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quarta-feira, 2 de março de 2016

Chegaste

Chegaste como uma ensolarada alvorada
Que ilumina e aquece o final de uma noite fria
Trazendo as cores das flores a dizer bom dia
Apontando a direção dessa longa estrada

Chegaste forte tal como chuva de verão
A desvanecer o olhar triste no horizonte
Transformando horas em único instante
O chegado tempo de arrefecer desilusão

Por que enfim tardaste tanto a chegar?
São não eram alegres os meus dias
Se há muito se foram minhas alegrias
E nem sabia qual rumo iria tomar

Mas enfim chegaste e me olhas hesitante
Muito além do lugar que me encontro
Alheia ao poder de teu doce encanto
Dominas meu pensamento distante

Talvez porque não fosse a hora de chegar?
Quem poderá dizer se agora é o tempo
De levantar a cabeça e finalmente caminhar

Pois não há partida se um rumo a tomar
e não há rumo sem lugar de chegar
E eu me encontro aqui
Sempre aqui.








segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A descoberta de nosso medo interior



Certa vez um colega de trabalho nos anos 90, que depois se transformou em um grande amigo, apareceu com uma tipoia no braço direito e tudo fazia com a mão esquerda. Perguntei-lhe o que havia acontecido ao que me respondeu: “nada, apenas resolvi que devo ensaiar fazer tudo com a mão esquerda, pois não sei se um dia isso poderá ser útil para alguma coisa”.

Relembrado essa excentricidade recordei minha adolescência e o grande amor que tinha pelo meu falecido avô, que pela ausência física de meu pai, devido à separação precoce de minha mãe, tornou-se a referência paterna que tenho para mim. Homem íntegro, honesto e grande admirador das letras, apesar de seu pouco estudo, sempre se valia de estar próximo a gente mais inteligente do que ele. João Pinheiro, meu avô, tinha um bordão repetido à exaustão: “quem não estuda, fica para puxar carroça”. Lembro-me que vendo os cabelos grisalhos de meu avô e a saúde abalada pelos anos de tabagismo, aos poucos ia construindo a ideia que não o teria para sempre e isso me trazia uma profunda angústia que não compartilhava com ninguém. Guardava esse sentimento para mim, e a cada demora sua em voltar para casa, pois todos os dias ele saía para cumprir compromissos não declarados, pensamentos ruins povoavam a minha mente, sendo que dia após dia sentia que o matava inconscientemente, antevendo a sua ausência inexorável. Quando finalmente chegou o dia tão temido de sua morte, não consegui chorar. Lembro que via tudo com extrema passividade, como se estivesse em uma letárgica e mórbida nostalgia de sentimentos já vividos. Para quem gosta de galicismos: um déjà vu. Porém, passados três dias, quando senti a solidão de sua ausência não consegui segurar as lágrimas e chorei copiosamente.

O aforismo grego “conhece a ti mesmo”, cuja inscrição encontrava-se na entrada do templo de Delfos, construído em honra a Apolo, o deus grego do sol, da beleza e da harmonia, tem ramificações no pensamento socrático e nos ensinamento da Arte da Guerra de Sun Tzu, general estrategista e filósofo chinês. Sun Tzu escreveu: “Conheces o teu inimigo e conheces a ti mesmo, pois se tiveres que travar cem combates, cem vezes saíra vitorioso. Se ignoras o teu inimigo e conheces a ti mesmo, tuas chances de ganhar ou perder serão idênticas, mas se ignoras ao mesmo tempo teu inimigo e a ti mesmo, só acumularás derrotas”. Quando Sócrates nasceu (469 a.C.) Sun Tzu tinha setenta e sete anos e embora contemporâneos, é pouco provável (por motivos óbvios) que tenha havido troca de informações entre os dois filósofos. Todavia, enquanto Sócrates via o mundo como um campo fértil de conhecimentos que não se esgotam para construção de indivíduo melhor, Sun Tzu voltava seus ensinamentos filosóficos para finalidades bélicas. Porém, ambos mantêm o princípio da necessidade da compreensão do universo a partir do autoconhecimento, compreendendo nossas forças e fraquezas para enfrentar o mundo.

Por mais que ensejamos nos preparar para qualquer tipo de infortúnio, uma coisa é vivenciá-lo na teoria, outra é viver a sua prática. Poderia ser a perda ou paralisia de um membro, o fim de um relacionamento, ou a morte de alguém amado, mas jamais estaremos suficientemente preparados para enfrentar a dor de um sofrimento. Contudo, quando internamente buscamos construir anticorpos para enfrentar um mal que poderá nos assolar, seja por meio da racionalização de nossas atitudes para passar pela dor, ou pela busca de compensações que nos deixe menos tristes, ao invés de um processo agudo de melancolia, certamente viveremos uma febre passageira.

