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quarta-feira, 3 de julho de 2013

O QUANTO CUSTA O VISUAL DA PRESIDENTA DILMA

Dilma resolveu não ir a final da Copa das Confederações que aconteceu nesse domingo (30/6). Na verdade, talvez pelo receio de receber novas vaias, como aquelas recebidas em pleno Maracanã lotado na abertura do torneio. Ao agir assim, Dilma economizou aos cofres públicos a quantia de R$ 3.125,00, que é quanto custa arrumar o cabelo da “presidenta”(sic) para ficar bem na foto em eventos e entrevistas, conforme reportagem de Fernanda Coutinho (correspondente da Folhapress). Sim, arrumar as madeixas presidenciais custa o equivalente à 80 horas mensais que este professor recebe de trabalho em sala de aula. Ao ler essa notícia fiquei com vontade de trocar meus títulos acadêmicos de pós-graduação por um diploma de cabeleireiro do Senac. No entanto, antes de colocar as mãos na tesoura, resolvi fazer uma pesquisa, aqui mesmo em meu bairro, para saber o quanto se paga em uma seção de hidratação, corte e escova em um cabelo feminino. O serviço ficaria entre R$ 250,00 a R$ 400,00, a depender do dia da semana, ou mesmo da localização do salão de beleza. Portanto, receber o equivalente ao que paga a “presidenta”, não é para qualquer cabeleireiro, sendo bizarro imaginar que uma ex-guerrilheira socialista, que um dia na juventude sonhou com a ditadura proletária, paga em maquiagem e corte de cabelo o equivalente à dez meses do teto máximo do benefício do bolsa família, o principal cartão eleitoral de seu governo.


Quando li essa reportagem do corte presidencial publicada em um jornal de Manaus, imediatamente pensei o quanto o poder interfere na sensibilidade do governante em entender o mundinho pequeno das necessidades ordinárias de seus governados. Lembrei da frase atribuída à rainha da França, que reza a lenda, devido as más colheitas de 1789, Maria Antonieta perguntou durante um passeio por que o povo das ruas parecia tão desgraçado. O cocheiro prontamente respondeu: "Majestade, não há pão para comer", ao que Maria Antonieta respondeu: "Se não têm pão, que comam brioches". Historiadores divergem da veracidade do fato, mas tal episódio de insensibilidade, mentira ou não, foi utilizado no mesmo ano como símbolo da revolta nas ruas que levaram à revolução francesa.


Das monarquias que ainda existem no Século 21, a mais poderosa é a inglesa, uma potência econômica e militar. No entanto, apesar de representar uma nação rica, os jornais ingleses em maio divulgaram uma foto da rainha Elizabeth, calçando saltos altos, luvas e chapéu, que ao lado de seu marido descia de um ônibus de transporte público. Pois é, a rainha pegou o busão em Cambridge para uma visita ao Laboratório de Biologia Molecular (LMB, em inglês), um centro de pesquisa fundado em 1947 que ao longo de sua história produziu avanços científicos laureados com nove prêmios nobel. A visita da rainha foi para inaugurar um novo prédio na universidade de Cambridge, no qual 600 cientistas poderão desenvolver novas pesquisas com maior conforto em modernas instalações, em um investimento de £ 212 milhões de libras, ou R$ 719,5 milhões em moeda brasileira. O que os ingleses investiram em um laboratório de pesquisas é o equivalente que custou a reforma do Maracanã, palco da final da Copa das Confederações que Dilma recusou-se a ir por medo do vexame das vaias.


Morei em Brasília em duas oportunidades e de cadeira posso dizer como é péssimo o serviço de transporte público do Distrito Federal, palco das manifestações mais violentas registradas recentemente no país. Andei em ônibus apinhados de gente, em vans lotadas acima de sua capacidade e em pé, que não deveria ser permitido nesse tipo de transporte. Posso dizer que encontrar um deputado federal, um senador, ou qualquer outro que ocupe cargo político circulando em transporte público em Brasília seria digno de uma pintura de Salvador Dali. Muito embora, duvido que esse surrealismo também seja visto em qualquer outra capital do país (exceto em época de campanha).


Não espero que Dilma deixe o carro oficial e um dia siga do Alvorada para o Palácio do Planalto de ônibus. Também perdi a esperança que este governo do PT invista na melhoria da qualidade da pesquisa nas Universidades brasileiras, pois sua grande contribuição para a educação brasileira, a política de cotas, já começou a produzir resultados de mediocrização dos bancos escolares. Nesta semana tomei conhecimento do relato de uma professora da Universidade Federal do Amazonas, em um primeiro dia de aula de alunos egressos da escola pública vindos pelo Enem. Não vou entrar em detalhes para não comprometer a colega, mas posso dizer que a pontuação mínima para passar no curso é de 120, mas existia uma maioria vinda das cotas com pontuação entre 70 e 90. Qual a consequência prática disto? Ora, um déficit de conhecimento que deveria ter sido suprido no ensino fundamental e médio, que resulta em alunos com grande dificuldade em redação e em cálculos matemáticos relativamente simples. Como a colega professora leciona em faculdade de ciências humanas, o cerne do problema era a língua portuguesa, na qual os alunos apresentavam uma redação comparável aos alunos 9o. ano do ensino fundamental. Em relação a matemática, imediatamente lembrei-me da história de um colega da área de exatas que recebeu um aluno irado com a nota recebida em uma prova, reclamando que o professor não havia ensinado como um problema matemático deveria ser resolvido, alegando incompetência e desonestidade do professor para com o conteúdo ministrado em sala de aula. O professor pegou a prova do aluno, verificou qual a complexidade do problema e pacientemente virou-se para o aluno e disse:


  • Meu filho, a resolução do problema é por dedução em uma equação de segundo grau, que você esqueceu lá no ensino médio.


