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domingo, 26 de julho de 2015

Bandidos à mão armada assaltam moradora na Comandante Rangel

Fonte: Google Street View
Nesse sábado (25/7), por volta das 19h30min., uma moradora da Rua Comandante Rangel (rua lateral a praça de caminhada) foi assaltada à mão armada por dois indivíduos que a abordaram na entrada de sua casa.

A rua estava pouco movimentada, que é algo incomum na Rua Comandante Rangel e a abordagem dos bandidos foi muito rápida. Segundo a vítima, tão logo colocou a chave no portão de entrada para abri-lo, dois meliantes em uma moto apontaram a arma e levaram todos os seus pertences.




 Desde que o posto do Ronda nos Bairros deixou de estar presente no Conjunto Santos Dumont, aumentou o número de assaltos orquestrados por motoqueiros nas paradas de ônibus e nas ruas do conjunto. No entanto, este blog ainda não tem relato de assaltos à residências na quantidade que ocorreram em meados de 2011, mas a depender da facilidade que os bandidos encontrarem por aqui, certamente a tendência é aumentar o número de ocorrências.

Estejam alertas, pois com a crise que assola o país a expectativa é de aumento da violência. Portanto, estejam atentos para indivíduos desconhecidos que transitam pelas ruas do conjunto e, principalmente, ao chegar em casa à pé ou de carro, observem bem as imediações e fiquem atentos a presença de indivíduos suspeitos e na aproximação de motos e melhor mudar a direção e não entrar em casa, pois os bandidos podem entrar e render toda a família.

Não deixem de fazer boletim de ocorrência (B.O.) mesmo nesses pequenos assaltos, pois é por meio dos BOs que é traçada a estatística da violência na cidade e é importante que o mapa da violência esteja sempre atualizado.

AMIPAZ - MANAUS

domingo, 19 de julho de 2015

Quem são os nossos heróis?

A origem da palavra herói no português tem derivação do latim heros, mas anterior ao latim a etimologia da palavra tem origem no grego antigo em sua grafia peculiar que não se reproduz em nosso alfabeto. Para a antiga civilização grega politeísta faltava a figura intermediária que distinguisse o deus e o homem extraordinário, chamado semideus, conforme tradução de Mary Lafer para “os trabalhos e os dias” (versos 156-160) da obra de  Hesíodo(1). Por outro lado, ainda pequenos somos convidados a conhecer os super-heróis das revistas em quadrinhos, das telas da televisão e do cinema, geralmente homens comuns que recebem superpoderes e passam a combater o mal. Nossa visão lúdica infantil do termo herói é hoje uma fonte de comércio extraordinária, quais somente os dez super-heróis retratados nas telas do cinema juntos faturaram U$ 5,45 bilhões (dólares), conforme reportagem publicada na Revista Exame(2).

 Seja por meio da literatura grega ou da construção mental infantil, os heróis estão ligados a grandes feitos voltados para o bem comum e são admirados por isto. Porém, saindo da meninice, quando questionado o herói de um indivíduo a resposta mais comum situa-se em dois pontos: os pais ou Jesus Cristo. Assim, mesmo não gostando do termo, é “politicamente correto” e pouco comprometedor situar a resposta nesses arquétipos. No entanto, convido você a sair da resposta pronta e imaginar quem seria o seu herói. Não tenha pressa em responder!

A banalização do termo herói é o que mais me preocupa, pois pode traduzir em um claro sintoma de uma sociedade que perde os seus valores, já que para ser eleito ao panteão dos heróis tão somente basta a fama, devidamente apartada das virtudes. O roqueiro Cazuza, por exemplo, em sua música Ideologia cantou que “os meus (dele) heróis morreram de overdose”, pois foram tantas vidas ceifadas prematuramente como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison etc., que se tornaram ícones de um estilo de vida que ainda hoje conduz os jovens a uma morte precoce. Para não ficar somente com Cazuza, o ex-repórter e dublê de apresentador Pedro Bial chamou os enclausurados do Big Brother Brasil – BBB de “nossos (dele) heróis”. Poderia ficar somente nesses dois casos, mas recentemente uma jornalista esportiva, do canal televisivo Sport TV, referindo-se a transferência do jogador peruano Guerrero para um clube carioca, o consagrou como sendo o “herói (dela)” das torcidas do Corinthians e do Flamengo. É bom que se diga que mesmo não sendo simpatizante dessas agremiações fiquei consternado e lamentei que as duas mais numerosas torcidas do Brasil tenha para si um herói que foge da concentração em plena Copa América para curtir uma balada.