Nosso maior inimigo somos nós mesmos, que impregnado de vícios e fraquezas muitas vezes somos incapazes de agir de forma profilática e caímos em armadilhas nas quais é impossível evitar a dor por acreditar que sejamos imunes a tais acontecimentos. Quando isto acontece é porque ignoramos que a maior batalha é aquela que travamos internamente, contra o nosso próprio eu que não consegue situar-se face às mudanças que ocorrem ao nosso redor. Uma espécie de cegueira, ou negação de nossos próprios temores.

Não existe uma fórmula mágica para se evitar o sofrimento, mas conhecer a si próprio, numerar e pontuar o que pode abalar sua estrutura emocional para a vida e para o trabalho é um caminho que pode ser seguido.

João Lago.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Campanha: Thainá precisa respirar

Atualizamos demonstrativo das doações recebidas ate esta data.

- Doação inicial Amipaz...................................................................... R$ 100,00
- Sra. Eleonora Ramos......................................................................... R$ 100,00
- Prof. Roberto Luiz Abtibol Porto...................................................... R$   50,00
- Sr. Anderson Martins.........................................................................R$ 200,00
- Sr. Roberto Marinho Zica..................................................................R$ 100,00
- Sr. Ranulfo Costa..............................................................................R$ 100,00
- Sr. Antônio Bueno.............................................................................R$ 100,00

Total arrecadado até 12/2/2016............................................................. R$ 750,00

Meta da campanha............................................................................... R$ 780,00

Faltando arrecadar................................................................................ R$ 30,00

Estamos próximo do valor final de meta e podemos considerar felizes pelas manifestações solidárias recebidas.

AMIPAZ - MANAUS

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Campanha: Thainá precisa respirar

Atualizamos demonstrativo das doações recebidas ate esta data.

- Doação inicial Amipaz...................................................................... R$ 100,00
- Sra. Eleonora Ramos......................................................................... R$ 100,00
- Prof. Roberto Luiz Abtibol Porto...................................................... R$   50,00
- Sr. Anderson Martins.........................................................................R$ 200,00




Total arrecadado até 8/2/2016............................................................. R$ 450,00

Meta da campanha............................................................................... R$ 780,00

Faltando arrecadar................................................................................ R$ 330,00

Ainda não chegamos a metade do valor, mas para os primeiros dias desta campanha iniciada em pleno carnaval, podemos considerar felizes pelas manifestações solidárias recebidas.

AMIPAZ - MANAUS


THAINÁ PRECISA RESPIRAR.



Thainá Medeiros é uma adolescente franzina de 15 anos de 1,49 metros de altura que desde bebê está aos cuidados de sua avó, a professora aposentada e costureira Raimunda . A família é composta de seis pessoas e vive em Rio Preto da Eva - AM, cidade distante a 77 km de Manaus. Raimunda pertence a comunidade católica de São Pedro em sua cidade na qual participa ativamente.
Thainá Medeiros
Desde tenra idade Thainá apresenta problemas respiratórios decorrentes de uma asma e com eventuais sangramentos no nariz. Porém, devido às crises constantes, sua avó Raimunda procurou diagnóstico para o agravamento do quadro respiratório e recentemente foi descoberto, por meio de radiografias, um desvio de septo severo que segundo análise preliminar pode ter sido decorrente de uma queda quando Thainá ainda era criança.
Este que aqui escreve tem leve desvio de septo e desde criança convive com rinite alérgica e, mais recentemente, adquiriu uma asma que somente é acionada nas crises alérgicas decorrentes de fatores ambientais críticos (mofo, fumaça, frio intenso etc.). Portanto, quem sabe o que é buscar ar para respirar e não conseguir sabe perfeitamente a angústia que é viver essas crises. Posso considerar-me feliz porque tenho acompanhamento médico preventivo e plano de saúde que me permite viver com qualidade de vida, mas quando me coloco no lugar de Thainá que somente tem o SUS e as longas filas de espera para conseguir marcar um único exame médico e com problemas respiratórios muito mais graves que o meu, sinto-me extremamente compadecido.
Radiografia de face
Radiografia de face
Thainá precisa fazer uma ultrassonografia que custa R$ 780,00 (setecentos e oitenta reais) como exame preliminar para avaliação de um procedimento cirúrgico para correção do desvio de septo severo. Estamos ajudando essa família com uma doação inicial de R$ 100,00 (cem reais) e estamos lançando esta campanha entre amigos solidários para conseguir arrecadar os demais R$ 680,00 (seiscentos e oitenta reais).