Decididamente, a continuar esses desatinos demagógicos na educação brasileira, um prêmio Nobel para o Brasil não acontecerá ainda neste Século. Acho que as manifestações das ruas deram o recado que o cidadão não somente se satisfaz com títulos em copa do mundo, e que isso já não é suficiente para fazer rir o povo brasileiro.

João Lago
Administrador, professor e morador do Conjunto Santos Dumont

A procura de uma liderança para as vozes das ruas

No início da semana passada, aqui mesmo nesta coluna, escrevi que a multidão que estava nas ruas era representante da classe média. Depois disto, com o acirramento das manifestações pipocando em várias capitais e cidades do País, outros também afirmaram que a “cara da multidão” era da classe média. Não quero aqui colher louros pelo esclarecimento do óbvio, mas colocar minha preocupação a respeito da caça de eleger-se uma liderança para este movimento. A imprensa de modo geral mostra-se ávida por encontrar alguém, sem efetivamente encontrar alguma consistência em representatividade, que possa catalisar todos os anseios e reivindicações estampadas nas faixas e cartazes das ruas.

Em um primeiro momento apareceu um grupo de São Paulo chamado “Passe Livre”, cuja pauta de reivindicações teve o mérito, como escrevi, de ser o estopim da insatisfação popular com o aumento das tarifas públicas, em especial a de transporte urbano, cujo problema não afeta somente aquela capital, mas se reflete em todo o país. A pergunta é: Por que pagar mais por um serviço que prima por ser péssimo e indigno? Do mesmo modo, vimos a imprensa internacional destacar que o brasileiro tinha despertado para o fato dos altos impostos que paga em contraposição aos péssimos serviços públicos, como saúde e educação. O culpado disto tem um nome: Corrupção.

O movimento Passe Livre, nem qualquer outro que a imprensa busque eleger, será aceito como porta-voz dessa multidão que foi às ruas mostrar sua indignação contra a carestia de vida que afeta a classe média, assim como quer essa multidão solução para as outras mazelas já citadas. Antes de dizer o porquê da dificuldade de se eleger uma liderança para as manifestações, vou destacar porque a classe média saiu às ruas e qual sua motivação.

Não é o preço da farinha, nem tão pouco o do tomate, que doi no bolso de uma populaça de faixa de renda entre R$ 7.475 e R$ 50.000, considerada pelo IPEA como sendo a classe média tradicional que representa 11,2% da população brasileira. No entanto, são as famílias mais próximas a ponta inferior dessa faixa de renda que sofrem de forma mais contundente com aquilo que se chama de “inflação de serviços”.

Enquanto que as famílias com renda inferior a R$ 7.475 são mais penalizadas com os aumentos de produtos de primeira necessidade, as famílias da classe média tradicional sofre com o aumento dos serviços em geral, como a mensalidade da escola particular, dos cursos de idiomas, do plano de saúde, do cabeleireiro, do aluguel, dos encargos trabalhistas das empregas domésticas, dos impostos em geral (IPVA, IPTU, Imposto de Renda etc.) que sobem muito acima daqueles indicadores da inflação brasileira. Por exemplo, o Índice de Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE), que citei em minha última resenha, compõe apenas 20% de seu índice com o aumento dos serviços, ficando 80% pela variação dos produtos de cesta básica. Assim, enquanto os índices de inflação ficaram em 35% nos últimos 5 anos, a inflação sobre os serviços foi de 45%. E quem são as pessoas que integram essa classe média? A resposta é relativamente simples: Médicos, advogados, engenheiros, professores universitários, empresários donos de médias empresas, funcionários públicos de médio e alto escalão, executivos de grandes empresas privadas dentre outros.

Os rostos imberbes e com acnes da puberdade são o que mais se destacam na multidão pela beleza que carrega a juventude, mas não será esta a cara da liderança que terá este movimento. O primeiro problema é a aversão que se instalou no meio da multidão contra a presença de partidos políticos, ou mesmo de políticos na passeata. Não que eu acredite que as bandeiras vermelhas que foram tomadas, rasgadas e queimadas venham ao encontro dos anseios que deseja a classe média tradicional. Pelo contrário, existe um sentimento refratário que não combina a ideologia socialista com os valores dessa classe média e foram bem vindos os gritos de “oportunistas” que ecoaram na multidão.
Por outro lado, o movimento das Diretas Já e o do impeachment do presidente Collor de Mello tiveram o apoio dessa mesma classe média, mas ambas capitaneadas por uma liderança política que conduziu a termo os anseios populares. Reveja as imagens dessa época e não faltarão nos palanques figuras políticas. Nas Diretas Já como não destacar Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Franco Montoro, Dante de Oliveira e Mário Covas todos já falecidos. Alguns continuam vivos como o próprio Lula, Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Suplicy, Roberto Freire, Pedro Simon dentre outros.

