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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Família tem casa assaltada nesta quinta-feira (13)

Nesta quinta-feira (13), uma família(*) moradora da Rua Comandante Atlas Cantanhede teve sua casa arrombada durante sua ausência, tendo o horário do delito ocorrido entre 9h e 13h30min., período em que não havia ninguém em casa. Esta é a segunda vez que a família sofre assalto em sua residência.


A casa foi invadida pelos fundos, por meio de uma janela na qual o(s) bandido(s) utilizou(aram) um podador de galhos, um pedaço de perna-manca e uma colher de jardim para romper as grades da janela. Todo o material utilizado no arrombamento era de uso dos próprios moradores e que estavam ao alcance do(s) bandido(s). Vários eletroeletrônicos foram levados, mas não se pode precisar de que forma os objetos foram carregados da residência, ou seja, se o(s) bandidos estavam à pé, ou motorizados. Pelos rastros deixados no quintal é provável que a casa foi invadida pulando o muro da entrada principal.

Material usado para arrombar a casa
Em vermelho, por onde entraram na casa (grade refeita)
A rua Comandante Atlas Cantanhede foi uma das primeiras vias do Conjunto Santos Dumont a ser fechada durante à noite pelos moradores, mas não dispõe de idêntica vigilância durante as demais 12 horas do dia. Porém, mesmo durante à noite entramos à pé e não nos identificamos com o vigilante, tão pouco nos pediu identificação, ou questionou qual seria o nosso destino. Passamos pela barreira montada na entrada da rua simplesmente com um "boa noite" como passaporte e adentramos sem maiores problemas ou questionamentos.

Outro ponto importante a destacar é que a rua na qual aconteceu o sinistro está a 233 metros do posto do Ronda no Bairro, conforme pode-se conferir na imagem abaixo obtida pelo Google Earth.
Fonte: Google Earth

Infelizmente os moradores do Conjunto Santos Dumont podem ter relaxado com a sensação de segurança obtida com o posto policial nas imediações, mas parece que isto não está sendo suficiente para afugentar os marginais, sendo o sinistro ocorrido na Atlas Cantanhede um alerta disto.

Reiteramos que a forma ainda mais eficaz para evitar os bandidos é a união dos moradores em torno da segurança, ou seja, que a vizinhança esteja sempre alerta quanto a movimentações suspeitas na rua e que os moradores tenha o número de telefone dos vizinhos. O monitoramento eletrônico também pode ser uma empecilho que possa dissuadir o marginal, mesmo que seja para ajudar a polícia na identificação dos bandidos. Neste assalto, uma das perguntas que foram feitas pela polícia era justamente a recuperação de imagens que poderiam ter sido feitas de uma câmera de vigilância na vizinhança.

Todo o investimento do sistema Ronda no Bairro não deve prescindir do aumento das câmeras de vigilância do CIOPS - Centro Integrado de Operações de Segurança, inclusive distribuindo uma maior quantidade de câmeras nas rua de nosso conjunto, já que está é uma reivindicação antiga de nossa comunidade. 

Lamentavelmente, não dispomos de uma liderança comunitária realmente engajada na solução dos problemas que afetam os moradores, mas fica nosso alerta para que os demais moradores do Conjunto Santos Dumont fiquem atentos e vigilantes, pois a temporada de calmaria pode ter passado.

Levamos nossa solidariedade à família em questão e colocamo-nos a disposição no que se fizer necessário, pois é assim que entendemos devemos agir em comunidade.

(*) Por motivos de segurança e para preserva a privacidade dessa família, não divulgaremos os nomes.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Santiago não terá morrido em vão

No inicio desta semana ouvi compadecido a declaração da esposa do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, de 49 anos, ferido com um rojão durante uma manifestação no Rio de Janeiro, que sabendo da gravidade do ferimento ocorrido na cabeça do marido, fez um desabafo contra a violência que se instala durante essas manifestações.