Não tenho a pretensão que ao finalizar este texto você tenha conseguido eleger um herói para si, mesmo porque herói bom é aquele já morto, o qual não sobra mais oportunidade para decepcionar. Eu mesmo não me arrisco em sair do lugar comum e eleger Cristo como o meu herói, mas posso acrescentar o meu avô João Pinheiro, que na ausência de meu pai soube mostrar-me os valores preciosos que até hoje me acompanham. Herói é assim, mesmo em um microcosmo individual e pessoal, deixa um legado virtuoso para a posteridade.

João Lago.

Notas:
(1) Hesíodo. Os trabalhos e os dias, parte I, 3ª. ed., tradução de Mary de Camargo Neves Lafer. São Paulo: Iluminuras, 1996.;
(2)    Revista Exame, Editora Abril, edição 995 de 26.6.2011.

domingo, 21 de junho de 2015

Gestão Social Integrada



Nesse sábado (20/6), em um evento patrocinado pelo deputado Luiz Castro e coordenado pelo advogado Marcelo Ramos, estivemos reunidos na Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Amazonas para mais uma rodada de debates e reflexões acerca de temas essenciais para a construção de uma Manaus melhor. Como palestrante a professora Ana Cláudia Sá, pedagoga com larga experiência na educação de crianças e adolescentes na cidade de Manaus.

Das histórias da vivência profissional da professora Ana Cláudia, uma demonstrou a realidade de crianças que são atendidas no ensino fundamental. Trata-se de um menino com muito potencial para o aprendizado que depois de um acidente ocorrido na escola necessita ser conduzido até a sua residência para ser entregue aos pais. O local de moradia do estudante era o mais precário possível e ao chegar à casa do menino não havia nenhum responsável adulto que pudesse recebê-lo. Uma escola que trabalhe com crianças tem o dever de manter um cadastro atualizado dos alunos para um possível e necessário contato em situações de emergência.

Qualquer instituição financeira, ou empresa que trabalhe com cessão de crédito, tem a sua disposição, por meio da consulta ao CPF/MF – Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda, toda a vida financeira de um indivíduo, haja vista que bancos, financeiras e empresas de modo geral estão interligados ao sistema Serasa, SPC, Cadin e por meio dessas informações traçam a análise de risco de crédito do indivíduo em um financiamento. De outro lado, a Receita Federal do Brasil – RFB - tem recebido em anos sucessivos o prêmio Inovação da Administração Tributária, que é concedido pelo Centro Interamericano de Administração Tributária, porque inegavelmente é uma ilha de excelência e competência no Governo Federal, afinal é a Receita Federal a responsável pela arrecadação dos impostos.

Hoje é imprescindível para a eficiência de qualquer organização a gestão integrada das informações, mas a eficácia somente será determinada a partir de como são tratados esses dados. Por exemplo, a RFB caça sonegadores por meio da “malha fina” que nada mais é do que análise dos dados recebidos de instituições financeiras, empregadores e informações do imposto de renda do indivíduo e de outros contribuintes pessoa física que possa demonstrar ocultação de rendimentos na declaração do imposto de renda. O mesmo recurso é adotado para as empresas (pessoa jurídica) que tem suas operações monitoradas pela RFB e toda essa atuação eficiente permite arrecadações recordes ano após ano. Ficam de fora dessa sanha arrecadadora o indivíduo e as empresas que estejam na informalidade e são grandes os esforços dos governos em promover a “formalidade”.