No caso de Collor de Mello a Associação Brasileira de Imprensa, liderada por Barbosa Lima Sobrinho, e a Ordem dos Advogados do Brasil, presidida por Marcello Laveniére, apresentam à Câmara Federal o pedido de impeachment do presidente. Assim, a Câmara referendou o impedimento de Collor com 441 votos a favor e 33 contra, e o Senado ratificou a perda de mandato de Collor por 76 votos a favor e 3 contra. As vozes das ruas em ambos os casos tiveram ressonância na classe política.

Hoje não vemos uma pauta que seja apresentada, a partir do que se viu estampado nas faixas e cartazes das ruas, assim como nenhum documento foi redigido por uma entidade de classe que resuma essas reivindicações. Pelo contrário, os portais na internet dão destaque a OAB condenando a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, presidida por Marcos Feliciano, no que se refere a proposta que permite que psicólogos tratem quem se sinta em conflito com sua sexualidade, no que parcela da imprensa chamou tendenciosamente de “cura gay”. Parece que a OAB e parte da imprensa mais se preocupam em garantir o gozo individual de uma parcela da população, ao invés de registrar o que pensa a maioria brasileira sobre a corrupção, altos impostos e os péssimos serviços públicos. Do mesmo modo, vejo atônito Douglas Belome, uma liderança do Movimento Passe Livre, dizer que não haveria mais convocação de novas manifestações porque o objetivo do movimento já havia sido conquistado. Decididamente deste mato não sairá coelho.

A resposta em mudanças que clamam as vozes das ruas deverá passar pela política, sendo uma imaturidade, para não dizer imbecilidade, acreditar que se possa obter algum ganho palpável sem o apoio de parcela da Câmara, da colaboração de parte do Senado e da força das entidades de classes. A falta desta representatividade, ou deste apoio, faz com que Renan Calheiros, um dos pivôs da insatisfação popular contra a política, por sua biografia política não ser condizente com a envergadura moral que necessita um presidente do senado, declarar que espera lideranças do movimento das ruas para conversar em seu gabinete, justamente enquanto a policia militar do Distrito Federal mandava balas de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral sobre os manifestantes defronte o Congresso Nacional. Não se enganem, esse escárnio vem da constatação que esse movimento é acéfalo e que não havendo o apeamento do movimento das ruas para a esfera política nada será resolvido.

Temos na Câmara Federal 513 deputados e no Senado 81 representantes e não acredito que todos sejam “picaretas”, mas ao mesmo tempo não se vê um grupo que diga que aceita as reivindicações das ruas e emitam um documento com propostas de mudança. Para começar, pedir a renúncia de Renan Calheiros, engavetar a PEC 37, retirar da Comissão de Justiça da Câmara os mensaleiros e pedir celeridade no julgamento dos fichas sujas que hoje ocupam cargos públicos.
Se isto não for feito, e a continuar esses movimentos nas ruas, abre-se um janela de oportunidade para que os inimigos da democracia ganhem força, pois podem dizer que agem com o aval da população.

João Lago
Administrador, professor e morador do Conjunto Santos Dumont

domingo, 30 de junho de 2013

Dia de São Pedro e São Paulo - Homília de 30 Junho 2013

EVANGELHO - Mt 16,13-19

Pedro e Paulo são considerados “colunas da Igreja”: Pedro recorda mais a instituição e Paulo, o carisma e a pastoral. Viveram inúmeras divergências. Porém, o amor a Cristo os uniu, bem como o desejo de testemunhar. Fortes no anúncio, foram corajosos até o fim.

Pedro vê em Jesus não um fruto de especulações, e nem de confusão na identidade do Mestre. Pedro passou por um processo de conversão, tendo como grande desafio: deixar de querer um Messias feito à nossa imagem e semelhança, para nos tornarmos discípulos à imagem e semelhança de Jesus: O Messias-servo.

Pedro é apresentado como a rocha da Igreja e Jesus confia a Pedro o serviço de governar a Igreja (as chaves e o poder de ligar e desligar, poder de decisão com ratificação divina). Jesus dá a Simão o nome de Pedro (rocha) que dará solidez à comunidade de Jesus.. Na bíblia, ser rocha é, antes de tudo, um atributo de Deus, o Rochedo de Israel (Dt 32,4). Ele recebe uma nomeação acompanhada de uma promessa: as portas do inferno não poderão nada contra a Igreja de Deus.

Jesus e os discípulos encontram-se em uma cidade pagã. Cesaréia de Filipe era uma espécie de periferia, longe do centro do poder politico, econômico e ideológico. Longe de tudo isso é que os discípulos poderão da uma resposta plena de quem e Jesus.