O cinegrafista Santiago teve diagnosticada a morte cerebral nessa segunda-feira (10). O impacto foi tão forte na cabeça que houve afundamento do crânio, comprimindo o cérebro dentro da caixa craniana, que neste caso casou forte edema difuso (inchaço em todo cérebro) que comprometeu o funcionamento cerebral. O tecido cerebral morre porque o sangue não consegue circular dentro de um cérebro inchado, segundo explicou o neurocirurgião Paulo Niemeyre Filho em entrevista ao jornal da Globo.

Nesta história trágica, o que me impressionou foi a compleição frágil de Fábio Raposo, suposto “Black bloc”, que em uma rua escura e de mãos vazias dificilmente meteria medo em alguém. No entanto, quando em grupo, já que as suas passagens pelas delegacias de polícia demonstram uma participação contumaz em protestos, parece que Raposo transforma-se e deixa extravasar uma necessidade de estar a frente dos combates violentos travados com a polícia. As imagens e as declarações de seu advogado atestam que o mesmo teve participação ativa na entrega do foguete que matou o cinegrafista.

Se Fábio Raposo não assusta, o que dirá de uma personagem chamada “sininho”, uma moça de aparência frágil e angelical que aparece oferecendo ajuda jurídica ao advogado de Raposo, dizendo ter o apoio da assessoria jurídica do deputado Marcelo Freixo do PSOL-RJ. Sininho é a alcunha de Elisa Quadros, que se diz ativista, mas ativista de quê? Ou para quem?

Quando o movimento nas ruas do país aconteceu no ano passado, eu e meus filhos saímos às ruas para pedir um país melhor, quando fomos expulsos por esses “ativistas” violentos. Não podemos nos enganar, para mim são uns beócios, que trabalham justamente promovendo uma luta insana que visa esvaziar o apoio popular a essas manifestações, muito delas legítimas. O que impressiona é que o movimento original das ruas se dizia avesso a partidos políticos, mas agora aparece uma personagem de contos de fadas afirmando ter apoio de um partido de extrema esquerda.

Chamo os “Black bloc” de beócios, porque as grandes transformações sociais que aconteceram no Século XX, por meio de Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Nelson Mandela, tiveram êxito sem pregar a violência. Ao mesmo tempo, as revoluções socialistas do século XX foram sangrentas e muita gente foi massacrada por um sistema que se demonstrou incapaz de atender as necessidades humanas. No entanto, partidos de extrema esquerda ainda hoje pregam a luta armada como forma de tomada de poder.

A história conta que Luther King, aos 30 anos, visitou a Índia para conhecer melhor os ideais de não-violência pregados por Mahatma Gandhi, que acabou obrigando os ingleses a aceitar a independência da Índia. Nelson Mandela tem uma história mais recente e com sua morte consolidou a grande admiração da comunidade internacional pelo grande líder, mas antes dele, Gandhi e Luther King mostraram que as manifestações pacíficas, reiteradas vezes e com participação popular são mais eficazes que soltar bombas.

Sininhos e Raposos são apenas a ponta do iceberg do que ainda está submerso nessas ondas de manifestações violentas que acontecem no Rio de Janeiro e São Paulo. Não tenho dúvidas que existe sim a participação de uma ideologia retrógrada e violenta, inclusive com apoio de algumas personalidades políticas de extrema esquerda que também escondem sua face, cooptando jovens cabeças ocas por um ideal de mudar o mundo por meio de uma revolução socialista. Para mim, não são diferentes dos líderes islâmicos radicais que recrutam homens bombas para explodirem seus corpos, enquanto eles assistem pela TV a matança de inocentes.

A face jovem e revolucionária do Brasil não é aquela que sai as ruas mascarada para matar. A face do Brasil é aquela que venceu a ditadura pela resistência pacífica nas ruas e com a participação ativa de membros da imprensa. A imprensa, a liberdade de expressão e manifestação não pode ser cerceada, nem pela polícia, tão pouco por esses beócios de rostos cândidos e mentes cheias de ódio.