A RFB exige que dependentes maiores de quinze anos nas declarações do imposto de renda tenham o CPF e que menores de qualquer idade tenham esse documento na abertura de uma conta poupança/corrente. No entanto, para a concessão da Bolsa Família o CPF pode ser substituído pelo título de eleitor para o titular e simplesmente a certidão de nascimento para o dependente. Interessante que na concessão de um benefício pecuniário não seja obrigatório o CPF e que o título de eleitor possa assumir esse papel, principalmente porque as operações de compra e venda, ou transações financeiras, não são monitoradas pelo título de eleitor, mas sim pelo CPF. Na prática essa falta de monitoramento pode levar a fraudes, ou mesmo permitir que o benefício seja entregue a quem dele não necessite, principalmente por aqueles que estão na informalidade e, por isso, obtenham rendimentos acima de meio salário mínimo por pessoa (per capita) ou renda familiar mensal de até três salários mínimos.
O cadastro da Bolsa Família, assim como a educação fundamental, está ao encargo das prefeituras. Também estão vinculadas as prefeituras os conselhos de caráter social, como o Conselho de Assistência Social, Conselhos Tutelares, as casas de saúde básica da família e as campanhas de vacinação. Agora imaginemos que todas essas informações estivessem vinculadas em um cadastro único recebido no momento do registro de nascimento do cidadão, sendo esse cadastro o que acompanhará o indivíduo durante toda a sua vida e cujo sigilo dessas informações fosse tão resguardado quanto o sigilo fiscal protegido por lei. Elucubremos a possibilidade de análise desses dados para a formação de uma política inteligente de combate à fome vinculada ao desempenho escolar, vacinação e cuidados com a criança pelos pais que recebem benefício para tal. Esses dados poderiam estar disponíveis para os gestores de escolas que poderiam identificar quais de seus estudantes (público alvo) estariam mais propensos ao risco social e agir preventivamente. Os conselhos também poderiam agir preventivamente e, assim, poderíamos crer em uma política integrada de bem estar social. Isto não é ficção, pois se a mesma eficiência que tem a RFB para arrecadar, analisar e controlar fosse aplicada em políticas sociais, haveríamos de construir estratégias eficazes em benefício de toda a população, principalmente aos menos favorecidos.

Acho importante a discussão no “varejo” dos problemas que assolam a educação, mas algumas soluções estratégicas devem ser concebidas no “atacado”, como a proposta desta resenha. Porém, a qualidade das soluções somente irá emergir quando melhorarmos a qualidade de nosso voto. Devemos analisar não somente o currículo acadêmico, mas também o histórico humanista e ético do candidato, assim como a identidade das forças políticas que o apoiam. Não dá mais para pautar nosso processo de escolha no “bonitinho”, no “engraçadinho”, no artista, no famoso ou no sujeito legal e popular, pois essas características são as responsáveis pela baixa qualidade do parlamento que é o responsável por propor e aprovar nossas leis.

A discussão de ideias para o futuro da cidade de Manaus acontece em um momento de maturidade política do povo brasileiro que redescobriu as ruas como meio de expressão. O próximo passo será ocupar os fóruns presenciais de discussão e tomar partido das ideias que verdadeiramente construam um futuro melhor.

João Lago
Administrador, professor e morador do Conjunto Santos Dumont

quinta-feira, 4 de junho de 2015

DEMOCRACIA, MERITOCRACIA E INCLUSÃO SOCIAL



Esta reflexão que aqui apresento, iniciou-se com minha filha (15 anos) adentrando a porta de meu quarto pedindo ajuda para o preenchimento do questionário socioeconômico da inscrição do Enem – Exame Nacional do Ensino Médio.  A cada pergunta, capciosamente construída para limitar suas chances em uma vaga na universidade pública, que abordava desde a cor da pele, passando pela escolaridade dos pais, número de banheiros na casa e outras informações, somente para colocá-la em situação de desvantagem, simplesmente por ter nascido em uma família que valoriza a educação e que pôde, com muito esforço, pagar-lhe um bom ensino e oferecer-lhe um relativo conforto material. A regra do acesso à universidade pública não é mais totalmente apoiada no conceito do mérito.

A meritocracia consiste que a escolha de um profissional, ou a ascensão deste para um cargo de maior importância, é determinada por meio do mérito, ou seja, pelo conhecimento, pelas conquistas, pela demonstração de valores incontestes quando comparado com os seus pares. Porém, a meritocracia não é um conceito moderno, haja vista que Confúcio, que viveu nos anos 551 a 479 a.C, em sua filosofia pregava que a importância das pessoas deveria basear-se no mérito. No Século II a ideia da meritocracia foi utilizada pelo imperador chinês Shih Huang-Ti para escolher funcionários públicos, mas infelizmente os cargos de maior importância ainda eram entregues aos familiares e amigos do imperador.