O episódio tem dois momentos: Jesus pergunta aos discípulos o que as pessoas dizem a respeito dele. A resposta revela a diversidade de opiniões (imagem distorcida de Jesus, Jesus triunfante, glorioso, guerreiro). O segundo momento, Jesus interpela aos discípulos, aqueles que tinham visto sua luta para implantar a novidade do Reino. A resposta de Pedro mostra quem é Jesus: o Messias(Cristo), o Filho do Deus vivo. Mateus tem a preocupação de apresentar Jesus como Emanuel (Deus conosco).

Reconhecer Jesus nessa dinâmica messiânica é se tornar um bem-aventurado, ou seja, assumir mediante o compromisso sua proposta. Reconhecer Jesus não é fruto de especulação ou de teorias, mas sim de vivenciar seu projeto. Pedro nos ensina a confessar que Jesus é o Messias, testemunhar que a salvação e a vida provêm de Deus.

LEITURA - Atos 12,1-11

Atos - Comunidade cristã que dá testemunho em meio aos conflitos e Deus torna-se solidário a ela.

A comunidade é perseguida pelo poder opressor de Herodes Agripa I, que fere de morte os lideres cristãos. Mata pelo jogo de interesse político. Assim, Pedro é colocado na cadeia pela terceira vez. Herodes com a intenção de apresentá-lo após a festa da Páscoa, e claro que o povo pediria a morte de Pedro. A Páscoa de Pedro corresponde a Páscoa de Jesus. O anjo libera Pedro da prisão, apesar de Herodes ter preparado um grande aparato repressivo (dezesseis soldados vigiando, Pedro amarrado com duas correntes, dois soldados amarrados às cordas de Pedro). Deus se manifesta solidário para com seus fiéis.

A libertação de Pedro expressa também uma missão especial na Igreja confiada a ele. Qual era a única forma de existência da comunidade perseguida? A oração fervorosa que subia constantemente a Deus e a confiança de que ele não abandona aos que lhe são fiel.

2 LEITURA - 2 Tm 4,6-8.17-18

O texto nos fala do “testamento de Paulo”. Ele está acorrentado prestes a morrer. Aproveita então para fazer uma revisão da sua vida, olhando para o passado e para o futuro. Para ele, tudo é graça de Deus. Seu sangue derramado, é interpretado como sacrifício expiatório? “já fui oferecido em libação”. A partida de Paulo é descrita como soltar as velas, permitindo o barco partir. A morte não como o fim, mas o inicio de uma nova viagem. Paulo tem consciência que o Senhor o levará para o Reino eterno. Pedro é como referência da unidade da Igreja. Já Paulo como o incansável missionário. Olhando para o Passado, tem consciência de ter cumprido sua missão: “combati um
bom combate, completei a corrida, conservei a fé”. Olhando para o futuro, tem a esperança de receber a coroa da justiça, que é símbolo da imortalidade, da vitoria, da alegria e recompensa confere aqueles que permanecem fieis. Abandonado por todos, Paulo tem sua única esperança em Jesus.

Nós, que nos declaramos cristãos, como vivemos o testemunho de Jesus em meio aos conflitos da nossa família, da nossa sociedade, e conflitos pessoais?

Pe. Gilson
Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Protestos contra tarifa de ônibus: O Inverno Brasileiro?

A imprensa mundial chamou de Primavera Árabe as manifestações que ocorreram (ou que ocorrem) nos países do Oriente Médio, contra os governos ditatoriais estabelecidos, como aquele que levou à guerra civil a Síria, de Bashar al Assad, cujo destino do conflito ainda é incerto. Mais recentemente, a Turquia, que é um país situado na fronteira da Europa com a Ásia, também enfrenta reiteradas manifestações contra o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, no poder desde 2002.

O estopim do conflito na Turquia foi a retirada de árvores no parque Gezi, na praça Taksim, em Istambul, a pretexto de realizar-se uma reforma urbanística no local. No entanto, ao meu juízo, às árvores de Taksim representam o símbolo do distanciamento dos valores que defende Recep Erdogan daqueles que são defendidos pela maioria da população turca. O governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento – AKP, ao qual Erdogan representa, é acusado de tentar impor valores islâmicos à população, contrariando a constituição federal turca que define um Estado laico.

Assim, essas manifestações também representam o medo que a população turca tem de um governo fundamentalista islâmico que busque implantar a sharia, a lei dos costumes religiosos muçulmanos. Em terras brasileiras, a polêmica é justamente o contrário, o governo apoiando um laicismo pró-aborto e casamento gay que agride a cultura cristã e os valores tradicionais da família, mas que não tiveram força suficiente para unir a opinião pública em manifestações contrárias em todo o País.

No Brasil, acredito que as manifestações em várias capitais contra o aumento da tarifa dos ônibus não se encerra somente nesta causa. Evidentemente, o precário sistema de transporte público no Brasil é um dos símbolos da ineficiência do Estado em promover serviços de qualidade à população. Os serviços de saúde também são péssimos, assim como os da educação, mas estes somente afetam indivíduos em etapas de vida distintas, ou seja, quando doentes, ou enquanto estudantes. Já o serviço de transporte público é presente, indistintamente, no dia a dia das pessoas para ir à escola, ao hospital, ao trabalho, ao lazer etc.