A família de Raimunda vive de sua aposentadoria e costuras, não possuindo recursos suficientes para arcar com esse exame, levando em consideração que Thainá também precisa de medicamentos que a ajudam nos momentos de crise asmática e boa parte da renda familiar está comprometida com remédios. Aliado a isto, Raimunda também sofre de artrite e também precisa e tem gastos com medicamentos.
Sra. Raimunda, avó de Thainá
Sabemos que neste início de ano a situação é difícil para as famílias (IPVA, IPTU, matrícula e material escolar etc.) o que dificulta mais ainda solicitar ajuda material. Porém, caso você queira ajudar Thainá, seja com qual valor for, entre em contato conosco para indicações de conta para depósito.
Que Deus te abençoe.
João Lago.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Campanha: Thainá precisa respirar!

Já estamos recebendo manifestações de amigos solidários o que já nos permite apresentar uma primeira prévia desta campanha iniciada no último sábado.

- Doação inicial Amipaz...................................................................... R$ 100,00
- Sra. Eleonora Ramos......................................................................... R$ 100,00
- Prof. Roberto Luiz Abtibol Porto...................................................... R$   50,00

Total arrecadado até 8/2/2016............................................................. R$ 250,00

Meta da campanha............................................................................... R$ 780,00

Faltando arrecadar................................................................................ R$ 530,00


Ainda contabilizamos dois amigos que já se prontificaram a ajudar, mas como não temos o valor declarado das doações ainda não podemos considerá-las aqui. Porém, tão logo confirmem o valor atualizaremos o demonstrativo acima.

Ainda não chegamos a metade do valor, mas para os primeiros dias desta campanha iniciada em pleno carnaval, podemos considerar felizes pelas manifestações solidárias recebidas.

Bom carnaval a todos.

AMIPAZ - MANAUS

THAINÁ PRECISA RESPIRAR.



Thainá Medeiros é uma adolescente franzina de 15 anos de 1,49 metros de altura que desde bebê está aos cuidados de sua avó, a professora aposentada e costureira Raimunda . A família é composta de seis pessoas e vive em Rio Preto da Eva - AM, cidade distante a 77 km de Manaus. Raimunda pertence a comunidade católica de São Pedro em sua cidade na qual participa ativamente.
Thainá Medeiros

Desde tenra idade Thainá apresenta problemas respiratórios decorrentes de uma asma e com eventuais sangramentos no nariz. Porém, devido às crises constantes, sua avó Raimunda procurou diagnóstico para o agravamento do quadro respiratório e recentemente foi descoberto, por meio de radiografias, um desvio de septo severo que segundo análise preliminar pode ter sido decorrente de uma queda quando Thainá ainda era criança.

Este que aqui escreve tem leve desvio de septo e desde criança convive com rinite alérgica e, mais recentemente, adquiriu uma asma que somente é acionada nas crises alérgicas decorrentes de fatores ambientais críticos (mofo, fumaça, frio intenso etc.). Portanto, quem sabe o que é buscar ar para respirar e não conseguir sabe perfeitamente a angústia que é viver essas crises. Posso considerar-me feliz porque tenho acompanhamento médico preventivo e plano de saúde que me permite viver com qualidade de vida, mas quando me coloco no lugar de Thainá que somente tem o SUS e as longas filas de espera para conseguir marcar um único exame médico e com problemas respiratórios muito mais graves que o meu, sinto-me extremamente compadecido.
Radiografia de face

Radiografia de face
Thainá precisa fazer uma ultrassonografia que custa R$ 780,00 (setecentos e oitenta reais) como exame preliminar para avaliação de um procedimento cirúrgico para correção do desvio de septo severo. Estamos ajudando essa família com uma doação inicial de R$ 100,00 (cem reais) e estamos lançando esta campanha entre amigos solidários para conseguir arrecadar os demais R$ 680,00 (seiscentos e oitenta reais).

A família de Raimunda vive de sua aposentadoria e costuras, não possuindo recursos suficientes para arcar com esse exame, levando em consideração que Thainá também precisa de medicamentos que a ajudam nos momentos de crise asmática e boa parte da renda familiar está comprometida com remédios. Aliado a isto, Raimunda também sofre de artrite e também precisa e tem gastos com medicamentos.

Sra. Raimunda, avó de Thainá
Sabemos que neste início de ano a situação é difícil para as famílias (IPVA, IPTU, matrícula e material escolar etc.) o que dificulta mais ainda solicitar ajuda material. Porém, caso você queira ajudar Thainá, seja com qual valor for, entre em contato conosco para indicações de conta para depósito.