No Brasil os concursos públicos ainda se apoiam na meritocracia, mas paulatinamente vão se incluindo minorias com reserva de vagas, algumas plenamente aceitas pela sociedade, como aquela que prevista na Lei 7853/89, regulamentada no Decreto 3298/99, que assegura 5% das vagas para pessoas portadoras de deficiência. A deficiência física muitas vezes é atribuída por uma casualidade (a pessoa nasce assim), ou por uma fatalidade (a pessoa a adquire) e a medicina moderna não é capaz de resolvê-la. Assim, a condescendência à defecção da meritocracia neste caso ganha matizes de inclusão social.

Em 1989, ano da efervescência constitucional, mesmo ano em que se atribuía vagas para portadores de deficiência no emprego público, é sancionada a Lei 7716 que criminaliza qualquer conduta discriminatória, ou preconceituosa, por motivo de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Da mesma forma que a Lei 7853 foi muito bem recepcionada pela sociedade brasileira, a lei 7716 foi imediatamente aceita, pois apesar de prevista a igualdade entre as pessoas e a liberdade de religião na nascente Constituição Federal, a criminalização de condutas discriminatórias também carregava cores de inclusão social. No entanto, não se pode levar toda a ação de inclusão social por meio da criação de privilégios, ou pela criminalização da conduta comportamental das pessoas, quando não há certeza absoluta que o direito constitucional difuso garantido a qualquer cidadão não será violado.

Nos países escandinavos (Suécia, Noruega e Finlândia), que reconhecidamente possuem um sistema educacional de melhor qualidade no mundo, o ensino é público e gratuito (pleonasticamente falando), inclusive o ensino superior. O sistema de acesso às vagas é por meio da meritocracia e é impensável haver cotas de ensino, haja vista que a educação de qualidade é franqueada a todos e não somente aqueles que podem pagar para ter o privilégio de uma boa educação. Mas não se engane, pois todo esse ensino de excelência, assim como o acesso a saúde pública de qualidade, é custeado com os mais altos impostos cobrados no mundo ocidental. A diferença é que cada centavo pago em impostos pelo cidadão retorna em serviços públicos de excelente qualidade. Este é o jeito escandinavo de democracia e inclusão social.

O sistema de cotas do ensino superior no Brasil, travestido de “inclusão social”, na verdade apenas expressa a incompetência demagógica do governo federal em entregar a população, independentemente da quantidade de banheiros que se tem em casa, ou mesmo a cor da pele, um ensino público fundamental e médio de qualidade. A analogia que faço é de uma comunidade que tenha uma praça que seja comum a todos, cuja área verde é tomada pelo mato, sujeira e que não recebe a atenção necessária do poder público para transformá-la em um local aprazível. Cansado de receber tantas reclamações, o gestor público resolve o problema mandando cobrir a área verde com concreto. Pronto! Não era exatamente isso que pedia a população, mas é o que foi entregue de forma arbitrária como solução.

A cada pergunta que minha filha fazia sobre a quantidade de geladeiras, computadores, automóveis etc., eu sentia-me culpado por limitar sua oportunidade em ingressar em uma universidade pública pela quantidade de conforto material entregue a ela. Nada do que possuímos considero um luxo, mas mesmo que fosse foi adquirido paulatinamente com o esforço do trabalho desta família e os impostos que pagamos são praticamente entregues a fundo perdido, pois nos esforçamos para manter nossos filhos adolescentes em escola particular de boa qualidade e segurança, além de recorrer ao plano de saúde para ter direito a um tratamento digno quando adoecemos.

Sinceramente, fico com a visão democrática de inclusão social que ensina as políticas públicas dos países escandinavos.