A insatisfação da população contra um governo não se assevera a partir de uma única causa, mas a partir de uma ruptura sistêmica da confiança que um governo detém face aos anseios da sociedade na condução de soluções dos seus problemas mais emergentes. A ascensão dos regimes totalitários na Europa, pós I Guerra Mundial, obteve o amplo apoio da população devido ao governo instituído demonstrar ser incapaz de vencer o desemprego e a hiperinflação.

Em 1.923 era possível trocar 1 dólar por 8 bilhões de marcos (moeda alemã na época). Por outro lado, a burguesia também temia que o comunismo pudesse chegar ao poder na Alemanha e via no nazismo um meio de solução política para o problema. O restante da história nós conhecemos: a ascensão e queda do nazismo pela derrota de Hitler na II Guerra Mundial.

Na América Latina, onde recentemente governos de orientação socialista chegaram ao poder, o exemplo mais emblemático da divisão de um país em grupos antagônicos é o que ocorreu nas ultimas eleições venezuelanas. Ainda que mal tenha esfriado na cova o corpo de Hugo Chaves, grande líder da revolução socialista bolivariana, a apuração das urnas não deu o aval político que necessitava Nicolás Maduro, sucessor político indicado pelo próprio Chaves. Nicolás Maduro recebeu 50,66% dos votos, enquanto o seu oponente, Henrique Caprilas, 49,07%.

Apesar de Hugo Chaves ter reduzido a pobreza na Venezuela, a revolução bolivariana não conseguiu deter a inflação de 20%, em 2012, e estimular a produção e o emprego no país. A Venezuela é um país rico em petróleo, sua principal fonte de divisas no que exporta, mas o preço do barril do ouro negro está estancado em 100 dólares e não produz riqueza suficiente para cobrir o déficit público de 15% do PIB. O resultado das urnas na Venezuela também pode ser traduzido como a desconfiança que a população tem no socialismo bolivariano, em resolver a inflação e o desemprego.

No Brasil, os programas de farta distribuição dos mais variados tipos de bolsas são o principal trunfo político do governo do PT que, assim como na Venezuela, inicialmente reduziram a miséria de grande parcela da população. No entanto, “nunca antes na história deste país” o aparato estatal foi tão grande como este conduzido por Dilma Roussef. São 39 pastas de governo, entre ministérios e secretarias com status de ministério, sendo a última criada a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que dará guarida a Guilherme Afif Domingues (PSD), que também ocupa o cargo de vice-governador de São Paulo.

Assim, o PT de Dilma Roussef segue distribuindo bolsas e cargos públicos para manter a sustentação política de seu governo. O problema que a máquina pública custa aproximadamente R$ 58 bilhões ao ano, praticamente mais que o dobro do que consome o orçamento anual do bolsa família, que é de R$ 25 bilhões. Desta forma, com tanta conta para pagar, o Brasil com um crescimento pífio do PIB, em comparação com outros países emergentes, ou mesmo vizinhos sul-americanos, vê-se agora frente ao fantasma da volta da inflação. O aumento das tarifas de transporte público em todo o país é apenas um reflexo desta inflação. Não vou entrar no mérito de descrever como é péssimo o transporte público em minha cidade, pois mesmo que fosse de graça, ainda assim seria caro demais, pelo alto custo psicológico que gera por ser indigno.

O inverno brasileiro não é só pelo aumento das passagens, mas principalmente pela insatisfação da classe média, que se tornou uma pária no governo Dilma, pelo ataque as suas finanças e aos seus valores tradicionais de família. Aquele que trabalha assalariado e paga Imposto de Renda na fonte deve ter percebido como mingou o imposto a restituir, mesmo lançando os gastos com educação, plano de saúde e dependentes.

Falando em causa própria, faz dois anos que deixei de restituir e passei a pagar Imposto de Renda, mas não aumentei meu padrão de vida, pelo contrário, não aumentei minha renda anual e cada vez vivo mais modestamente com o salário que recebo. A explicação para isto é simples: enquanto em 16 anos a tabela do Imposto de Renda foi atualizada em 73,95%, no mesmo período o IPCA/IBGE (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi de 189,54%, segundo um estudo do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco). Assim, nossos salários perderam para a inflação, mas ainda assim pagamos mais impostos, aumentando a arrecadação do governo.

Outro duro golpe na família de classe média foi a introdução das políticas de cotas para a universidade pública (64% das vagas), considerando que todo o investimento e esforço financeiro que famílias fazem em educação privada com os seus filhos não significa mais uma vaga por mérito no ensino superior público. O filho da classe média será empurrado para a faculdade privada, prolongando o sacrifício de famílias com a educação de seus filhos. Agora, para completar a maldade, a ampliação dos direitos trabalhistas para as empregadas domésticas afetou diretamente o orçamento das famílias, que, na impossibilidade de arcarem com o aumento dos custos trabalhistas, optaram por demitir a secretária do lar.