Que Deus te abençoe.

João Lago.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

THAINÁ PRECISA RESPIRAR.



Thainá Medeiros é uma adolescente franzina de 15 anos de 1,49 metros de altura que desde bebê está aos cuidados de sua avó, a professora aposentada e costureira Raimunda . A família é composta de seis pessoas e vive em Rio Preto da Eva - AM, cidade distante a 77 km de Manaus. Raimunda pertence a comunidade católica de São Pedro em sua cidade na qual participa ativamente.
Thainá Medeiros

Desde tenra idade Thainá apresenta problemas respiratórios decorrentes de uma asma e com eventuais sangramentos no nariz. Porém, devido às crises constantes, sua avó Raimunda procurou diagnóstico para o agravamento do quadro respiratório e recentemente foi descoberto, por meio de radiografias, um desvio de septo severo que segundo análise preliminar pode ter sido decorrente de uma queda quando Thainá ainda era criança.

Este que aqui escreve tem leve desvio de septo e desde criança convive com rinite alérgica e, mais recentemente, adquiriu uma asma que somente é acionada nas crises alérgicas decorrentes de fatores ambientais críticos (mofo, fumaça, frio intenso etc.). Portanto, quem sabe o que é buscar ar para respirar e não conseguir sabe perfeitamente a angústia que é viver essas crises. Posso considerar-me feliz porque tenho acompanhamento médico preventivo e plano de saúde que me permite viver com qualidade de vida, mas quando me coloco no lugar de Thainá que somente tem o SUS e as longas filas de espera para conseguir marcar um único exame médico e com problemas respiratórios muito mais graves que o meu, sinto-me extremamente compadecido.
Radiografia de face

Radiografia de face
Thainá precisa fazer uma ultrassonografia que custa R$ 780,00 (setecentos e oitenta reais) como exame preliminar para avaliação de um procedimento cirúrgico para correção do desvio de septo severo. Estamos ajudando essa família com uma doação inicial de R$ 100,00 (cem reais) e estamos lançando esta campanha entre amigos solidários para conseguir arrecadar os demais R$ 680,00 (seiscentos e oitenta reais).

A família de Raimunda vive de sua aposentadoria e costuras, não possuindo recursos suficientes para arcar com esse exame, levando em consideração que Thainá também precisa de medicamentos que a ajudam nos momentos de crise asmática e boa parte da renda familiar está comprometida com remédios. Aliado a isto, Raimunda também sofre de artrite e também precisa e tem gastos com medicamentos.

Sra. Raimunda, avó de Thainá
Sabemos que neste início de ano a situação é difícil para as famílias (IPVA, IPTU, matrícula e material escolar etc.) o que dificulta mais ainda solicitar ajuda material. Porém, caso você queira ajudar Thainá, seja com qual valor for, entre em contato conosco para indicações de conta para depósito.

Que Deus te abençoe.

João Lago.
+ 55 (92) 98163-9637




domingo, 31 de janeiro de 2016

Palhaço eu não sou



O governo federal, em sua impossibilidade política de cortar gastos, faz a opção primária de aumentar impostos. É bem verdade que hoje a principal obrigação do governo é a rolagem da dívida pública, aquela contraída junto aos bancos privados. A própria definição do termo “dívida pública” é esclarecida no sítio que o Tesouro Nacional mantém na internet, qual seja: “dívida pública federal é a dívida contraída pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do Governo Federal, nele incluído o refinanciamento da própria dívida”. O que se chama refinanciamento da dívida é justamente a emissão de novos títulos da dívida pública em substituição àqueles que estão vencendo e com a promessa de pagamento de juros, sendo os bancos os principais compradores desses títulos públicos. Contudo, é consenso que a dívida pública de qualquer país não se paga, mas empurrada para frente e os governos preocupam-se em pagar tão somente o serviço da dívida, ou seja, os juros, mas não aumentando o valor monetário da dívida. Como o governo nada produz, deve buscar equilibrar suas gastanças com aquilo que arrecada, incluindo-se as despesas com os juros. É justamente essa conta (gastança + juros = arrecadação) que não fecha, sendo a diferença necessária para o equilíbrio chamada de déficit público (quando sobra é chamada superávit).