João Lago.
Administrador, professor e morador do Conjunto Santos Dumont.

sábado, 23 de maio de 2015

Coxinha e Moralista


Um colega de profissão e amigo de facebook compartilhou uma postagem em alusão ao dia da assistente social (15/5), de autoria da deputada Erika Kokay (PT-DF), na qual publiquei que a referida autora responde no STF ao inquérito 3129 (corrupção ativa/quadrilha ou bando/lavagem de dinheiro), relativo à acusação que teria feito caixa dois na campanha eleitoral de 2006. Logo em seguida, um sujeito que nunca vi mais gordo pôs a chamar-me de “bandido” moralista, além de resolver, a minha revelia e por sua conta, filiar-me automaticamente ao PSDB, chamando-me inclusive de “coxinha”. De todos os impropérios, que em nada me abalou, um adjetivo chamou minha atenção, o de “moralista”.

É interessante notar que o significado de moralista, segundo o dicionário Aurélio, é aquele “que ou quem escreve sobre moral, ou preconiza preceitos morais”. No entanto, muito longe de considerar-me possuidor de elevadas virtudes morais que me possam colocar em lugar de destaque e superioridade, mesmo porque sou humano e falível, não tenho receio e nem me abstenho de deitar, como diz a própria definição do vernáculo, os valores que acredito serem essenciais para transformar a sociedade em mais justa e fraterna. Assim, causa-me espécie que o relativismo de oportunistas somente preconize a necessidade de moral e valores as práticas alheias, mas que não impeça ações escusas ou desvios éticos de si próprios e de seus apaniguados. Daí a imensa revolta que causei ao expor os desvios éticos de quem tem mandato parlamentar, pois acredito que os representantes do povo devam manter uma conduta exemplar na qual é inaceitável qualquer relativismo da moral.

Importante dizer que depois da redemocratização do Brasil foi o PT - Partido dos Trabalhadores - que mais cobrou moral e criticou os valores vigentes de fazer a política na época. Em 1997, Lula deu entrevista ao jornalista ao Augusto Nunes para um documentário patrocinado pelo BankBoston e produzido pela TV1, na qual criticou a maneira de fazer política com as seguintes afirmações: - “o Jânio Quadros, ele faz parte de um tipo de político de que o povo gosta que na minha opinião, enquanto o povo gostar de políticos como ele, nós não saímos do atraso. Sabe, o populista barato, o autoritário, o que acha que as pessoas tem que ter um chefe que mande e que dê ordem e que use a chibata, sabe, que não tem respeito pelas pessoas, que grita com jornalista (sic), que ofende os adversários, quer dizer, eu por minha formação política jamais me prestaria a ser um político desse tipo”(...) “Eu acho que o parlamento brasileiro funciona como uma espécie bolsa de valores. A verdade é que as pessoas de boa índole, as pessoas sérias, as pessoas comprometidas com as suas concepções ideológicas, são minoritárias no congresso, lamentavelmente aquilo é um balcão de negócios, cada eleição importante você vê como é que acontece, o presidente da república é obrigado a chamar o Judas para poder ver quantas moedas as pessoas precisam para votar. É essa, lamentavelmente, a atuação do Congresso Nacional e respeitando que tem gente da maior seriedade”.

Saliento que a mudança da ética do PT, a partir do momento que se tornou governo, espelha a antítese do discurso de seu líder máximo nas décadas de 80 e 90. Hoje o PT considera “heróis” os condenados pelo mensalão e passaram a denegrir a imagem de Joaquim Barbosa porque ousou liderar o Supremo Tribunal Federal e fazer justiça face às evidências e provas da rede de corrupção que havia para apoio político ao PT no Congresso Nacional. Inclusive, negam até hoje que tenha existido mensalão, da mesma forma que negam a participação de seu tesoureiro Vaccari no assalto a Petrobras e que Dilma e Lula nada sabiam, mesmo sendo esse o segundo guarda cofre do PT a ser preso. O PT chama a imprensa que noticia as falcatruas de “golpista” e revolta-se contra o juiz Sérgio Moro porque este está cumprindo o seu dever constitucional de promover a justiça e move campanhas de ataques a sua honra na internet.

O que eu posso dizer aqueles que dizem que sou “moralista” é que mantenho os mesmos valores que tinha nos anos 90, pois não fui eu que relativizei minha moral. Definitivamente continuo o mesmo em minhas convicções éticas e jamais acreditei que os fins justificam os meios. Não fui eu que mudei de lado e sei muito bem identificar um populista barato e autoritário.