Ora, a família mudou e hoje não é mais regra a mulher em casa cuidando dos afazeres domésticos, dos filhos e o marido no escritório. Modernamente há a dependência da renda do trabalho feminino, principalmente nas famílias de classe média. Assim, mesmo que possa parecer justiça social ampliar os direitos das empregadas domésticas, o governo não proveu antes os benefícios sociais em saúde, educação, transporte que justifique um afrouxo nos gastos que a classe média mantém nesses serviços. Não sobrou dinheiro para pagar o salário da empregada doméstica.

Fernando Henrique Cardoso foi duramente criticado quando, em 2011, sugeriu que a oposição esquecesse o “povão”, dito por ele, já cooptado pelos programas de distribuição de renda do PT e mirassem na classe média. Os críticos subestimaram a análise política de FHC, que talvez hoje faça um “mea culpa” por ter negligenciado o povão durante os oitos anos de seu governo e ter deixado um vasto campo aberto para que o PT o cooptasse. No entanto, o seu legado de estabilização econômica, que colocou a inflação brasileira em patamares civilizados, está ameaçado pela incompetência do governo do PT em conter o aumento do déficit público e incentivar a produção e o emprego.

Em nosso inverno brasileiro, os ditos “baderneiros”, que hoje vão as ruas protestar contra o aumento da tarifa de transporte público, tem o amplo apoio da opinião pública. Neste ponto, a classe média e o povão estão juntos nessa luta, cabendo à oposição ter a inteligência necessária para apontar o real motivo de existirem essas manifestações.

João Lago
Administrador, professor e morador do Conjunto Santos Dumont

domingo, 23 de junho de 2013

SOS Conjunto Santos Dumont: Moradores Pedem Socorro!

Durante vários meses temos recebido reclamações de diversos moradores a respeito do estado de abandono do Conjunto Santos Dumont, principalmente no que se refere ao desrespeito às áreas verdes da comunidade e do patrimônio público do conjunto.

O Conjunto Santos Dumont é um conjunto habitacional pacato e que deseja que suas ruas e espaços públicos continuem a refletir o desejo de tranquilidade de nossa comunidade. No entanto, as intervenções que estão sendo feitas em nossos espaços não tiveram o aval da coletividade. Não temos notícia em quase 3 anos de qualquer deliberação que tenha passado por assembleia, nem mesmo que seja para ouvir o que cada morador, esse que nos procura, tem a dizer a respeito dos desatinos e desmandos realizados. Assim, o que iremos relatar aqui reflete a compilação e o desabafo de um Conjunto Santos Dumont que pede socorro, pois não é possível que qualquer pessoa que se intitule líder comunitário possa achar que tem o poder onipotente de tudo decidir sem ninguém ouvir.

OCUPAÇÃO IRREGULAR DOS ESPAÇOS VERDES

Todo empreendimento (comércio, igreja etc.) que reúna público grande de pessoas deve ter o cuidado de não interferir na tranquilidade do local e prever a necessidade de estacionamento. Deve o empreendedor cuidar de obter as licenças necessárias para o funcionamento, principalmente aquelas que são obtidas na Semmas - Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que estejam sob a égide da Lei no. 605/2001.

A primeira denúncia que recebemos foi a ocupação de carros sobre a área verde localizada na rua Comandante Nathanael Albuquerque (também conhecida como rua 1), que fica defronte a praça frontal ao Conjunto Santos Dumont. Uma igreja evangélica, que se instalou no local, não fez previsão devida da necessidade de estacionamento e os frequentadores motorizados dos cultos usam a grama como parqueamento. Segundo informação de moradores, a direção da igreja tem conhecimento da insatisfação dos moradores, mas parece que não orientou os fieis a buscarem outro local de estacionamento. Moradores também reclamam da permanência de camelôs ocupando essa praça, principalmente o comercio ambulante sobre a passarela. Temos ainda acúmulo de lixo e resíduos de construção. Entendemos a necessidade de indivíduos buscarem o seu sustento, mas isto não pode ser feito ao arrepio da legislação, ou mesmo pela ocupação das áreas públicas. Aliás, foi com a leniência da sociedade que o centro da cidade, em nossos cartões postais, como a praça da Matriz (praça relógio), entorno do Porto Flutuante, a Avenida Eduardo Ribeiro foram paulatinamente ocupadas por camelôs e hoje não se tem uma solução para o problema. Gente ligada a políticos que não gostam de desagradar ninguém, são os primeiros a fecharem os olhos e agirem contra o bem comum. O compromisso da Amipaz é com a comunidade do Santos Dumont e a nossa isenção faz que sejamos procurados para receber as reclamações dos moradores.
Carros estacionados na área verde