Tenho certeza que Santiago não morreu em vão, mas tudo dependerá de como reagiremos, pois precisamos voltar as ruas, mas desta vez reivindicando que as mudanças necessárias para o nosso país sejam feitas por meio da luta pela paz, pela paz social.

João Lago
Administrador, professor e morado do Conjunto Santos Dumont.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Cobra caninana aterroriza família no Conjunto Santos Dumont

Neste final de tarde de domingo uma família moradora da Rua Comandante César Aguiar encontrou no quintal da casa, próximo a piscina, uma cobra de aproximadamente um metro e meio.

Incomodados com a visita e com a falta de conhecimento necessário para saber se a cobra era peçonhenta ou não, um membro da família buscou ajuda da polícia militar para captura do animal, recorrendo ao posto do ronda no bairro localizado na Alameda Santos Dumont. No entanto, segundo relato do morador, os policiais disseram que não poderiam ajudar.

No intuito de saber se a cobra oferecia perigo ou não, entramos em contato telefônico com o médico veterinário Carlos Jatobá, que é especialista em serpentes e, por meio de uma foto enviada pelo "what's up", identificou-a como "caninana", uma cobra muito rápida e agressiva, mas não venenosa.

Infelizmente, como não havia um especialista próximo que pudesse retirar a cobra da residência, face ao temor que se instalou entre as crianças que estavam no local, não houve outra alternativa se não aquela de sacrificar o animal.

Alertamos os moradores que encontrarem um animal desta natureza, que busquem ajuda especializada para que não ocorram acidentes. Porém, pesquisamos na internet a página da Polícia Militar do Amazonas, tentando obter o telefone do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), mas o site não disponibiliza esta informação com facilidade, tanto que não conseguimos encontrar.

Seguem abaixo as fotos do animal.






sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Coerência e ética nas redes sociais

Quem um dia ainda não presenciou uma criança derrubar um copo com um líquido qualquer sobre uma mesa e imediatamente ser repreendida por um adulto? Quem ainda não presenciou um adulto fazer a mesma coisa e os comensais agirem com total condescendência, como se aquilo fosse uma casualidade? Por que tamanho disparate para o comportamento de um, em relação ao do outro?

As palavras chulas, quando ditas pela boca de uma criança, são repreensíveis, mas quando ditas por um adulto desbocado, em tom jocoso, vira comédia. Certa vez escutei uma história mais ou menos assim:

Uma criança cresceu ao redor de homens adultos que abusavam de palavras de baixo calão, principalmente durante as transmissões de jogos de futebol pela televisão. A criança, com pouco mais de quatro anos, cedo acrescentou um vocabulários digno de fazer enrubescer as faces mais pudicas. Certo dia, quando a criança teve que ir ao dentista com a mãe e a avó, que absolutamente não eram as responsáveis pelo aprendizado do vernáculo tosco do moleque, passou-se a seguinte cena vexatória:

- O dentista começou a trabalhar na boca abençoada do guri, que em face da primeira intervenção com a broca estridente, automaticamente bradou o mantra aprendido em casa, quando o juiz marcava pênalti em favor do time adversário. Igualou a mãe do dentista à mãe do juiz, em seus adjetivos pertinentes, gritando em alto e bom som, seguidas vezes, a versão chula do que conhecemos como o líquido seminal masculino, acrescentado o nome chulo do órgão sexual que naturalmente o expele.

Um detalhe importante deve ser dito: a recepção do consultório odontológico estava lotada de outras mães, que, constrangidas com os gritos, tapavam os ouvidos de suas respectivas crianças. Sinceramente, para a mãe e avó do menino, o problema não foram os gritos ecoados, mas ter que encarar o outro lado da porta e serem observadas e julgadas pelas outras mães e aguentar a vergonha.