João Lago
Administrador, professor e morador do Conjunto Santos Dumont

domingo, 10 de maio de 2015

Mobilidade Urbana e Justiça Social

Nesse último sábado fui convidado por um amigo para participar de um debate na Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Amazonas, cujo propósito é discutir, por meio de rodadas de palestras, o futuro de Manaus. Trata-se de um ciclo de debates promovido pelo deputado Luiz Castro e coordenadas pelo advogado Marcelo Ramos (ex-deputado) que foi o terceiro mais votado na última eleição para o governo do Estado do Amazonas. O tema em pauta era mobilidade urbana e abriu o debate a palestra do professor Geraldo Alves de Souza, doutor em engenharia de transportes (UFRJ), e na plenária representantes da sociedade civil organizada e cidadãos interessados no tema.

É importante perceber que algumas de nossas convicções e de nossa visão sobre a cidade de Manaus em seu passado, presente e futuro, são compartilhadas por muitos, pois foram várias as manifestações de consonância em pontos importantes que pretendo sintetizar nesta resenha em três eixos chaves.

O primeiro ponto é que a solução para a mobilidade urbana não virá somente de um único tipo de modal e que é necessário que se privilegie o transporte de massa em detrimento do transporte individual, elitista e egoísta que deve ser desestimulado. Este primeiro eixo tem por base o crescimento desordenado de Manaus, no qual tipos de modais, como é o caso do BRT(1), não poderiam ser implantados sem um elevado custo de desapropriação de áreas, haja vista que Manaus cresceu nos últimos trinta anos sob a égide da invasão de terras e sem qualquer planejamento viário, resultando em ruelas estreitas e de difícil circulação. Ao mesmo tempo, uma profunda campanha de conscientização deve ser feita para que o modelo populista e irresponsável da invasão não se reproduza mais no entorno de Manaus, pois não é possível qualquer planejamento urbano sem que haja repúdio à indústria de invasões e para com aqueles que se servem dela política-financeiramente.

É importante que outras formas de modais, como o VLT(2), o BRS(3) e também o transporte aquaviário de passageiros, para as localidades que se possam introduzir este tipo de modal de transporte, possam ser viabilizados respeitando as características urbanas da cidade. Porém, todos os tipos de meios de transporte de massa citados devem estar interligados e integrados, pois não se pode pensar em modelo de mobilidade urbana sem interdependência entre os modais de transporte. Um ponto importante abordado pelo professor Geraldo Souza, no qual concordo plenamente, é o absurdo que no corredor do BRS os taxis possam transitar, pois fere o dever do Estado em promover a justiça social. Aqueles que podem pagar o taxi privilegiam-se e tal acerto está favorecendo uma minoria abastada que pode se dar ao luxo de deixar o carro em casa e ainda assim seguir de automóvel para os seus destinos mais rapidamente do que aqueles que buscam o transporte coletivo. Podem até argumentar que no Rio de Janeiro é assim, mas seríamos nós obrigados a seguir um arremedo mal feito, errado e injusto da capital carioca?

O segundo tópico é que não se pode pensar em mobilidade urbana sem um planejamento centralizado que pense a cidade como um organismo sistêmico. Portanto, é crucial que se tire do empresário do ônibus o papel de arrecadador da tarifa. Não se trata de simples retórica ideológica contra os capitalistas do transporte, mas devemos olhar os casos exitosos de Curitiba e Bogotá, nos quais o papel de arrecadar foi passado para o controle da prefeitura, seja por meio de uma empresa pública (Curitiba), ou de economia mista (Bogotá). Desta maneira, o empresário passou a ser remunerado pelo quilômetro rodado, pois assim fica mais evidente o papel do dono do coletivo como um simples prestador de serviço, não cabendo ao mesmo o planejamento de quantos ônibus colocar no sistema. Contudo, sistemas de informação amplamente utilizados no rastreamento de veículos devem ser agregados na gestão, controle e informação ao usuário, que a partir de paradas inteligentes, ou por meio de aplicativos no celular, saberia precisamente o tempo de espera até a chegada de seu ônibus. É bom que se diga que isto não é peça de ficção científica, pois a tecnologia de comunicação usada pela telefonia celular forneceria suporte a este tipo de sistema.

