................................... R$   50,00
- Sr. Anderson Martins.........................................................................R$ 200,00
- Sr. Roberto Marinho Zica..................................................................R$ 100,00
- Sr. Ranulfo Costa..............................................................................R$ 100,00
- Sr. Antônio Bueno.............................................................................R$ 100,00

Total arrecadado até 12/2/2016............................................................. R$ 750,00

Meta da campanha............................................................................... R$ 780,00

Faltando arrecadar................................................................................ R$ 30,00

Estamos próximo do valor final de meta e podemos considerar felizes pelas manifestações solidárias recebidas.

AMIPAZ - MANAUS

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Campanha: Thainá precisa respirar

Atualizamos demonstrativo das doações recebidas ate esta data.

- Doação inicial Amipaz...................................................................... R$ 100,00
- Sra. Eleonora Ramos......................................................................... R$ 100,00
- Prof. Roberto Luiz Abtibol Porto...................................................... R$   50,00
- Sr. Anderson Martins.........................................................................R$ 200,00




Total arrecadado até 8/2/2016............................................................. R$ 450,00

Meta da campanha............................................................................... R$ 780,00

Faltando arrecadar................................................................................ R$ 330,00

Ainda não chegamos a metade do valor, mas para os primeiros dias desta campanha iniciada em pleno carnaval, podemos considerar felizes pelas manifestações solidárias recebidas.

AMIPAZ - MANAUS


THAINÁ PRECISA RESPIRAR.



Thainá Medeiros é uma adolescente franzina de 15 anos de 1,49 metros de altura que desde bebê está aos cuidados de sua avó, a professora aposentada e costureira Raimunda . A família é composta de seis pessoas e vive em Rio Preto da Eva - AM, cidade distante a 77 km de Manaus. Raimunda pertence a comunidade católica de São Pedro em sua cidade na qual participa ativamente.
Thainá Medeiros
Desde tenra idade Thainá apresenta problemas respiratórios decorrentes de uma asma e com eventuais sangramentos no nariz. Porém, devido às crises constantes, sua avó Raimunda procurou diagnóstico para o agravamento do quadro respiratório e recentemente foi descoberto, por meio de radiografias, um desvio de septo severo que segundo análise preliminar pode ter sido decorrente de uma queda quando Thainá ainda era criança.
Este que aqui escreve tem leve desvio de septo e desde criança convive com rinite alérgica e, mais recentemente, adquiriu uma asma que somente é acionada nas crises alérgicas decorrentes de fatores ambientais críticos (mofo, fumaça, frio intenso etc.). Portanto, quem sabe o que é buscar ar para respirar e não conseguir sabe perfeitamente a angústia que é viver essas crises. Posso considerar-me feliz porque tenho acompanhamento médico preventivo e plano de saúde que me permite viver com qualidade de vida, mas quando me coloco no lugar de Thainá que somente tem o SUS e as longas filas de espera para conseguir marcar um único exame médico e com problemas respiratórios muito mais graves que o meu, sinto-me extremamente compadecido.
Radiografia de face
Radiografia de face
Thainá precisa fazer uma ultrassonografia que custa R$ 780,00 (setecentos e oitenta reais) como exame preliminar para avaliação de um procedimento cirúrgico para correção do desvio de septo severo. Estamos ajudando essa família com uma doação inicial de R$ 100,00 (cem reais) e estamos lançando esta campanha entre amigos solidários para conseguir arrecadar os demais R$ 680,00 (seiscentos e oitenta reais).

A família de Raimunda vive de sua aposentadoria e costuras, não possuindo recursos suficientes para arcar com esse exame, levando em consideração que Thainá também precisa de medicamentos que a ajudam nos momentos de crise asmática e boa parte da renda familiar está comprometida com remédios. Aliado a isto, Raimunda também sofre de artrite e também precisa e tem gastos com medicamentos.
Sra. Raimunda, avó de Thainá
Sabemos que neste início de ano a situação é difícil para as famílias (IPVA, IPTU, matrícula e material escolar etc.) o que dificulta mais ainda solicitar ajuda material. Porém, caso você queira ajudar Thainá, seja com qual valor for, entre em contato conosco para indicações de conta para depósito.
Que Deus te abençoe.
João Lago.