Nos dias de hoje, com as redes sociais, certos vexames podem tomar proporções gigantescas, pois da mesma maneira que as duas mulheres temiam a audiência dos gritos porta afora do consultório, as redes sociais (facebook, whatsapp, twitter etc.) têm o poder de socializar uma gafe, instantaneamente, para milhares de pessoas. Assim, como adolescentes e crianças utilizam as redes sociais, os adultos devem servir de exemplo para os mais novos.

Certa vez, um adolescente, reiterada vezes, postou em uma rede social mensagens de correntes que desagradaram uma parte da audiência inscrita em seu grupo. É bom que se diga que as mensagens não tinham nenhum conteúdo chulo, mas incomodavam porque, ideologicamente, as correntes não estavam de acordo com a filosofia para qual o grupo foi criado. Em um dado momento, o jovem foi dura e publicamente repreendido por isso. Passou um tempo, um adulto inicia a colocar piadinhas, algumas de gosto duvidoso, nesse mesmo grupo, mas não houve dos demais qualquer retaliação. Ou seja, aquele jovem derramou o líquido e foi repreendido. O adulto derramou a jarra inteira e todos acharam engraçado.

Não é porque estamos “online” que devemos esquecer todas as regras de convivência que temos também no mundo real, pois muitos de nós temos filhos que acompanham o que postamos, da mesma forma que acompanhamos o comportamento de nossos filhos nas redes sociais. A incoerência seria um “publiques o que eu permito que publiques, mas não curta (ou compartilhe) o que eu publico”. Não cola!

Por exemplo, tem um canal no youtube (não vou dar publicidade ao nome) que, ultimamente, vem ironizado a fé cristã, ao ponto de chamar atenção do recém-cardeal dom Orani Tempesta. O canal, nesse final de ano, postou um vídeo que satiriza o nascimento de Cristo. Não assisti ao vídeo, mas as informações que coletei de um artigo publicado por Dom Orani Tempesta foram suficientes para tomar conhecimento do conteúdo e não dar audiência ao mesmo. Não é engraçado vilipendiar a crença alheia, assim como seria um contrassenso curtir, compartilhar ou rir de uma coisa dessas.

Existe muito lixo circulando na web e o pior deles é aquele que vem travestido de humor, quando na verdade incentiva o preconceito e o ódio.

João Lago
Administrador, professor e morador do Conjunto Santos Dumont

* desejando receber diretamente em e-mail as reflexões publicadas basta deixar uma mensagem com o endereço de envio.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Monumento à imundice na Praça de Caminhada do Cj. Santos Dumont

Tem pelo menos duas semanas que a Praça do Conjunto Santos Dumont ganhou um monumento, talvez em homenagem a sujeira e a imundice que campeia o local. 

Além de estar alojado em cima do gramado, o monumento tem pregos salientes podendo a qualquer momento causar um grave acidente em crianças que frequentam o local, principalmente à noite. 


Os moradores solicitam que o responsável pela colocação dessa armação de madeira se digne a retirá-la do local, pois estaremos acionando a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e, se for o caso, também o Ministério Publico para que o autor desta proeza seja responsabilizado caso algum grave acidente ocorra.




terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Louvores dentro da igreja ou obras sociais?

Quando o cardeal Jorge Mario Bergoglio aceitou ser o novo papa da Igreja Católica, logo a imprensa brasileira alardeou que se tratava de um argentino. Posso dizer que na minha pouca fé, abalada pelos brios que reside na rivalidade futebolística, perguntei-me: Por que um argentino e não um brasileiro? Afinal somos a maior nação católica do mundo.