Outro ponto favorável para a centralização da arrecadação e gestão do sistema nas mãos da prefeitura é a possibilidade da manutenção de modais de transporte de baixa demanda, até mesmo deficitários, mas extremamente úteis para desafogar outros tipos de transporte. Por exemplo, o serviço de transporte aquaviário poderia ligar a Zona Leste ao Centro de Manaus em menos tempo que as vias tradicionais Altaz Mirim e Cosme Ferreira que ficam congestionadas em horário de pico, desde que os modais ônibus-barca estejam interligados.

Por último, a sociedade deve escolher governantes que não se resumam aos seus projetos de governo e de interesse pessoal, mas que assumam projetos de Estado. Essa diferença pode ser explicada pela briga havida entre prefeitura e governo do estado, enquanto Amazonino Mendes e Eduardo Braga ocupavam a cadeira do executivo municipal e estadual respectivamente, pois ambos lutavam para impor seus projetos de governo face aos milhões prometidos pelo governo federal para projetos de modalidade urbana para a Copa do Mundo de 2014. Um desejava o BRT e o outro o caro e limitado monotrilho, mas ambos os projetos não estavam interligados entre si, tão pouco com o ônibus comum, ou seja, não havia planejamento unificado que pensasse mobilidade urbana como processo sistêmico para a cidade de Manaus. Porém, muito antes disso, o projeto Expresso iniciado em 2000 com o prefeito Alfredo Nascimento (ex-aliado de Amazonino e Braga) naufragou e foi abandonado por completo pelos governos que o sucedeu. Neste aspecto, contrariando essa tendência, Athur Virgílio Neto em 2014 deu o exemplo ao recuperar o que restou do Expresso para o BRS, e mesmo que passível de críticas, ainda assim é uma alternativa concreta que deve ser aprimorada por quem vier a assumir a prefeitura de Manaus em 2016. Porém, não vejo ventos favoráveis a este espírito republicano, pois a partir das críticas que leio de opositores de Arthur Neto, tanto para o projeto BRS quanto para as ciclovias, são uma demonstração que ainda está em vigor simplesmente a luta do poder, pelo poder e que se dane a população de Manaus.

As iniciativas promovidas para o debate sobre o futuro de Manaus, como essa que participei nesse último sábado, além de bem vindas, são como uma luz no fim do túnel e uma porta aberta para uma Manaus mais humana, democrática e de espírito republicano. Cabe a nós identificarmos quem poderá abrir essa porta e, após transpassá-la, definitivamente fechá-la para os promotores do atraso e arautos da mesmice de trinta anos de equívocos.

João Lago
Administrador, professor e morador do Conjunto Santos Dumont.

Notas:
((1)    BRT - Bus Rapid Transit, transporte realizado por ônibus articulados em corredores exclusivos.
((2)    VLT - Veículo leve sobre trilhos, tipo bonde articulado e de baixa velocidade para circular em áreas urbanas consolidadas, como o centro da cidade de Manaus.
((3)    BRS - Bus Rapid Service, no qual circulam ônibus em faixas determinadas, assim como ocorre no modelo que está sendo implantado em Manaus (av. Constantino Nery).

Poesia para as mães

Autor: Nikolas Góes 

Mãe, amor que eu sinto
Incomparável e eterno
Quem nunca sentiu
Seu amor protetor materno

Me tira do mau caminho
Me acompanha se estou sozinho
Compatível em qualquer momento
  da alegria ao lamento

Me corrija por favor
Por ventura se eu errar
Se formos contar a porcentagem
  do amor de uma mãe
Alguém saberia calcular?

Pois bem, já reparou?
Já reparou o quão é grandioso?
Ela sabe sabe falar conosco
  de um jeito carinhoso

É um jeito novo do adolescente
  e do adulto agradecer
Pela tua mãe que te ensinou a
  amadurecer

Agradeça a Deus por ela existir
Porque com obrigações ela
  te ensinou a resistir
  Nunca desistir
Se for o caso, persistir

O pior momento é quando
Já é hora de partir
Aí você vai
Construir uma família
E perceber que os ensinamento dela
Vão servir para a sua vida

Então não sinta vergonha
Vire e fale de um jeito plano
Vá até sua mãe e diga

  Mãe! Eu te amo!