Imaginemos um país com uma dívida pública imensa, mas pagando taxas de juros baixas para o serviço dessa dívida e busquemos nessa relação encontrar uma lógica para o paradoxo da necessidade de gerar inflação. É bem verdade que qualquer economia, seja ela de primeiro mundo ou não, deve administrar sua taxa de inflação em níveis baixos. Porém, uma nação com dívida pública serve-se da inflação para diminuí-la ao longo dos anos, pois se os juros são pagos e não há aumento real do valor da dívida, o seu valor nominal vai sendo corroído pela inflação. Para melhor entendimento, valor nominal é o valor de face de qualquer moeda. Por exemplo, no primeiro dia de janeiro de 2015 tira-se uma nota do bolso e com ela vai-se ao supermercado e compram-se diversos produtos em uma conta exata ao valor de R$ 100,00. Todavia, ao retornar ao mesmo supermercado no dia primeiro de janeiro de 2016, escolhendo os mesmos produtos e em igual quantidade, ao tirar idêntica nota de R$ 100,00 do bolso, percebe que faltará dinheiro para completar a compra. Imaginemos que falte R$ 10,47, ou seja, em um ano a inflação foi de 10,47% (inflação registrada pelo acumulado anual do IPCA/IBGE em novembro/2015). O valor nominal é o mesmo (R$ 100,00), mas o valor real é outro. É como se aqueles R$ 100,00 (valor nominal) valessem hoje somente R$ 89,53 (valor real). O mesmo acontece com a dívida pública que vê o seu valor nominal sendo corroído pela inflação ao longo de décadas de estabilidade econômica. Essa é a maneira mais economicamente viável de sanar uma dívida pública de um país e não há nada de errado nisso.

Quando um país não tem problemas com desequilíbrio no fechamento de suas contas, gerando pequenos superávits ao longo do tempo, as agências internacionais de classificação de risco atribuem notas elevadas (grau de investimento) sinalizando aos investidores que podem comprar títulos da dívida pública desse país, pois é certo que não receberão calote.  Quando um país começa a perder o controle de suas contas, o inverso é verdadeiro, ou seja, esse país receberá (ou perderá) o status de bom pagador. É o que vem acontecendo com a nota do Brasil.

A partir desta análise construída até aqui, falando de maneira simples e direta, podemos concluir que somente há duas maneiras de solucionar o problema: Aumentar a arrecadação ou diminuir a gastança. O governo federal faz a opção por manter a gastança e aumentar os impostos. Contudo, essa solução seria viável se o Brasil não estivesse em recessão (baixo consumo e família endividadas) e a inflação em descontrole. Com baixo consumo arrecada-se menos e, com juros elevados, o serviço da dívida pública aumenta, pois o governo já não rola somente o principal, mas também os juros acrescentados ao montante. Desta forma, ao invés do Brasil beneficiar-se com a inflação para diminuir sua dívida pública, acontece justamente o contrário, pois precisa captar mais e mais dinheiro ao custo de juros elevados (do banqueiro). Não é a toa que os bancos vêm registrando lucros cada vez maiores no Brasil. Por exemplo, no dia 28/1/2016 o Bradesco anunciou o lucro de R$ 17,19 bilhões em 2015, segundo maior lucro registrado por um banco de capital aberto, perdendo somente para o Itaú que registrou lucro de R$ 20,2 bilhões em 2014.

Estando a economia estagnada (baixa produção, baixo consumo, desemprego etc.) não faz sentido aumentar mais juros para conter a inflação, ou mesmo aumentar juros para atrair investimentos, pois, como dito anteriormente, ao demonstrar que não consegue o equilíbrio das contas públicas os investidores vão colocar o seu dinheiro em países que sinalizem capacidade de honrar seus compromissos. Neste cenário, o único remédio que esse governo vislumbra é a volta da CPMF, que provocará ainda mais inflação, pois é lógico que essa conta vai para os preços dos produtos.

A responsabilidade com os princípios macroeconômicos básicos para qualquer nação foi irresponsavelmente rasgada pela equipe econômica do governo petista em uma década. E o mais grave é que ainda não se deram conta que agora é cortar gastos e isto deveria ter sido anunciado durante a campanha eleitoral de 2014. No entanto, além da falta de credibilidade política para a solução da crise, assoberba-se ainda a incredibilidade moral pela enxurrada de denúncias de corrupção envolvendo toda a cúpula do partido do governo, agora chegando ao ex-presidente Lula, fundador e líder do PT, que está em vias de ser denunciado pelo Ministério Público Federal por suas relações espúrias com as empreiteiras denunciadas na operação lava a jato.

Porém no Brasil é carnaval, e a fantasia que esse governo deseja que vistamos neste carnaval é a fantasia de palhaço, mas palhaço eu não sou, palhaço eu não sou, nosso tempo de palhaço já passou.

João Lago.