Carros estacionados na área verde

Também chamamos a atenção da ocupação de ambulantes sobre a área verde da praça de caminhada, principalmente depois que foi instalado um parquinho no local. Os moradores do Conjunto Santos Dumont deveriam ser chamados para deliberar sobre a real vocação dessa praça, se para caminhada ou se para playground. As duas juntas são incompatíveis, principalmente com os carrinhos de ambulantes, mesas e cadeiras, camas elásticas, brinquedos de aluguel e outros apetrechos que são colocados sobre a grama. Não podem os moradores serem alijados em decidir sobre o destino do principal ponto de aprazimento público e cartão postal de nosso conjunto. Se a continuar, logo outros ambulantes ocuparão nossos gramados, tornando-os pontos de vendas de alimentos e bebidas, como aconteceu em outras praças públicas de Manaus. É isso que desejamos? Somos nós moradores que ganhamos com isto?
Ambulantes ocupando a praça de caminhada


Não podemos falar de ocupação irregular do espaço verde sem abordar o grande estacionamento de viaturas que se formou em cima do gramado nas proximidades do Chapéu de Palha da Associação. De maneira alguma os moradores são contra a permanência da Policia Militar em nosso conjunto, cuidando da segurança de todos, mas é necessário que sejam respeitadas às áreas verdes, pois existe espaço mais que suficiente nas laterais da área conhecida como Campo de Futebol para o parqueamento de viaturas. Outro aspecto, é a ocupação da calçada defronte o chapéu de palha, limitando o campo visual de quem vem pela rua Comandante José Siqueira, na esquina com a Alameda Santos Dumont. As viaturas sobre a calçada impedem o motorista visualizar os veículos que descem a Alameda Santos Dumont, obrigando os carros avançarem em muito sobre a pista para terem visão dos veículos que descem, muitas vezes ônibus e caminhões em alta velocidade. Da forma que se estacionam as viaturas, acontecer um grave acidente naquele local é uma questão de tempo. O que deseja a comunidade é que as calçadas e as áreas verdes sejam respeitadas por todos, cabendo a Polícia Militar encampar também esta ideia de preservação do verde e dar o exemplo.

DEPREDAÇÃO DO PATRIMÔNIO PÚBLICO

Já denunciamos aqui no Blog o grande buraco aberto na lateral da Alameda Santos Dumont, removendo grande quantidade de terra e derrubando três árvores adultas no local. Este crime ambiental foi realizado sem que fosse deliberado em Assembleia sobre a necessidade e finalidade de qualquer obra de interesse comunitário no local. Fato é que há mais de um ano que a depredação foi realizada e não se tem a recomposição do patrimônio público delapidado.
Área degrada na lateral do campo

Nesta semana, moradores vieram comunicar ao Blog que a grade do muro lateral do campo de futebol foi derrubada. Isto aconteceu justamente no momento que se está realizando um evento que instalou dentro do campo de futebol um grande parquinho de diversões, no qual podemos constatar que utiliza a energização dos seus equipamentos diretamente da linha de distribuição de energia pública. Estranhamos esse tipo de ligação, pois nas imediações do chapéu de palha temos uma derivação de energia elétrica regular e com relógio de medição, que não justifica uma ligação feita desta maneira. Aliás, na praça de caminhada também há uma ligação direta do poste que serve aos ambulantes que se instalam suas barracas sobre a grama e isto também já foi denunciado aqui no Blog. Estas ligações irregulares podem causar acidentes com grande risco a quem frequenta esses locais.

Grade derrubada

Grade derrubada

Detalhe da sustentação da grade arrancada

Ligação direta no poste

INFRAESTRUTURA PRECÁRIA DAS VIAS DE SERVIÇO PÚBLICO

Mais frequentemente se abrem rotineiramente imensas crateras em nossas vias principais de trânsito. Moradores relatam que o solo no qual foi construído o Conjunto Santos Dumont não tem a estrutura necessária para receber grande fluxo de veículos, principalmente veículos pesados como ônibus e caminhões. O aterro feito para a construção do conjunto é sobre uma área várzea, conhecida popularmente como "chavascal", portanto é mais que comum que se abram com o tempo imensas crateras pela instabilidade do terreno. Assim, também nos preocupa o projeto do monotrilho para o Conjunto Santos Dumont, com a construção de uma grande estação, que vai aumentar em muito a quantidade veículos pesados em nossas ruas. Isto não está sendo discutido em nossa comunidade, ou melhor dizendo, se foi discutido em assembleia foi por iniciativa da Amipaz. Se há a intenção de construir a estação, deve-se discutir os impactos que vão ocasionar na vizinha, como determina a Lei das Cidades.
Crateras que se abrem nas ruas

Crateras que se abrem nas ruas

Crateras que se abrem nas ruas

Fragilidade do asfalto e do terreno
Crateras que se abrem nas ruas

Os moradores também reclamam que as intervenções que foram feitas na Av. Torquato Tapajós prejudicaram a saída de veículos que descem pela Alameda Santos Dumont e que seguem pela Rua Nathanael Albuquerque no horário de "pico" de trânsito. Como não há uma alça de desaceleração, os veículos que saem do conjunto ficam retidos, represados aguardando a boa vontade de que os motoristas que trafegam na Torquato Tapajós cedam passagem.