Quando a imprensa publicou que se tratava de um jesuíta pessoalmente fiquei confortado e confiante, baseado na minha experiência de haver trabalhado com jesuítas durante três anos e, nessa convivência, tenho orgulho de dizer-me amigo de vários religiosos da congregação fundada por Santo Inácio de Loyola no Século XVI. Posso testemunhar que são homens (não há mulheres em vida consagrada na Companhia de Jesus) que passam por uma formação esmerada e em diversas áreas, sendo comum encontrar advogados, contabilistas, físicos, sociólogos entre seus pares, além do ensino comum a todos em filosofia e teologia quando sacerdotes. Vários entre eles são poliglotas pela vivência em estudo acadêmico e serviço religioso em diversos países. Assim, decididamente eu poderia esperar que um cardeal jesuíta eleito papa tivesse uma mensagem diferente dos seus demais antecessores.

As mensagens que chegam do papa Francisco chegam aos católicos de forma oficial por meio das encíclicas publicadas pela igreja, ou pelas entrevistas que são publicadas nos meios de comunicação. Li com especial atenção a Encíclica Lumen Fidei (A Luz da Fé), escrita em conjunto pelos papas Francisco e Bento XVI, principalmente no trecho em que diz: “a discussão sobre a salvação pela fé ou pelas obras da lei. Aquilo que São Paulo rejeita é a atitude de quem se quer justificar a si mesmo diante de Deus através das próprias obras; esta pessoa, mesmo quando obedece aos mandamentos, mesmo quando realiza obras boas, coloca-se a si própria no centro e não reconhece que a origem do bem é Deus. Quem atua assim, quem quer ser fonte da sua própria justiça, depressa a vê exaurir-se e descobre que não pode sequer aguentar-se na fidelidade à lei; fecha-se, isolando-se do Senhor e dos outros, e, por isso, a sua vida torna-se vã, as suas obras estéreis, como árvore longe da água”. Foi por isso que quando Francisco esteve no Brasil declarou que a Igreja Católica não poderia ser uma ONG, tão pouco poderiam os católicos ficar reservados aos louvores dentro dos muros da Igreja. Em uma linguagem mais direta e popular, Francisco mandou os bispos católicos “cheirar as ovelhas”.

Em uma reportagem da Revista Época, Dom Júlio Endi Akamine conta que foi jocosamente interpelado por um bêbado em uma favela de São Paulo que disse: “Aí, hein? Obedecendo ao papa! Veio cheirar as ovelhas!”, fazendo uma referência a Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho), na qual Francisco diz preferir uma igreja quebrada, esfarrapada e suja, por atuar nas ruas, a uma Igreja enferma, por estar confinada e se agarrar a uma ilusória sensação de segurança. Dom Alkamine respondeu ao bêbado: “O papa não pediu para cheirar as ovelhas. Mais que isso, pediu para ter cheiro de ovelhas de tanto andar no meio do rebanho”.

Há quem dissesse que Francisco é marxista por suas ideias sobre o que é justiça social dentro das veias atuais do capitalismo, em uma economia que mata, ou que permite que muitos morram pela miséria. No entanto, quem diz que isto é marxismo não percebe o passado, ou não reconhece o papel da Igreja nos primórdios do capitalismo, quando o papa Leão XIII na Encíclica Rerum Novarum em 1891 (Das Coisas Novas) critica fortemente o capitalismo emergente que escravizava e explorava homens, mulheres e crianças nas fábricas da Europa. Naquele tempo, em um mundo em transição, inicia-se a Doutrina Social da Igreja Católica, que não é marxista, mas puramente cristã.

Desta forma, muitos esperam uma grande revolução na igreja católica, por meio de Francisco, restrita ao casamento de padres, de divorciados e de homossexuais na igreja, ou a clericalização de mulheres. Acredito que uma igreja viva e secular sobrevive na fé e em sua capacidade de enfrentar os grandes debates de seu tempo, buscando ser empática com o sofrimento particular de cada um, pois essa capacidade de sentir a dor do próximo está na raiz da identidade cristã. Porém, mais urgente e revolucionário que essas questões circunscritas a grupos sociais específicos, está em fazer que a Igreja de louvores carismáticos saia porta afora combatendo as injustiças sociais, levando conforto aos pobres, doentes, drogados e demais párias da sociedade.

Como leigo, em minhas observações, digo que isto não é uma tarefa fácil, pois muitos se encontram encastelados em zonas de conforto e agarrados na ilusória sensação de segurança descrita por Francisco. No entanto, agora podemos dizer que os olhares da Igreja Católica com o papa estejam mais atentos para a promoção de uma fé que tenha reflexo não tão somente em uma fé expressa em louvores a Deus, mas também em obras sociais, pois juntas, obra e fé, engrandecem e louvam ao Senhor.
 João Lago
Administrador, professor e morador do Conjunto Santos Dumont

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Feliz Ano Novo

O ano termina e é inevitável, pelo menos para quem se preocupa com o dia de amanhã, que se faça um balanço das conquistas e das perdas ocorridas em 2013.

Há pouco soube que um amigo de longa data, que já se aproxima dos 50 anos, passará a virada do ano desempregado. No entanto, o simples fato de anunciar nas redes sociais e encarar o acontecido como “coisas da vida”, reflete o otimismo e a esperança que se renova para momentos melhores em 2014.

Perder o emprego pode ser trágico para quem não se preparou adequadamente para o mercado de trabalho, ou mesmo para quem tenha receio em retroceder, ainda que momentaneamente, para um padrão de vida mais modesto. Eu já vivi tanto essa situação de recomeço em minha vida e aprendi que melhor é viver sem apego aos bens materiais. É preferível valorizar pessoas, mas de forma desinteressada, não esperando retribuição, pois a amizade que espera um retorno (afetivo, pecuniário etc.) também é um caminho para a desilusão.

A virada do ano também poderá ser um momento de profunda saudade, pela ausência irremediável de alguém que se ama e que tenha partido. Neste ano de 2013 acompanhei de perto o drama de algumas famílias que foram surpreendidas pela dor da ausência. Nessas ocasiões nosso vocabulário fica pobre em palavras de conforto, piorando quanto mais íntimo sejamos da família enlutada. Assim, invariavelmente, me calo diante de um abraço terno e consolador.

Outros motivos também podem ocasionar um momento de introspecção pessoal do realizado em 2013. Um amor perdido, uma doença inesperada, o insucesso na vida acadêmica, a promoção no trabalho que não veio, a viagem de férias adiada, a mesmice de uma rotina que não acrescenta e sufoca. Entre todos não há mal menor, pois cada momento vivido é único e o consolo não virá pelas milhares de pessoas que passam fome na África ou mesmo daquelas que não têm o que comer no bairro ao lado.

Os sentimentos não são “trade-off” e não nos comprazemos de nossas angústias a partir da visão da miséria do outro. Na verdade, observo que a disponibilidade em sentir as dores dos outros necessariamente passa pela superação das nossas próprias necessidades. Isso é humano, assim como a cultura também pode aumentar o grau de ser empático, ou não, com o próximo. Talvez este seja o ponto central desta minha mensagem.

Vivemos em um País no qual não se tem a tradição de se retribuir com bondade as graças recebidas, pelo contrário, a desconfiança vem como um ingrediente para justificar a nossa ausência em mazelas pontuais e próximas, talvez por estarem próximas demais.  Há pouco liguei para um amigo de infância que tenho por tradição ligar (quando estava fora de Manaus), ou visitar, sempre no dia 31 de dezembro. Foi em uma dessas ocasiões que socorri sua esposa em trabalho de parto, em uma visita inesperada, mas providencial. Esse amigo me disse: “Não podemos resolver todas as mazelas do mundo, mas uma fração, por mais ínfima que seja, fará a diferença”.

Ele tem razão, pois este pouco, esta ínfima fração, quando somado a todas as demais que se avolumam em vários cantos deste país nos faz sermos agentes de esperança. Quanto mais pessoas puderem agradecer um ano bom com gentileza e bondade, mais nos engrandeceremos como nação.

 João Lago
Administrador, professor e morador do Conjunto Santos Dumont.