A solução que temos para todos esses problemas, atendendo ao apelo de vários moradores e nos reunirmos em assembleia para deliberarmos sobre todos esses assuntos, porque certamente a Amipaz não tem nenhum receio de receber e atender os moradores em suas reivindicações.



quinta-feira, 30 de maio de 2013

A mais antiga manifestação pública de fé do Brasil

Por João Lago

Pelas ruas de Salvador desde 1549, a procissão de Corpus Christi é a mais antiga manifestação pública de fé do Brasil. A procissão de Corpus Christi aconteceu pela 464ª vez nesta manhã de quinta-feira (30/5), mas antes, às 8h, foi celebrada missa solene na Catedral Basílica presidida pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger.

A celebração de Corpus Christi acontece sempre na primeira quinta-feira após a festa da Santíssima Trindade. Nas palavras de Dom Murilo Krieger, durante sua homilia,“é Cristo que passa”. Ainda completou: “Salvador tem o privilégio de ter sido a primeira cidade do Brasil a celebrar a solenidade de Corpus Christi”.

A celebração de Corpus Christi aconteceu pela primeira fez na Diocese de Liège (Belgica) em 1246 e ratificada dentro do calendário católico litúrgico pelo Papa Urbano IV em 1264. Na verdade, a celebração de Corpus Christi adveio de uma visão de uma jovem religiosa agostiana chamada Juliana que descreveu uma lua atravessada por uma faixa escura. Juliana interpretou esta visão como sendo a liturgia incompleta, pois faltava uma festa em honra ao Corpo Sagrado de Cristo, inicialmente chamada de Corpus Domini.

De acordo com a página da Editora Paulinas na internet (www.paulinas.org.br), um dos religiosos que haviam apoiado Juliana em sua iniciativa foi Jacinto Pantaleão, arquidiácono de Trois, na França, que eleito papa em 1261, adotando o nome de Urbano IV, em 1264 instituiu as festividades do Corpus Domini para toda a Igreja Católica.

Em Salvador, assim como acontece em cidades que tem diocese, o bispo levou o Santíssimo Sacramento em procissão pelas ruas do centro histórico da capital baiana. A frente do Santíssimo posicionaram-se as irmandades religiosas de Salvador, sendo algumas centenárias, como a Ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora às Portas do Carmo, fundada em 1685 e a Irmandade de Nossa Senhora da Soledade Amparo dos Desvalidos de 1832.

Acompanhamos e fizemos o registro fotográfico da toda a procissão que tem tradição histórica, tanto que a Arquidiocese de Salvador solicitou o tombamento da procissão de Corpus Christi como patrimônio cultural imaterial (intangível).



Dom Murilo Krieger



Missa solene
Missa Solene
Santíssimo Sacramento pelas ruas do Pelourinho








segunda-feira, 27 de maio de 2013

O anjo bom dos pobres: Irmã Dulce

As igrejas históricas brasileiras, em qualquer cidade que se encontrem, atraem turistas pela beleza arquitetônica, pelas obras de arte sacra que contém, pelos belos afrescos que encantam com suas cores e delicadeza. Eu, como qualquer outro turista, também paro para admirar todos esses atributos, mas me sinto verdadeiramente satisfeito quando consigo participar da celebração litúrgica nesses templos santos. Assim, neste domingo (26/5), acabo de acrescentar em meu currículo a Basílica de Nosso Senhor do Bonfim de Salvador.

Anteriormente, a mais significativa experiência foi ter participado da celebração litúrgica na Igreja de Nossa Senhora do Pilar em Ouro Preto-MG. Em 2004, no início do inverno em Minas Gerais, fui passar o final de semana na antiga Vila Rica, de onde a Coroa Portuguesa retirou toneladas de ouro. O único horário de missa que havia na Igreja do Pilar, como popularmente conhecida, era às 6h da manhã. Acordar cedo, ainda mais no inverno, seria o primeiro obstáculo. O segundo, seria a neblina que caia na cidade, transformando o amanhecer ainda mais frio. Como naquela época os meus filhos ainda eram muito pequenos, somente eu aventurei-me a sair tão cedo para participar da missa. Hoje em Salvador foi diferente, pois estávamos juntos.







Não estava nos planos assistir a missa, mesmo porque eu já havia pesquisados os horários de missa no Bonfim e não havia nenhuma pela parte da tarde. No entanto, ao chegar na igreja vimos uma grande movimentação, com senhoras idosas chegando com camisas padronizadas. Vimos um andor posicionado na entrada da igreja com imagem de Nossa Senhora, ou seja, tudo indicando que testemunharíamos um acontecimento especial. A comunidade estava celebrando os 99 anos de nascimento de irmã Dulce, ou da Beata Dulce, que já pode ser chamada assim, pois foi beatificada pelo Papa Bento XVI.

Nascida em 26 de Maio de 1914, Irmã Dulce faleceu em 13 de Maio de 1992 deixando um legado de obras sociais voltadas para os mais pobres que as fizeram ser reconhecida como "o anjo bom da Bahia".
Para comemorar a data, foi programa uma procissão que saíra da colina da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim até o Largo de Roma, local onde fica a sede das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID).

Ter participado disto foi um presente recebido de irmã Dulce.

João Lago.